Parte do que se diz é verdadeira, mas o conjunto leva a uma conclusão que as fontes não sustentam.
Post engana ao dizer que o Brasil só caiu no ranking do Pisa de 2000 a 2025
Posts comparam a posição do Brasil no Pisa em 2000 e 2025 para dizer que a educação piorou. O Aos Fatos mostra que o número de países subiu de 32 para 91.
Em 20 segundos
Enganoso. Posts dizem que o Brasil “só caiu” no ranking do Pisa entre 2000 e 2025. A posição de fato é pior, mas o exame passou de 32 para 91 países, e o Brasil subiu em pontos nas três áreas, segundo o Aos Fatos. Em 2025 as notas foram 408 em leitura, 377 em matemática e 409 em ciências, segundo a divulgação do MEC e do Inep.
A alegação
“O Brasil “só caiu no ranking do Pisa entre 2000 e 2025”, com infográfico que compara as posições do país nas duas edições para indicar piora da educação no governo Lula.”
Posts na rede X, que passavam de 1 milhão de visualizações na tarde de 21/10/2026, segundo o Aos Fatos, durante a campanha do segundo turno. Primeira circulação registrada: . Não linkamos o boato para não ampliá-lo.
O que é verdade e o que não é
É verdade
A posição do Brasil em leitura de fato caiu: em 2000 o país ficou em último lugar entre 32 participantes, e em 2025 em 52º entre 91, segundo o Aos Fatos. Nas contas do Aos Fatos, a posição em matemática foi 32ª em 2000 (conforme o infográfico) e 71ª em 2025.
Não é verdade
Comparar posições ignora que o levantamento passou de 32 para 91 países e economias, segundo o Aos Fatos. Com mais participantes, a colocação tende a piorar mesmo que a nota suba.
É verdade
Em pontos, o Aos Fatos informa que o Brasil melhorou de forma modesta nas três áreas: leitura de 396 para 408, matemática de 334 para 377 e ciências de 375 para 409, cotejando 2000 e 2025.
Atenção
As notas de 2025 (408, 377 e 409) e o recuo da distância para a média da OCDE desde 2006 aparecem na divulgação do MEC e do Inep (Agência Gov) e no Poder360. Os dados de 2000 constam apenas do Aos Fatos, que cita Inep e OCDE, e não foram conferidos em fonte própria aberta.
Atenção
O Poder360 informa que a nota de leitura de 2025 está abaixo do pico de 413 pontos de 2018 e a de matemática abaixo do pico de 389 de 2012. Ou seja, há estagnação recente, e o avanço vem de comparações mais longas. Especialistas ouvidos pelo Aos Fatos dizem ainda que os estudos de 2000 e 2025 não são plenamente comparáveis e que o ranking sozinho não permite atribuir o resultado a um governo.
O que as fontes dizem
Posts em redes sociais afirmam que o Brasil “só caiu” no ranking do Pisa, exame da OCDE aplicado a estudantes de 15 anos, entre 2000 e 2025, e usam a comparação para sugerir que a educação piorou no governo Lula. Segundo o Aos Fatos, as publicações tinham mais de 1 milhão de visualizações na rede X na tarde de 21 de outubro.
A comparação de posições é real, mas incompleta. Em 2000 o exame teve 32 países, e o Brasil ficou em último em leitura. Em 2025 foram 91 países e economias, e o Brasil ficou em 52º em leitura, segundo o Aos Fatos. A diferença no tamanho da lista muda o sentido do número.
Posição e nota são coisas diferentes
Pelas notas, o quadro é outro. O Aos Fatos informa que o Brasil passou de 396 para 408 pontos em leitura, de 334 para 377 em matemática e de 375 para 409 em ciências entre 2000 e 2025. Os dados de 2025 batem com a divulgação do MEC e do Inep, publicada pela Agência Gov, e com o Poder360, que registra 30.140 estudantes brasileiros na amostra.
O avanço tem limites. Segundo o Poder360, a nota de leitura de 2025 está abaixo do pico de 413 pontos de 2018, e a de matemática, abaixo dos 389 de 2012. O Brasil continua abaixo da média da OCDE nas três áreas, que foi de 466, 469 e 486 pontos, de acordo com o mesmo veículo e a Agência Gov.
Por que o veredito é Enganoso
O dado citado nos posts existe: a posição do Brasil piorou. Mas o conjunto leva a uma conclusão que as fontes não sustentam, a de que o desempenho dos estudantes só recuou. As notas subiram de forma modesta, e o ranking ficou pior em parte porque há quase três vezes mais países. Ouvidos pelo Aos Fatos, os professores Zeca Sampaio (USP) e Reginaldo Rodrigues (PUC-PR) dizem que os estudos de 2000 e 2025 não podem ser comparados desse modo e que o ranking sozinho não permite culpar uma gestão federal.
Os dados de 2000 constam apenas do Aos Fatos, que cita Inep e OCDE, e as páginas da OCDE não abriram para conferência. Para acompanhar a campanha, veja o painel de Eleições 2026 e as demais checagens.
Checado em 3 fontes
Todos os links foram abertos e conferidos antes da publicação. Ordem: fontes primárias primeiro, depois agências de checagem, imprensa e referências.
Fonte primáriaAgência Gov (MEC e Inep)
Brasil está entre os países que mais avançaram em educação nos últimos 20 anos (abre em nova aba)Divulgação oficial do governo: notas de 2025 de 408 (leitura), 377 (matemática) e 409 (ciências), 760 mil alunos em 91 países e distância para a OCDE menor que em 2006. É texto do próprio governo, que tem interesse na leitura positiva.
Agência de checagemAos Fatos
Comparação entre posições do Brasil no Pisa em 2000 e 2025 é enganosa (abre em nova aba)Mostra que o exame passou de 32 para 91 países e que as notas do Brasil subiram nas três áreas. Cita OCDE e Inep e ouve dois professores, que dizem que os estudos não são comparáveis por ranking.
ImprensaPoder360
Educação no Brasil avança, mas segue distante da média da OCDE (abre em nova aba)Confirma as notas de 2025 e os 91 países, mostra a série desde 2006 e lembra que leitura e matemática estão abaixo dos picos de 2018 e 2012.
Linha do tempo
A OCDE divulga os resultados do Pisa 2025, com 91 países e economias.
O Aos Fatos publica a checagem dos posts, que passavam de 1 milhão de visualizações no X.
Checagem publicada em 22 de outubro de 2026. Se você tiver uma fonte que mude este veredito, escreva para contato@politicadiaria.com.br. Aplicamos a mesma régua a qualquer campo político.
Quem escreveu
Equipe Política Diária
Redação da Política Diária
A equipe da Política Diária escreve para quem quer entender a política brasileira e internacional sem torcida. Cada texto parte de fontes primárias (Diário Oficial, Câmara, Senado, STF, TSE, organismos internacionais e veículos de imprensa identificados) e é escrito em português claro, separando fato de opinião.