Parte do que se diz é verdadeira, mas o conjunto leva a uma conclusão que as fontes não sustentam.
Post engana ao ligar mudança de locais de votação a manobra do presidente do TSE
Posts dizem que Nunes Marques mexeu em locais de votação de áreas pró-Lula. Zonas e TREs decidem as trocas, e o TSE corrigiu o número de 4.352 seções, diz o Aos Fatos.
Em 20 segundos
Enganoso. Houve troca de local de votação entre os turnos, mas é decisão das zonas e dos TREs, e não do presidente do TSE, segundo o Aos Fatos. O número de 4.352 seções divulgado em 17/10 foi um erro de dados, admitiu o TSE. Antes de votar, consulte o local no e-Título ou no portal do TSE.
A alegação
“O presidente do TSE, ministro Kássio Nunes Marques, teria mudado locais de votação em regiões favoráveis a Lula para influenciar o segundo turno, com endereços trocados e mudanças nunca anunciadas.”
Postagens em redes sociais após a divulgação, em 17/10/2026, de que 4.352 seções mudaram de local, segundo o Aos Fatos (20/10/2026). Primeira circulação registrada: . Não linkamos o boato para não ampliá-lo.
O que é verdade e o que não é
É verdade
Houve troca de local de votação entre os turnos. A Agência Brasil publicou em 17/10 que a Justiça Eleitoral anunciou 4.352 seções com endereço alterado (0,87% das seções), com motivos como reformas de última hora, acessibilidade e danos causados por chuva e vento.
Não é verdade
O número de 4.352 estava errado. Segundo o SBT News (21/10), o TSE admitiu o erro, atribuído a lançamento de dados pelos TREs, e o valor corrigido era de 343 seções, depois de 441 na terça (20/10). O presidente do Colégio de Presidentes dos TREs disse que o dado de 4,3 mil comparava 2024 com 2026.
Não é verdade
Segundo o Aos Fatos, a troca de locais entre turnos é rotina prevista em norma e é decidida pelos TREs e zonas eleitorais, e não pelo presidente do TSE, que não poderia determiná-la.
Atenção
Os números mudam conforme as zonas atualizam o sistema: 4.352 (17/10), 441 (20/10) e 343 (21/10), segundo as fontes. O total atual deve ser conferido no TSE. As páginas do TSE e do Fato ou Boato bloquearam o acesso automático (erro 403) e não entram como fontes abertas.
Atenção
Nenhuma das fontes abertas aponta critério político nas trocas, e o Aos Fatos cita especialista da OAB Paraná que diz não haver base para acusar o TSE de manipular a eleição por esse meio. Isso não exclui erros pontuais, e por isso o eleitor deve conferir o próprio local.
O que as fontes dizem
Depois do anúncio de que milhares de seções mudaram de endereço para o segundo turno, postagens passaram a afirmar que o presidente do TSE, ministro Kássio Nunes Marques, teria alterado locais de votação em áreas favoráveis a Lula para influenciar o resultado. Segundo o Aos Fatos, a atribuição é enganosa: trocar o local entre os turnos é rotina prevista em norma, e quem decide são os Tribunais Regionais Eleitorais e as zonas, não o presidente do TSE.
A mudança existiu. A Agência Brasil noticiou em 17 de outubro que 4.352 seções, ou 0,87% do total, tiveram o endereço alterado, por reformas de última hora, melhorias de acessibilidade e danos de chuva e vento. Nossa notícia daquele dia reproduziu esse número, divulgado na ocasião.
O número foi corrigido
O dado de 4.352 não se sustentou. De acordo com o SBT News, o TSE admitiu erro de lançamento de dados pelos TREs, e o total corrigido foi de 343 seções, depois de 441 na terça-feira (20). O presidente do Colégio de Presidentes dos TREs afirmou que o dado de 4,3 mil comparava 2024 com 2026. O Aos Fatos também descreve o número de 4.352 como erro de atualização do sistema e informa que a contagem cai à medida que as zonas concluem as atualizações.
As fontes divergem no total (343 ou 441, conforme o dia), e esta checagem registra as duas datas. Em qualquer caso, o Aos Fatos fala em menos de 0,1% das seções.
Por que o veredito é Enganoso
O fato central, a troca de endereços, é real. O que as fontes não sustentam é a conclusão de que houve manobra do presidente do TSE para favorecer um lado: a decisão é local, há motivos concretos listados, e nenhuma fonte aberta aponta critério político. Por isso o selo é Enganoso, e não Falso. Um especialista da OAB Paraná, citado pelo Aos Fatos, diz que acusar o TSE de manipular a eleição exige prova concreta.
O que o eleitor deve fazer antes de domingo (25), quando a votação vai das 8h às 17h: conferir zona, seção e endereço no aplicativo e-Título ou no autoatendimento do portal do TSE, e desconfiar de links não oficiais. Para o calendário e os dados da disputa, veja o painel de Eleições 2026 e as demais checagens.
Checado em 3 fontes
Todos os links foram abertos e conferidos antes da publicação. Ordem: fontes primárias primeiro, depois agências de checagem, imprensa e referências.
Agência de checagemAos Fatos
O que se sabe sobre as mudanças nas seções eleitorais no segundo turno (abre em nova aba)Classifica como enganoso. Diz que as trocas são decididas por TREs e zonas, não pelo presidente do TSE, e que o número de 4.352 veio de erro de atualização de dados; o TSE contava 441 em 20/10.
ImprensaSBT News
TSE admite erro em anúncio de mudança de 4 mil seções (abre em nova aba)Relata que o TSE admitiu o erro do dado de 4.352 seções, comparado indevidamente com 2024, e que o valor corrigido era de 343 seções. Orienta consultar o local só por canais oficiais.
ImprensaAgência Brasil
Mais de 4 mil eleitores tiveram locais de votação alterados (abre em nova aba)Registra o anúncio original de 4.352 seções (0,87%), os motivos (reformas, acessibilidade, chuva e vento) e como consultar o local pelo e-Título ou pelos sites dos TREs.
Linha do tempo
A Agência Brasil informa que a Justiça Eleitoral alterou o local de 4.352 seções para o 2º turno.
O Aos Fatos publica a checagem e informa que o TSE contava 441 seções alteradas, com o número de 4.352 atribuído a erro de dados.
O SBT News relata que o TSE admitiu o erro e que o total corrigido era de 343 seções.
Checagem publicada em 24 de outubro de 2026. Se você tiver uma fonte que mude este veredito, escreva para contato@politicadiaria.com.br. Aplicamos a mesma régua a qualquer campo político.
Quem escreveu
Equipe Política Diária
Redação da Política Diária
A equipe da Política Diária escreve para quem quer entender a política brasileira e internacional sem torcida. Cada texto parte de fontes primárias (Diário Oficial, Câmara, Senado, STF, TSE, organismos internacionais e veículos de imprensa identificados) e é escrito em português claro, separando fato de opinião.