Os Ungidos, de Thomas Sowell: resenha e nota
Análise editorial de Os Ungidos, de Thomas Sowell: a tese sobre as elites e as políticas sociais, a edição da LVM, as críticas feitas à obra e a nota.
Análise editorial da obra, da ficha da edição e de fontes públicas
Resumo em 30 segundos
- 01Os Ungidos é a edição brasileira de The Vision of the Anointed, publicado em 1995 nos Estados Unidos, em que Thomas Sowell sustenta que parte das elites intelectuais e políticas defende políticas sociais sem testá-las contra os resultados.
- 02A edição indicada é a da LVM Editora, 2ª edição, de 30/12/2022, com 344 páginas e ISBN-13 978-6550520540, segundo a ficha da Amazon Brasil conferida em 01/11/2026.
- 03A nota 7,5 premia a clareza e a leitura envolvente e desconta a atualidade e o tom polêmico: resenhistas apontam o desprezo pelos adversários e o foco em debates americanos das décadas de 1960 a 1990.
Neste artigo
Toda política pública começa com uma promessa. Poucas voltam, anos depois, para ser medidas contra ela. Os Ungidos, do economista americano Thomas Sowell, é um livro dedicado a essa lacuna: como ideias sociais se tornam leis e programas e por que raramente são revistas quando os resultados decepcionam. Esta é uma análise editorial da obra, feita a partir da ficha da edição brasileira, de registros públicos sobre o livro e o autor e de resenhas citadas no texto.
Veredito da redação
É um livro de combate, bem escrito e fácil de ler, que dá ao leitor uma pergunta útil para qualquer proposta: o que aconteceu depois de ela ser aprovada? O ponto forte é essa régua, que vale para qualquer campo político. O ponto fraco é o tom: o autor trata seus adversários com ironia constante, e os próprios resenhistas apontam que isso cansa e enfraquece o argumento.
A nota final é 7,5 em 10. A pontuação avalia a qualidade da obra (clareza, profundidade, rigor, atualidade e leitura) e não a concordância do leitor ou da redação com o autor. As críticas feitas ao livro estão listadas mais abaixo.
De que trata e qual é a tese central
O original, The Vision of the Anointed: Self-Congratulation as a Basis for Social Policy, foi publicado em 1995 pela Basic Books, com 320 páginas, segundo a Wikipedia. A fonte resume a tese: existiria uma visão dominante entre intelectuais, jornalistas e ativistas, a dos "ungidos", que se protege de evidências contrárias, e os autores dessa visão continuam prestigiados mesmo quando os fatos desmentem suas posições.
A resenha da revista Reason, de 1995, descreve o mecanismo que Sowell identifica em quatro etapas: uma situação é declarada crise, propõe-se uma política como solução, a política é adotada e, quando os resultados não aparecem, os defensores evitam a revisão. A mesma resenha lista casos tratados no livro: o programa americano de combate à pobreza, lançado quando a pobreza já caía, a educação sexual, promovida para reduzir gravidez na adolescência e doenças, a mudança de foco da punição para a reabilitação no sistema penal e decisões de tribunais.
O livro também discute o que chama de "profetas de teflon", figuras que previram desastres que não se concretizaram e não perderam reputação, e a linguagem política, em que termos como "acesso" e "epidemia" carregam conclusões embutidas. A edição brasileira, da LVM, traz o subtítulo "A fantasia das políticas sociais dos progressistas".
Outros casos citados pelas resenhas mostram a variedade do material. A Reason lembra que Sowell critica estudos de hipotecas do Federal Reserve que ignoravam diferenças de patrimônio, comparações de renda que induzem a erro e a legislação de responsabilidade civil que atinge empresas e médicos bem-sucedidos. Entre os "profetas de teflon", a mesma fonte cita Paul Ehrlich e John Kenneth Galbraith, e a Wikipedia menciona Ralph Nader. O leitor encontra, portanto, uma coleção de episódios sobre previsão, estatística e linguagem, ligados pela mesma pergunta.
A recepção também é variada. Segundo a Wikipedia, Robert P. George resenhou o livro na National Review em 1995, Nick Cater o chamou de obra-prima em The Australian, em 2021, e Wilfred Reilly o escolheu como seu favorito entre os livros do autor em ensaio de dezembro de 2025. São avaliações favoráveis, o que reforça a conveniência de ler também críticas de outras origens.
Sobre o autor
Thomas Sowell nasceu em 30 de junho de 1930, em Gastonia, na Carolina do Norte, e cresceu no Harlem, em Nova York. De acordo com o verbete da Wikipedia, formou-se em economia em Harvard (1958), fez mestrado na Universidade Columbia (1959) e doutorou-se na Universidade de Chicago (1968), sob orientação de George Stigler. Lecionou em Cornell, Brandeis e na UCLA e é pesquisador sênior da Hoover Institution, em Stanford.
A mesma fonte registra que ele se disse marxista na casa dos 20 anos e passou a defender o livre mercado depois de estudar os efeitos do salário mínimo sobre trabalhadores da cana em Porto Rico, a partir de 1960. Entre suas obras estão Conflito de Visões (1987), The Vision of the Anointed (1995) e Basic Economics (2000). O leitor brasileiro encontra outras análises do autor em Conflito de Visões, Os Intelectuais e a Sociedade e Fatos e Falácias da Economia.
O que o livro faz bem
Uma pergunta que serve a todos os campos. A régua de comparar promessa e resultado não pertence a nenhum partido. O leitor de qualquer posição pode aplicá-la a programas do próprio campo, e é nesse uso que o livro rende mais. A pergunta aparece também no debate brasileiro sobre programas de transferência de renda, segurança pública e educação, temas que o Congresso vota todos os anos.
Casos em vez de abstrações. Cada tese vem acompanhada de exemplos, o que diferencia o livro de ensaios que se limitam a declarar princípios. Mesmo quem discorda das conclusões pode conferir os dados citados e propor explicações alternativas.
Leitura fluida. A prosa é direta e carregada de ironia, e os capítulos podem ser lidos separadamente. Para o público que acompanha política, o livro tem a vantagem de não exigir fórmulas ou gráficos.
Limites e críticas feitas à obra
A crítica mais citada é o tom. A resenha da Reason, favorável ao uso de fatos e números, considera que o desprezo aberto pelos adversários prejudica o argumento e que o termo "ungidos", repetido ao longo do texto, cansa. Quem não compartilha as premissas do autor tende a ler o livro como caricatura de seus oponentes.
A segunda crítica é de recorte. A mesma resenha afirma que o livro é pessimista e preso aos anos 1960, e que o retrato dos "ungidos" é mais convincente para o passado do que para o presente. Para o leitor brasileiro, o recorte é duplo: o autor fala sobretudo dos Estados Unidos, e programas como o Bolsa Família, o Fundeb ou a política de segurança estadual não estão no livro.
A terceira crítica é de originalidade. Segundo a resenha, parte do material já aparecia em Knowledge and Decisions e em Conflito de Visões. Quem leu Conflito de Visões reconhece o arcabouço e encontra aqui sobretudo a aplicação a casos.
A quarta ressalva é de generalização. A tese de que um campo inteiro funciona por autocongratulação é uma hipótese sobre motivações, e é mais difícil de provar do que a comparação entre promessa e resultado de uma política específica. Defensores dos programas criticados costumam responder que o resultado seria pior sem eles, argumento que exige um contrafactual que o livro raramente discute. Para um contraponto a partir da economia das instituições, vale ler Por que as Nações Fracassam.
A quem serve e a quem não serve
O livro serve a estudantes, jornalistas, servidores e eleitores que querem treinar o hábito de checar políticas contra os resultados, e a quem já conhece Pare de Acreditar no Governo, de Bruno Garschagen, e quer um olhar internacional. Combina com o noticiário em Notícias, onde medidas do Executivo e do Legislativo podem ser lidas com a mesma pergunta.
Não serve a quem busca um estudo de política pública brasileira, uma análise estatística rigorosa ou uma exposição neutra entre campos. É um livro com tese e se lê melhor ao lado de autores que pensem diferente.
Edição indicada e preço
A edição indicada é a da LVM Editora, 2ª edição, de 30 de dezembro de 2022, em português, com 344 páginas, ISBN-10 6550520541 e ISBN-13 978-6550520540, conforme a ficha na Amazon Brasil, aberta e conferida em 01/11/2026. A página não exibiu preço na consulta, então confira o valor atual antes de comprar. A compra pelo link gera comissão para o site, sem custo extra ao leitor.
Livros para ler depois
Para o contexto das ideias, há O Caminho da Servidão, de Hayek. Para uma introdução curta à economia, Economia numa Única Lição. Todas as análises estão na lista de resenhas.
Nota final e critérios
A nota é a média simples de cinco critérios, aplicados com a mesma régua a livros de todos os campos. Clareza, 8,5: a tese e o padrão de quatro etapas são fáceis de seguir. Profundidade, 7,0: boa aplicação a casos, com pouca teoria nova.
Rigor e fontes, 7,0: uso abundante de dados, mas com seleção de exemplos que favorece a tese. Atualidade, 6,5: recorte nos Estados Unidos das décadas passadas. Leitura, 8,5: envolvente e direta. A média é 7,5.
Veredito final

Vale a leitura
Nota 7,5 de 10
Para quem é: Quem já leu uma introdução à economia e quer um livro sobre como políticas sociais são justificadas e avaliadas, de preferência lido junto com autores de outros campos.
Principal ressalva: Resenhistas apontam o tom polêmico e o desprezo declarado pelos adversários, o que enfraquece a persuasão fora do público já convencido.
Ver Os Ungidos na AmazonAnálise detalhada
- Autor
- Thomas Sowell
- Editora
- LVM Editora
- Ano da edição
- 2022
- Páginas
- 344
- ISBN-10 (ASIN)
- 6550520541
7.5/10
- Clareza · peso 20%
- 8.5
- Profundidade · peso 20%
- 7.0
- Rigor e fontes · peso 20%
- 7.0
- Atualidade · peso 20%
- 6.5
- Leitura · peso 20%
- 8.5
Prós
- Propõe um critério simples e aplicável a qualquer campo político: comparar o que uma política prometeu com o que de fato aconteceu
- Trabalha com casos concretos, como políticas de combate à pobreza, educação sexual, segurança e decisões judiciais, em vez de ficar no plano abstrato
- Prosa direta e irônica, que prende o leitor e dispensa formação em economia
Contras
- Resenhistas apontam o tom polêmico e o desprezo declarado pelos adversários, o que enfraquece a persuasão fora do público já convencido
- A maior parte dos exemplos vem dos Estados Unidos entre as décadas de 1960 e 1990, e o leitor brasileiro precisa fazer a ponte
- Parte do material retoma ideias de livros anteriores do autor, como Conflito de Visões
- Ideal para
- Quem já leu uma introdução à economia e quer um livro sobre como políticas sociais são justificadas e avaliadas, de preferência lido junto com autores de outros campos.
- Preço
- Preço não verificado: a página da Amazon Brasil não exibiu valor em 01/11/2026; confira o preço da edição na loja
Resenha editorial baseada na obra, na ficha da edição e em fontes públicasPode conter links de afiliado
Método
Como avaliamos
A nota final é a média simples de cinco critérios, todos com o mesmo peso (20% cada), aplicada com a mesma régua a livros de todos os campos. A nota julga a qualidade da obra, nunca a posição política do autor. Veja a política editorial.
- 8,5
Clareza · peso 20%
O texto se faz entender sem exigir leitura prévia do tema?
- 7,0
Profundidade · peso 20%
O livro vai além do óbvio e sustenta a tese com argumento?
- 7,0
Rigor e fontes · peso 20%
As afirmações têm base em documentos, dados e notas verificáveis?
- 6,5
Atualidade · peso 20%
O conteúdo continua útil para entender o debate de hoje?
- 8,5
Leitura · peso 20%
O ritmo, a edição e a tradução ajudam a chegar ao fim?
- Nota final (média)7,5 / 10
Quem escreveu
Equipe Política Diária
Redação da Política Diária
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