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Parte do que se diz é verdadeira, mas o conjunto leva a uma conclusão que as fontes não sustentam.

A campanha de Lula não foi a única a pedir mais tempo de votação no 2º turno: o PL também pediu

O PL pediu ao TSE, às 15h27, a prorrogação em SP, PR e SC. Zanin decidiu sobre o pedido do PT ao STF, que valeu para todo o país. Veja o que dizem Aos Fatos, CNN e Jovem Pan.

Foto de Equipe Política DiáriaEquipe Política DiáriaChecado em 3 fontes

Em 20 segundos

Enganoso. Dizer que só a campanha de Lula pediu a extensão do horário omite que o PL também pediu, ao TSE, em estados específicos. A decisão de Zanin, porém, atendeu ao pedido do PT ao STF, de alcance nacional.

A alegação

“A prorrogação da votação do segundo turno, até as 19h, teria sido pedida apenas pela campanha de Lula, o que levantaria suspeita sobre o resultado.”

Argumento usado em pronunciamento do candidato Flávio Bolsonaro após o resultado, segundo a transcrição e a checagem do Aos Fatos (26/10/2026), e repetido em redes sociais. Primeira circulação registrada: . Não linkamos o boato para não ampliá-lo.

O que é verdade e o que não é

  • É verdade

    O PT também pediu a prorrogação. Pelos horários da CNN Brasil, o pedido à presidência do TSE ocorreu às 13h22 (Bahia), houve novo pedido às 15h42 e, depois, recurso ao STF por mais duas horas em todo o país.

  • Não é verdade

    O PL também pediu. Às 15h27, a campanha de Flávio Bolsonaro acionou o TSE para pedir prorrogação em São Paulo, Paraná e Santa Catarina, por causa de condições climáticas (CNN Brasil, Jovem Pan e Aos Fatos).

  • Atenção

    Os pedidos não foram iguais: o do PL foi ao TSE e se limitava a alguns estados. A decisão de Zanin, às 16h57, respondeu ao pedido do PT ao STF e valeu para todo o país, incluindo os estados citados pelo PL.

  • Atenção

    Segundo o Aos Fatos, cerca de 35 mil votos foram registrados após as 17h, pelos logs das urnas, dado atribuído ao g1. A vitória de Lula foi por 4,4 milhões de votos.

O que as fontes dizem

Segundo o Aos Fatos, ao questionar a prorrogação da votação o candidato Flávio Bolsonaro tratou o pedido como se tivesse partido apenas da campanha de Lula. A agência mostra que a campanha do PL também fez pedidos à Justiça para estender o prazo em diversas cidades. Os horários variam um pouco entre as fontes, e por isso a Política Diária usa a cronologia da CNN Brasil como referência principal.

Pela CNN Brasil, o PT pediu ao presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, prorrogação em cidades da Bahia às 13h22. Às 15h27, o PL acionou o TSE para pedir a mesma providência em São Paulo, Paraná e Santa Catarina. Às 15h42, o PT pediu extensão em cinco estados. Depois de Nunes Marques pedir informações às prefeituras, o PT recorreu ao STF, e o ministro Cristiano Zanin decidiu às 16h57 estender a votação até as 19h em todo o país. A Jovem Pan também registra que o PL pediu em estados específicos por causa da chuva.

O que muda entre os dois pedidos

Os pedidos tiveram alcance e destino diferentes. O do PL foi ao TSE e se restringia a três estados, segundo a CNN Brasil. O do PT chegou ao STF e pedia duas horas a mais em todo o país. A decisão de Zanin atendeu ao pedido do PT, mas, por valer nacionalmente, cobriu também os estados citados pelo PL. Segundo a Jovem Pan, o grupo do PL depois enviou o pedido ao STF. A reportagem da CNN não reproduz a petição do PL, e por isso esta checagem não detalha o texto dela.

O Aos Fatos diz que, segundo logs das urnas, cerca de 35 mil votos foram registrados depois das 17h, e que a diferença entre os candidatos foi de 4,4 milhões de votos. Sobre o desdobramento da decisão, leia a notícia sobre a ordem de Zanin e a análise dos votos depois do horário regular.

Por que o veredito é Enganoso

É verdade que o PT pediu a prorrogação e que foi o pedido do PT ao STF que originou a decisão. Mas a afirmação de que só um campo pediu não se sustenta: duas fontes de imprensa e a checagem do Aos Fatos registram o pedido do PL ao TSE. O Aos Fatos classifica esse ponto como falso. A Política Diária usa Enganoso porque o conjunto contém fatos verdadeiros (a decisão partiu do pedido do PT) mas a conclusão sugerida não se sustenta. O mesmo critério vale para qualquer campanha. Veja também a checagem sobre os fiscais do PL na sala-cofre e o painel Eleições 2026.

Checado em 3 fontes

Todos os links foram abertos e conferidos antes da publicação. Ordem: fontes primárias primeiro, depois agências de checagem, imprensa e referências.

  1. Agência de checagemAos Fatos

    Derrotado, Flávio mente ao sugerir que eleição foi fraudada (abre em nova aba)

    Checa a fala sobre a prorrogação. Lista horários dos pedidos do PL (15h27 e 15h42, ao TSE) e do PT (13h32 e 15h42 ao TSE, 15h46 ao STF) e a decisão de Zanin às 17h03. Os horários da CNN diferem em alguns minutos (ver análise).

  2. ImprensaCNN Brasil

    Votação prorrogada: veja cronologia que levou a impasse entre STF e TSE (abre em nova aba)

    Cronologia: PL aciona o TSE às 15h27 para SP, PR e SC; PT pede ao STF mais duas horas em todo o país; Zanin decide às 16h57. A petição do PL não é reproduzida.

  3. ImprensaJovem Pan

    Zanin determina prorrogação do horário da votação até 19h (abre em nova aba)

    Informa que o PT pediu prorrogação nacional por falta de ônibus e que o PL pediu em estados específicos por causa da chuva, e que o grupo do PL depois também levou o pedido ao STF.

Linha do tempo

  1. Pedidos de prorrogação do PT e do PL chegam ao TSE ao longo da tarde. Zanin, do STF, determina a extensão até as 19h em todo o país e a votação termina no novo horário. À noite, Lula é declarado vencedor com 51,79% dos votos válidos (CNN Brasil).

  2. O Aos Fatos publica a checagem da fala sobre a prorrogação. A CNN Brasil atualiza sua cronologia.

Checagem publicada em 27 de outubro de 2026. Se você tiver uma fonte que mude este veredito, escreva para contato@politicadiaria.com.br. Aplicamos a mesma régua a qualquer campo político.

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Quem escreveu

Equipe Política Diária

Redação da Política Diária

A equipe da Política Diária escreve para quem quer entender a política brasileira e internacional sem torcida. Cada texto parte de fontes primárias (Diário Oficial, Câmara, Senado, STF, TSE, organismos internacionais e veículos de imprensa identificados) e é escrito em português claro, separando fato de opinião.

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