O fato central da alegação é contrariado por fontes primárias ou por fontes independentes.
“Relatório Pericial Independente” não comprova fraude no 2º turno, diz o TSE
Documento sem autoria cita 1,8 milhão de votos após as 17h para sugerir fraude. O TSE contou 34.393 votos depois desse horário e rebate os demais pontos.
Em 20 segundos
Falso. O TSE contou 34.393 votos depois das 17h, e não 1,8 milhão, e a vantagem de Lula foi de 4.430.191 votos. O tribunal diz que o relatório, sem autoria, confunde horário do voto, fechamento da urna e totalização.
A alegação
“Um documento de quatro páginas, apresentado como “Relatório Pericial Independente” com base em dados do TSE, diz ter achado fraude no 2º turno de 2026: atribui a vitória às seções encerradas depois das 17h, cita 1,8 milhão de votos, “votos manuais”, a Lei de Benford e um apagão de dados de 72 horas.”
Imagens do documento, datado de 28/10/2026, divulgadas na plataforma X e republicadas em vídeos e posts em outras redes, segundo o TSE. Primeira circulação registrada: . Não linkamos o boato para não ampliá-lo.
O que é verdade e o que não é
É verdade
Houve votos depois das 17h. A votação foi estendida até as 19h nas seções ainda abertas, por decisão do ministro Cristiano Zanin (STF), e o TSE contou 34.393 votos depois das 17h: 32.399 entre 17h e 18h, 1.981 entre 18h e 19h e 13 depois das 19h.
Não é verdade
Não foram 1,8 milhão de votos depois das 17h. Segundo o TSE, o número do relatório está muito acima dos 34.393 registrados, e a vantagem do candidato vencedor foi de 4.430.191 votos (64.256.232 contra 59.826.041).
Não é verdade
Votos incluídos no painel depois das 19h não são necessariamente votos dados depois das 17h. O TSE suspendeu o recebimento de boletins, a totalização e a divulgação enquanto a votação seguia, e, na retomada, os boletins traziam a votação inteira de cada seção.
Não é verdade
Habilitação sem biometria não é voto irregular, e não é possível saber em quem votou cada eleitor. Segundo o TSE, há procedimento alternativo previsto de identificação, e o Registro Digital do Voto guarda as escolhas sem ligá-las à identidade de quem votou.
Não é verdade
Não houve apagão de dados de 72 horas. O TSE afirma que os boletins foram impressos e afixados nas seções e divulgados na página Resultados, e que os arquivos dos dois turnos estão no portal de dados abertos.
Atenção
O TSE diz que usar só o primeiro dígito na Lei de Benford é inadequado para sustentar conclusão de fraude e remete a esclarecimento anterior sobre o tema. Esta checagem não reproduziu o cálculo do relatório; o veredito se apoia nos números oficiais e na análise do tribunal.
O que as fontes dizem
O Fato ou Boato, da Justiça Eleitoral, descreve um relatório de quatro páginas, sem autoria, que se apresenta como pericial e independente. O documento atribui o resultado presidencial às seções encerradas depois das 17h, questiona habilitações sem biometria, cita a Lei de Benford e fala em indisponibilidade de boletins por 72 horas. Para o tribunal, os trechos apresentados não comprovam a conclusão de fraude.
O levantamento do TSE registra 34.393 votos depois das 17h. O Fato ou Boato compara esse número com os 1,8 milhão citados no relatório e com a vantagem de 4.430.191 votos do candidato vencedor.
Horário do voto, fechamento da urna e totalização
Segundo o TSE, são três momentos distintos: quando o eleitor vota, quando a urna é encerrada e quando o resultado entra no painel. Depois da decisão que estendeu a votação, o tribunal suspendeu o recebimento de boletins, a totalização e a divulgação, e os retomou depois das 19h. Na retomada, os boletins processados traziam os resultados completos das seções, inclusive votos dados antes das 17h.
Por isso, votos que entraram no painel depois das 19h não são necessariamente votos dados depois das 17h. O tribunal observa, no painel de evolução da totalização, que o candidato vencedor liderava entre 17h10 e 19h, houve uma virada às 19h45 e ele retomou a liderança às 20h25. A checagem sobre os votos depois das 17h e o Aos Fatos mostram que mesmo o cenário extremo não alteraria o resultado.
Biometria, sigilo e Benford
O relatório chama de “votos manuais” os casos em que o eleitor não foi liberado pela digital. O TSE responde que a forma de identificação não altera o registro da escolha na urna e que, quando a digital não é reconhecida, há procedimento alternativo, com documento com foto, confirmação do ano de nascimento, assinatura no caderno de votação e identificação do mesário. O tribunal afirma ainda que não é possível saber em quem votaram os eleitores que compareceram depois das 17h, porque o voto é registrado sem ligação com a identidade.
Sobre a Lei de Benford, o TSE diz que há consenso de que aplicá-la apenas ao primeiro dígito é inapropriado para apontar fraude. Sobre as seções com votos para um só candidato, informa que 106 tiveram votos exclusivos para o candidato vencedor no 2º turno e quatro para o adversário, e que algo parecido ocorreu em 2022.
Por que o veredito é Falso
O fato de que houve votos depois das 17h é verdadeiro e está nos números oficiais. A alegação central, de que 1,8 milhão de votos nesse período decidiram a eleição, é contrariada pelo levantamento do TSE, e a explicação sobre os horários do painel é desmentida pelo registro da suspensão e da retomada da totalização. Esta checagem não atribui o documento a ninguém, pois o próprio TSE o trata como sem autoria.
O resultado oficial está no painel de Eleições 2026. Veja também a checagem sobre a pausa na divulgação do 1º turno e as demais checagens do 2º turno.
Checado em 4 fontes
Todos os links foram abertos e conferidos antes da publicação. Ordem: fontes primárias primeiro, depois agências de checagem, imprensa e referências.
Fonte primáriaJustiça Eleitoral (Fato ou Boato)
Relatório apócrifo distorce dados para sugerir fraude nas Eleições 2026 (abre em nova aba)Descreve o relatório e rebate cada ponto: votos depois das 17h, suspensão da totalização, habilitação sem biometria, sigilo do voto, Lei de Benford, suposto apagão e seções com voto único. Publicada em 28/10/2026, às 21h49, e atualizada em 29/10/2026, às 13h01.
Fonte primáriaTribunal Superior Eleitoral
Eleições 2026: cerca de 34 mil votos foram registrados após as 17h no 2º turno (abre em nova aba)Traz o levantamento oficial: 34.393 votos depois das 17h, em 497.333 seções com encerramento registrado depois desse horário, e informa que o recebimento de boletins, a totalização e a divulgação foram suspensos e retomados depois das 19h.
Fonte primáriaTribunal Superior Eleitoral
Esclarecimento sobre prorrogação da votação (abre em nova aba)Nota do TSE de 25/10/2026: a eleição seguia apenas onde a votação não havia sido encerrada às 17h, e o recebimento dos boletins, a totalização e a divulgação seriam retomados depois das 19h.
Agência de checagemAos Fatos
Votos registrados após as 17h não mudam resultado das eleições (abre em nova aba)Mostra que os 34.393 votos equivalem a cerca de 0,8% da vantagem de Lula e que, mesmo nos cenários extremos, mais de 98% dela permaneceria. Publicada em 27/10/2026.
Linha do tempo
Zanin estende a votação até as 19h nas seções ainda abertas. O TSE informa que retomará o recebimento de boletins, a totalização e a divulgação depois das 19h.
O Aos Fatos publica a conta dos 34.393 votos depois das 17h contra a vantagem de Lula.
O relatório sem autoria, datado desse dia, circula no X e em outras redes. À noite, o TSE publica o esclarecimento no Fato ou Boato.
O TSE atualiza o esclarecimento, às 13h01.
Checagem publicada em 29 de outubro de 2026. Se você tiver uma fonte que mude este veredito, escreva para contato@politicadiaria.com.br. Aplicamos a mesma régua a qualquer campo político.
Quem escreveu
Equipe Política Diária
Redação da Política Diária
A equipe da Política Diária escreve para quem quer entender a política brasileira e internacional sem torcida. Cada texto parte de fontes primárias (Diário Oficial, Câmara, Senado, STF, TSE, organismos internacionais e veículos de imprensa identificados) e é escrito em português claro, separando fato de opinião.