Política Diária

Digite para buscar em todos os artigos e notícias.

Política Diária
Notícia

Vendas de produtos com tarifa menor na UE sobem 21% com acordo, diz MDIC

Dados do MDIC mostram alta de 21% nas vendas de produtos beneficiados por cortes de tarifa no mercado europeu de maio a setembro, os cinco primeiros meses do acordo.

Foto de Equipe Política DiáriaEquipe Política Diáriavia Política Diária
Vendas de produtos com tarifa menor na UE sobem 21% com acordo, diz MDIC
Foto: Lars Plougmann from United States (CC BY-SA 2.0) / Wikimedia Commons

As vendas brasileiras de produtos beneficiados por redução ou eliminação de tarifas de importação no mercado europeu cresceram 21% entre maio e setembro de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025. Os números são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), divulgados na quinta-feira (29) e relatados pela Agência Brasil neste sábado (31).

O recorte corresponde aos cinco primeiros meses de aplicação provisória do acordo entre o Mercosul e a União Europeia, em vigor desde 1º de maio de 2026. Segundo a Agência Brasil, os instrumentos do acordo foram assinados em janeiro deste ano, depois de negociações que começaram em 1999 e se estenderam por mais de duas décadas. O bloco reúne cerca de 720 milhões de pessoas e tem PIB combinado superior a US$ 22 trilhões, de acordo com a mesma reportagem.

Quais produtos mais cresceram

A reportagem lista os itens com as maiores altas entre maio e setembro de 2026, sempre em relação ao mesmo período do ano anterior:

  • abacates frescos: 421%;
  • mel: 367%;
  • óleo de milho: 266%;
  • ferrossilício-manganês: 173%;
  • alumínio em bruto: 107%;
  • óleos combustíveis: 102%;
  • etanol: 95,2%;
  • óleo essencial de laranja: 75,8%;
  • maçãs frescas: 29%.

Houve ainda um caso de produto novo na pauta: as exportações de transformadores elétricos, que não tinham registrado vendas no mesmo período de 2025, somaram US$ 39 milhões em 2026. Percentuais muito altos, como os de abacate e mel, costumam partir de bases pequenas; a reportagem não informa o valor em dólares de cada item, e por isso o tamanho absoluto dessas vendas não pode ser avaliado a partir dela.

O que exatamente o número mede

O dado de 21% não é a variação de todas as exportações do Brasil para a União Europeia. Ele se refere apenas aos produtos beneficiados por redução ou eliminação de tarifas, conforme o texto da Agência Brasil. A distinção importa porque outros levantamentos usam recortes diferentes e chegam a números diferentes.

Em 13 de outubro, o site Mercado&Consumo, citando informações da Agência Brasil, noticiou alta de 30,7% nas exportações brasileiras para a União Europeia entre maio e setembro, e acumulado de US$ 44,17 bilhões de janeiro a setembro, com alta de 20% no ano. Ou seja, são medidas distintas: o universo total de vendas ao bloco europeu, de um lado, e o conjunto de produtos com tarifa reduzida, de outro. O site não detalha a metodologia dos cálculos, e as duas séries não devem ser somadas nem comparadas como se fossem a mesma.

Nenhuma das reportagens consultadas afirma que a alta se deve exclusivamente ao acordo. O texto da Agência Brasil associa o crescimento ao período de aplicação provisória, mas fatores como preço das commodities, câmbio e safra também influenciam os embarques, e esses efeitos não são separados nos dados divulgados.

O que diz a página oficial do acordo

O portal Siscomex, do governo federal, informa que o Acordo Provisório de Comércio passou a valer em 1º de maio de 2026 e que o decreto de promulgação, de número 12.953, é de 28 de abril de 2026. A entrada em vigor definitiva ainda depende da aprovação do Parlamento Europeu. O chamado Acordo de Parceria exige, além disso, ratificação pelos parlamentos nacionais dos Estados-Membros da UE e dos países do Mercosul.

Sobre as preferências tarifárias, a página afirma que a oferta da União Europeia ao Mercosul cobre cerca de 95% dos códigos tarifários exportados pelo Brasil, o equivalente a 92% do valor. Na agropecuária, a UE liberalizará 77% das linhas tarifárias do setor, e há cotas para carne bovina (99 mil toneladas), carne de aves (180 mil), carne suína (25 mil) e açúcar (180 mil). Produtos agrícolas com cotas ou reduções parciais representam cerca de 3% dos códigos e 5% do valor.

Do lado brasileiro, a oferta do Mercosul à UE cobre cerca de 91% dos códigos tarifários e 85% do valor das importações brasileiras vindas da Europa. As exclusões somam cerca de 9% dos códigos e 8% do valor. A página reúne ainda tabelas de preferências, manuais de regras de origem e de desgravação tarifária e o Painel do Comércio Brasil-UE, que permitem a cada exportador conferir a tarifa aplicável ao seu produto.

Por que isso importa

Para o leitor, o dado ajuda a medir, em números oficiais, o primeiro efeito prático de um acordo discutido por mais de 25 anos. Para exportadores de itens como etanol, alumínio, mel e frutas, a redução de tarifas altera o preço final no mercado europeu e pode mudar a decisão de quanto produzir e para onde vender.

O tema também tem peso político. Depois da eleição presidencial, a política comercial é um dos assuntos que o governo reeleito terá de conduzir no Congresso e na diplomacia. O presidente tem agenda internacional prevista para novembro e dezembro, com cúpula do Mercosul em Montevidéu, conforme a cobertura sobre as viagens que Lula deve retomar. A situação eleitoral está no painel de Eleições 2026.

O que acompanhar a partir de agora

O primeiro ponto é a continuidade da série: os dados de outubro em diante dirão se o ritmo de 21% se mantém ou se os ganhos iniciais, concentrados em poucos produtos, se acomodam. O segundo é a tramitação no lado europeu, já que a vigência definitiva depende do Parlamento Europeu, segundo o Siscomex. O terceiro é o uso das cotas de carnes e açúcar, que limita quanto cada setor pode vender com tarifa menor.

Outro ponto é a relação com o comércio com os Estados Unidos. O governo criou em 2025 o Plano Brasil Soberano para apoiar empresas atingidas pelo tarifaço americano, e a MP 1.397 abriu em outubro novo crédito de R$ 6,49 bilhões para exportadores desse programa. A abertura de mercados na Europa e o apoio a quem exporta aos EUA aparecem juntos na discussão sobre como o país reduz a dependência de um único comprador. O Senado também discutiu o tema das tarifas americanas em audiência sobre terras raras, tratada na notícia sobre o tarifaço e as terras raras. Para outras notícias do dia, veja a página de notícias.

Como ler o número

Os 21% se referem às vendas de produtos com tarifa reduzida ou eliminada no mercado europeu entre maio e setembro de 2026, contra o mesmo período de 2025. Não é a alta de todas as exportações brasileiras e não prova, sozinho, que o acordo foi a causa do aumento.

Fonte original

Agência Brasil

agenciabrasil.ebc.com.br

Ler na fonte original

Perguntas frequentes

Segundo a Agência Brasil, o MDIC informou que as vendas de produtos beneficiados por redução ou eliminação de tarifas no mercado europeu cresceram 21% entre maio e setembro de 2026, em relação ao mesmo período de 2025, nos cinco primeiros meses de aplicação provisória do acordo.
Foto de Equipe Política Diária

Quem escreveu

Equipe Política Diária

Redação da Política Diária

A equipe da Política Diária escreve para quem quer entender a política brasileira e internacional sem torcida. Cada texto parte de fontes primárias (Diário Oficial, Câmara, Senado, STF, TSE, organismos internacionais e veículos de imprensa identificados) e é escrito em português claro, separando fato de opinião.

Últimas

Mais notícias

Todas as notícias →