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Desemprego cai a 5,2%, menor taxa para um 3º trimestre desde 2012

IBGE: desocupação no trimestre até setembro foi de 5,2%, ante 5,4% no anterior e 5,6% um ano antes; os ocupados somam 103,6 milhões, recorde da série iniciada em 2012.

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A taxa de desocupação no Brasil ficou em 5,2% no trimestre encerrado em setembro, a menor já registrada para um terceiro trimestre desde 2012, quando começa a série da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua. Os números foram divulgados nesta sexta-feira (30) pelo IBGE. No trimestre de abril a junho, a taxa era de 5,4%; um ano antes, no período de julho a setembro de 2025, estava em 5,6%.

Segundo o instituto, a população ocupada chegou a 103,6 milhões de pessoas, a maior da série histórica, com alta de 0,6% no trimestre (mais 581 mil pessoas) e de 1,2% em 12 meses (mais 1,2 milhão). A população desocupada somou 5,6 milhões, queda de 4,0% frente ao trimestre anterior (menos 234 mil pessoas) e de 6,9% na comparação anual (menos 417 mil).

O que mostra a pesquisa do IBGE

O nível da ocupação, que mede a parcela das pessoas em idade de trabalhar que está empregada, também foi recorde: 59,0%, contra 58,8% no trimestre anterior e 58,7% um ano antes. A taxa composta de subutilização, que soma desocupados, subocupados por insuficiência de horas e a força de trabalho potencial, ficou em 13,0%, estável frente aos 12,9% do trimestre anterior e 0,9 ponto percentual abaixo dos 13,9% de um ano antes. A população subutilizada é de 14,8 milhões de pessoas.

Por posição na ocupação, o IBGE registra recorde de empregadores, que chegaram a 4,5 milhões (alta de 4,3% no trimestre e de 6,4% no ano), e de empregados no setor público, que somam 13,2 milhões, com estabilidade no trimestre e alta de 2,5% em 12 meses (mais 317 mil pessoas). Os empregados do setor privado com carteira assinada, exclusive trabalhadores domésticos, são 39,4 milhões, número estável no trimestre e no ano. Os sem carteira (13,7 milhões), os conta própria (26,1 milhões) e os domésticos (5,4 milhões) também ficaram estáveis.

Entre as atividades, a ocupação cresceu no trimestre apenas na Construção, com alta de 2,8% (mais 210 mil pessoas). Na comparação com o mesmo período de 2025, houve aumento em Transporte, armazenagem e correio (6,9%, ou mais 411 mil pessoas) e no grupo que reúne administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (2,1%, ou mais 400 mil). Os demais grupamentos não tiveram variação significativa.

Renda e informalidade

O rendimento real habitual de todos os trabalhos foi de R$ 3.790, estável no trimestre (era R$ 3.753 em abril a junho) e 3,6% maior que um ano antes, quando estava em R$ 3.660, uma alta de R$ 131. A massa de rendimento real habitual, que é a soma de tudo o que os trabalhadores recebem, chegou a R$ 387,5 bilhões, a maior da série, com alta de 1,5% no trimestre (mais R$ 5,6 bilhões) e de 4,7% no ano (mais R$ 17,5 bilhões).

A taxa de informalidade foi de 37,5% da população ocupada, o equivalente a 38,8 milhões de trabalhadores informais. No trimestre anterior eram 37,4% (38,6 milhões) e, um ano antes, 37,8% (38,7 milhões). A população desalentada, formada por quem desistiu de procurar trabalho, é de 2,5 milhões de pessoas: subiu 7,5% no trimestre (mais 171 mil), mas caiu 6,8% em um ano (menos 178 mil). O percentual de desalentados é de 2,2%.

Ao comentar o desalento, o analista da pesquisa, William Kratochwill, atribuiu a queda anual à melhora das contratações nos últimos trimestres e disse que o aumento frente a junho aparece sobretudo entre pessoas com 40 anos ou mais, o que indica dificuldade em encontrar um trabalho que consideram adequado. As declarações constam da reportagem do IBGE sobre a divulgação.

Contexto: o que vinha antes

O dado de setembro dá continuidade a uma trajetória de queda. O próprio IBGE havia divulgado, para o trimestre encerrado em agosto, uma taxa de 5,3%, também a menor para o período desde 2012. A leitura de hoje, portanto, baixa mais um décimo de ponto percentual. A série da PNAD Contínua é calculada em trimestres móveis, o que significa que cada divulgação mensal reaproveita dois dos três meses da anterior, e por isso as variações costumam ser graduais.

A pesquisa tem amostra de 211 mil domicílios nos 26 estados e no Distrito Federal, visitados a cada trimestre, e é considerada pelo instituto o principal instrumento para monitorar a força de trabalho do país. A próxima divulgação, referente ao trimestre encerrado em outubro, está marcada para 27 de novembro.

O número chega num momento de transição política. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi declarado eleito no segundo turno, como mostra a cobertura do resultado oficial do TSE, e toma posse em 5 de janeiro de 2027. Os dados completos da apuração, das pesquisas e do calendário seguem no painel Eleições 2026.

Por que isso importa

O mercado de trabalho é uma das variáveis que mais pesam na avaliação de qualquer governo e na arrecadação. Mais gente ocupada e com renda maior tende a elevar o consumo e a receita de tributos sobre folha e sobre vendas, o que ajuda o governo a cumprir metas fiscais. É um efeito de tendência, não uma garantia: depende do crescimento da economia, dos juros e do comportamento dos preços.

Esse último ponto aparece nos números recentes. A prévia da inflação de outubro, o IPCA-15, ficou em 0,32% no mês, mas com 4,62% em 12 meses, acima do teto de 4,5% da meta, e o boletim Focus projetava Selic de 13,25% no fim do ano. Emprego e renda em alta são variáveis que o Banco Central acompanha ao avaliar a inflação de serviços, mas o IBGE não faz essa ligação e a autoridade monetária não se manifestou sobre o dado até a publicação desta notícia.

Também importa o lado das contas públicas. O número de empregados no setor público (13,2 milhões) é recorde, e o relatório da Instituição Fiscal Independente do Senado, que estimou R$ 40 bilhões em medidas sem previsão no Orçamento, pede um plano fiscal de quatro anos. O próximo governo herda, portanto, um mercado de trabalho forte e um quadro fiscal que exige escolhas.

Há ainda a mudança na jornada. O Congresso promulgou a Emenda 141, que encerra a escala 6x1, com a nova escala passando a valer em 15 de dezembro, e o governo discute crédito para empresas na transição. O IBGE ainda não mede esse efeito, e o analista da pesquisa afirmou que as estabilidades observadas em várias categorias podem indicar que o mercado de trabalho aguardava as possíveis mudanças do pleito eleitoral, de modo que o rumo será mais bem percebido nas próximas divulgações.

O que observar a seguir

Três pontos merecem atenção. O primeiro é a divulgação de 27 de novembro, a primeira que incluirá todo o período pós-eleição no trimestre móvel. O segundo é o emprego com carteira assinada no setor privado, que ficou estável no trimestre e no ano (39,4 milhões) e será o teste de força do mercado formal. O terceiro é o ritmo da renda, já que o rendimento médio ficou estável no trimestre e só cresceu na comparação anual.

A queda do desemprego não significa que todos os indicadores melhoraram: os subocupados por insuficiência de horas aumentaram 5,2% no trimestre (mais 214 mil pessoas) e os desalentados também subiram frente a junho. O balanço completo, com séries históricas e tabelas por estado, está nas publicações da PNAD Contínua no site do IBGE.

Fonte original

IBGE

agenciadenoticias.ibge.gov.br

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Perguntas frequentes

Segundo a PNAD Contínua do IBGE, divulgada em 30 de outubro, a taxa de desocupação foi de 5,2% no trimestre de julho a setembro. Era de 5,4% no trimestre anterior e de 5,6% um ano antes. É a menor taxa para um terceiro trimestre desde 2012, início da série da pesquisa.
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Equipe Política Diária

Redação da Política Diária

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