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Lincoln, de Doris Kearns Goodwin: resenha e nota

Análise editorial de Lincoln, de Doris Kearns Goodwin: o time de rivais no gabinete, a Guerra Civil, as críticas feitas à obra, a edição da Record e a nota.

Análise editorial da obra, da ficha da edição e de fontes públicas

Foto de Equipe Política DiáriaEquipe Política DiáriaPublicado em 8 min de leitura
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Capa do livro Lincoln, de Doris Kearns Goodwin, edição Record 2013

Resumo em 30 segundos

  • 01Lincoln, de Doris Kearns Goodwin, é a edição brasileira da Record do livro Team of Rivals, de 2005, e conta como Abraham Lincoln venceu a nomeação republicana de 1860 e levou os rivais para o governo.
  • 02A obra ganhou o Prêmio Lincoln de 2006 e inspirou o filme de Steven Spielberg, mas recebeu ressalvas por se afastar às vezes do foco nos rivais e pela polêmica de citações sem aspas em outro livro da autora.
  • 03A nota 8,6 premia a clareza, o rigor de fontes e a leitura, e desconta a escolha de um recorte pessoal e a dúvida sobre a extensão da edição brasileira, que a ficha lista com 322 páginas.
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Neste artigo

Abraham Lincoln chegou à Presidência dos Estados Unidos em 1861 sem ter governado estado nem comandado exército, e escolheu para o ministério os três políticos que tinham disputado com ele a nomeação do Partido Republicano. É dessa decisão que a historiadora Doris Kearns Goodwin extrai o centro de seu livro. Esta é uma análise editorial da edição brasileira, feita a partir da ficha da obra, da descrição da editora e de verbetes de referência citados no texto.

Veredito da redação

É uma das biografias políticas mais acessíveis sobre um estadista que enfrentou a maior crise de seu país. O livro se lê como narrativa, mas mantém o apoio em documentos, e a ideia de governar com adversários dá ao leitor uma chave concreta para pensar em liderança, tema que o noticiário brasileiro revisita a cada formação de ministério.

A nota final é 8,6 em 10. A pontuação avalia a qualidade da obra (clareza, profundidade, rigor, atualidade e leitura), e não concordância com qualquer visão política. As críticas feitas ao livro estão listadas adiante.

De que trata e qual é a tese central

Segundo a Wikipedia, o original, Team of Rivals: The Political Genius of Abraham Lincoln, foi publicado pela Simon & Schuster em 25 de outubro de 2005 e é o sexto livro da autora, que levou dez anos para pesquisá-lo e escrevê-lo. O foco está em Lincoln e nos três rivais que ele levou para o governo: William H. Seward, Salmon P. Chase e Edward Bates, que ocuparam, respectivamente, as pastas de Estado, do Tesouro e da Justiça.

A descrição da editora Record resume a tese: Lincoln venceu porque tinha uma força de caráter forjada por experiência e a capacidade de se pôr no lugar de outros homens, entender motivações e desejos. O livro mostra como essa habilidade permitiu converter concorrentes em colaboradores, num momento em que o conflito sobre a escravidão evoluía para a secessão e a guerra civil.

A estrutura do original é em duas partes. A primeira, "Os rivais", acompanha a ascensão de cada candidato e a nomeação de Lincoln, até a posse em 1861. A segunda, "Senhor entre os homens", cobre a Presidência na guerra e termina com o assassinato, em 14 de abril de 1865, seguido de um epílogo sobre o destino dos personagens principais.

Sobre a autora

Doris Kearns Goodwin é historiadora americana. De acordo com a Wikipedia, ganhou o Prêmio Pulitzer de História em 1995 por No Ordinary Time, estudo sobre a Casa Branca de Franklin Roosevelt. A mesma fonte registra que, durante a escrita do livro sobre Lincoln, ela enfrentou uma controvérsia por citações sem aspas em The Fitzgeralds and the Kennedys, de 1987, pediu desculpas e fez um acordo extrajudicial com a autora Lynne McTaggart. O episódio não envolve o livro resenhado, mas é parte do contexto que o leitor crítico deve conhecer.

O que o livro faz bem

Liderança como método, não como slogan. O livro não trata Lincoln como figura de bronze. Mostra um político que fez concessões, ouviu adversários e distribuiu cargos com cálculo. A descrição da editora diz que o crescimento do gênio político de Lincoln é revelado pela abundância de documentos deixados pelos concorrentes: diários, declarações a terceiros e cartas trocadas com familiares, amigos e contemporâneos. Para o leitor interessado em coalizões, o tema conversa com Liderança, de Henry Kissinger, que analisa seis estadistas.

Cinco vidas em paralelo. Ao seguir Lincoln, Seward, Chase e Bates antes da guerra, o livro oferece um retrato do sistema partidário americano nos anos 1850 e da forma como a escravidão dividiu os partidos. A seção de abertura funciona como uma introdução à política dos Estados Unidos no século XIX.

Reconhecimento de pares. A Wikipedia registra que o historiador James McPherson elogiou o livro por ser acessível tanto a especialistas quanto a leitores comuns e disse que a autora trata da construção de coalizões por Lincoln melhor que qualquer outro escritor. Allen Guelzo o descreveu como uma história de personalidades, e não de burocracia. O livro venceu o Prêmio Lincoln de 2006 e o primeiro Prêmio de História Americana da Sociedade Histórica de Nova York, de 50 mil dólares.

Leitura fluida. A prosa é narrativa, com cenas e diálogos apoiados em cartas e diários. Quem acha biografia política árida pode começar por aqui. O leitor brasileiro que gostou de Getúlio, de Lira Neto, ou de Churchill, de Andrew Roberts, encontra uma estrutura parecida.

Limites e críticas feitas à obra

A primeira ressalva é de foco. Sanford Horwitt, citado na Wikipedia, elogiou o relato da Presidência de guerra, mas observou que a autora às vezes se afasta do tema declarado, Lincoln e seus rivais de 1860. Para quem busca uma história militar da Guerra Civil, o livro é incompleto, e a própria autora não tem essa pretensão.

A segunda ressalva é de recorte. Um livro centrado em personalidades privilegia caráter, amizades e rivalidades, e dá menos espaço a processos econômicos, institucionais e sociais. Quem prefere a história estrutural encontra o tema em obras como Por que as Nações Fracassam, que usa outra lente.

A terceira ressalva, ligada à adaptação, vem da Wikipedia: críticos notaram que o filme de Spielberg, centrado na aprovação da 13ª Emenda, aproveitou apenas algumas páginas do livro. Quem espera encontrar no livro o que viu no cinema vai se surpreender com o tamanho do material.

A quarta é a da edição. A Wikipedia dá 944 páginas ao original, e a ficha da Record e da Amazon lista 322 para esta edição brasileira, que a editora apresenta como o livro que inspirou o filme. A página da editora não diz se o texto é completo ou condensado, e a Amazon não traz a informação na descrição. O leitor que quer a obra integral deve conferir essa diferença com a livraria. A nota desta resenha julga a obra e a ficha como estão publicadas.

A quem serve e a quem não serve

Serve a estudantes de história e ciência política, a jornalistas e a servidores que querem entender negociação entre adversários, e a quem acompanha a formação de governos e coalizões, tema recorrente em notícias como a que trata do ministério e do Centrão, sem que a comparação com os Estados Unidos do século XIX deva ser tomada como equivalência. Interessa também ao leitor da seção de História que gosta de ver a política por dentro.

Não serve a quem procura um tratado sobre a Guerra Civil, um estudo jurídico da Constituição americana ou uma avaliação final do legado de Lincoln. Para pensar a democracia representativa que a guerra testou, vale ler O Federalista e A Democracia na América.

Como ler o livro com espírito crítico

Uma biografia dessa dimensão pede cuidado com a distância entre narrar e explicar. A autora escolhe cenas, cartas e diálogos para dar vida aos personagens, e cada escolha deixa outras de fora. O leitor atento pode perguntar, a cada capítulo, o que aquela cena prova e o que ela apenas ilustra, e comparar o relato com outras obras sobre o período, inclusive as que discordam da ênfase em caráter e em relações pessoais.

Também vale separar o que o livro afirma do que o público projeta sobre ele. A Wikipedia registra que, depois de 2008, a expressão "time de rivais" passou a ser usada em comparações com a formação do governo de Barack Obama, quando ele nomeou Hillary Clinton secretária de Estado. O debate público tende a aplicar a ideia a qualquer ministério de coalizão. Essas analogias são interpretações de quem as faz, e não conclusões da obra, que trata de um país, de uma guerra e de uma época específicos.

Edição indicada e preço

A edição consultada é a da Record, 16ª edição, de 15 de janeiro de 2013, tradução de Waldéa Barcellos, em português, com 322 páginas, ISBN-10 8501401358 e ISBN-13 978-8501401359, conforme a ficha na Amazon Brasil, aberta e conferida em 02/11/2026. O preço de capa listado é R$ 84,90, e a oferta na consulta era de R$ 67,92. A página da própria Record indicava a obra como esgotada, de modo que a disponibilidade varia. A compra pelo link gera comissão para o site, sem custo extra ao leitor.

Livros para ler depois

Para outras biografias de estadistas, há Reagan e Thatcher, de Richard Aldous, e D. Pedro II, de José Murilo de Carvalho. Todas as análises estão na lista de resenhas.

Nota final e critérios

A nota é a média simples de cinco critérios, aplicados com a mesma régua a livros de todos os campos. Clareza, 9,0: a narrativa organiza bem muitos personagens. Profundidade, 8,5: bom retrato de pessoas e de coalizões, menos de estruturas.

Rigor e fontes, 8,5: ancorado em diários e cartas, segundo a editora, com ressalvas de foco apontadas por resenhistas. Atualidade, 8,0: o tema de governar com adversários segue em debate, mas o livro é de 2005. Leitura, 9,0: envolvente e de ritmo bom. A média é 8,6.

Veredito final

Capa do livro Lincoln, de Doris Kearns Goodwin, edição Record 2013

Vale muito a leitura

Nota 8,6 de 10

Para quem é: Quem quer entender como Lincoln construiu uma coalizão de adversários para governar numa guerra civil e procura uma biografia política de leitura envolvente.

Principal ressalva: O recorte de personalidades privilegia caráter e relações pessoais, e deixa em segundo plano a história administrativa e institucional do período.

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Análise detalhada

Capa do livro Lincoln, de Doris Kearns Goodwin, edição Record 2013

Lincoln

Doris Kearns Goodwin

Autor
Doris Kearns Goodwin
Editora
Record
Ano da edição
2013
Páginas
322
ISBN-10 (ASIN)
8501401358

8.6/10

Clareza · peso 20%
9.0
Profundidade · peso 20%
8.5
Rigor e fontes · peso 20%
8.5
Atualidade · peso 20%
8.0
Leitura · peso 20%
9.0

Prós

  • Estudo de liderança política bem documentado, com diários, declarações e cartas de Lincoln e de seus rivais, segundo a descrição da própria editora
  • Premiado: segundo a Wikipedia, o original venceu o Prêmio Lincoln de 2006 e o primeiro Prêmio de História Americana da Sociedade Histórica de Nova York
  • Narrativa acessível a leigos e a especialistas, elogiada por historiadores como James McPherson pelo tratamento da formação de coalizões

Contras

  • O recorte de personalidades privilegia caráter e relações pessoais, e deixa em segundo plano a história administrativa e institucional do período
  • Um resenhista citado pela Wikipedia, Sanford Horwitt, apontou que a autora às vezes se afasta do foco declarado em Lincoln e em seus rivais de 1860
  • A ficha da edição da Record lista 322 páginas, enquanto o original tem 944, e o leitor deve conferir se a edição brasileira é completa antes de comprar
Ideal para
Quem quer entender como Lincoln construiu uma coalizão de adversários para governar numa guerra civil e procura uma biografia política de leitura envolvente.
Preço
R$ 67,92 na consulta de 02/11/2026 (preço de capa R$ 84,90); o valor varia conforme a oferta, confira na Amazon antes de comprar
Ver Lincoln na Amazon

Resenha editorial baseada na obra, na ficha da edição e em fontes públicasPode conter links de afiliado

Método

Como avaliamos

A nota final é a média simples de cinco critérios, todos com o mesmo peso (20% cada), aplicada com a mesma régua a livros de todos os campos. A nota julga a qualidade da obra, nunca a posição política do autor. Veja a política editorial.

  • Clareza · peso 20%

    O texto se faz entender sem exigir leitura prévia do tema?

    9,0
  • Profundidade · peso 20%

    O livro vai além do óbvio e sustenta a tese com argumento?

    8,5
  • Rigor e fontes · peso 20%

    As afirmações têm base em documentos, dados e notas verificáveis?

    8,5
  • Atualidade · peso 20%

    O conteúdo continua útil para entender o debate de hoje?

    8,0
  • Leitura · peso 20%

    O ritmo, a edição e a tradução ajudam a chegar ao fim?

    9,0
  • Nota final (média)8,6 / 10
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Quem escreveu

Equipe Política Diária

Redação da Política Diária

A equipe da Política Diária escreve para quem quer entender a política brasileira e internacional sem torcida. Cada texto parte de fontes primárias (Diário Oficial, Câmara, Senado, STF, TSE, organismos internacionais e veículos de imprensa identificados) e é escrito em português claro, separando fato de opinião.

Perguntas frequentes

Vale para quem quer uma biografia política narrativa e bem documentada, centrada em como Lincoln governou com adversários. As ressalvas são o recorte em personalidades, o afastamento ocasional do tema central e a necessidade de conferir se a edição brasileira é completa.

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