Eleição de 2014: resultado, candidatos e propostas de Dilma e Aécio
Como foi a eleição de 2014: a morte de Eduardo Campos, Marina na disputa, propostas de Dilma e Aécio, resultado oficial dos dois turnos e o que veio depois.

O essencial
- Dilma Rousseff (PT) foi reeleita em 26 de outubro de 2014 com 54.501.118 votos (51,64% dos votos válidos), contra 51.041.155 de Aécio Neves (PSDB), 48,36%: diferença de 3.459.963 votos.
- A campanha mudou em 13 de agosto, quando Eduardo Campos (PSB) morreu num acidente aéreo e Marina Silva assumiu a candidatura do partido; no primeiro turno ela ficou em terceiro, com 21,32%.
- A chapa vencedora foi alvo de ação do PSDB no TSE, que a manteve em 2017 por 4 votos a 3, e Dilma perdeu o mandato por impeachment em 2016.
A eleição presidencial de 2014 terminou em 26 de outubro com a reeleição de Dilma Rousseff (PT) por uma margem de 3,4 milhões de votos sobre Aécio Neves (PSDB). Segundo os arquivos de votação divulgados pelo TSE em seu portal de dados abertos, Dilma teve 54.501.118 votos (51,64% dos votos válidos) e Aécio, 51.041.155 (48,36%). A Agência Brasil a descreveu, na avaliação de especialistas, como a disputa mais acirrada desde a primeira eleição direta, em 1989.
Este texto reúne o contexto, os candidatos, as propostas, o resultado oficial dos dois turnos e os fatos datados que vieram depois. Os votos foram somados por nós a partir dos arquivos oficiais do TSE e conferidos com a cobertura da imprensa. O painel de resultados e o portal de candidaturas do TSE não abriram para a leitura automática; por isso a fonte primária usada é o conjunto de dados abertos do tribunal.
O contexto da eleição de 2014
Dilma Rousseff, ministra de Lula e primeira mulher eleita presidente, buscava a reeleição. A Agência Brasil descreveu o primeiro mandato como um governo que manteve e ampliou programas sociais, com redução da pobreza, da fome e da desigualdade, e que também enfrentou episódios de corrupção, queda no ritmo de crescimento e avanço da inflação. Era a sexta eleição consecutiva em que PT e PSDB polarizavam a disputa presidencial.
A campanha teve 11 candidatos. Em 13 de agosto, quando estava em terceiro lugar nas pesquisas, o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB) morreu na queda de um jato em Santos (SP), junto com seis pessoas. Sua vice, Marina Silva, foi oficializada candidata em 20 de agosto, com o deputado Beto Albuquerque (PSB-RS) de vice. Segundo a Agência Brasil, ela assumiu mesmo sem o apoio unânime do partido, e as primeiras pesquisas depois da oficialização a mostraram na liderança. Ao longo da campanha, após ataques dos principais concorrentes, em especial do PT, perdeu apoio e foi ultrapassada por Aécio na reta final do primeiro turno.
Para a eleição seguinte, veja o texto sobre a eleição de 2018. A situação atual do país está no painel das Eleições 2026.
Os candidatos e as chapas
Dilma concorreu pela coligação de PT, PMDB, PDT, PCdoB, PR, PP, PRB, Pros e PSD, com o vice-presidente Michel Temer (PMDB). Aécio Neves, senador por Minas Gerais, foi o candidato do PSDB. Marina Silva disputou pelo PSB depois da morte de Campos; ela havia se filiado ao partido depois de não ter conseguido oficializar a Rede Sustentabilidade.
Os demais candidatos foram Luciana Genro (PSOL), Pastor Everaldo (PSC), Eduardo Jorge (PV), Levy Fidelix (PRTB), Zé Maria (PSTU), Eymael (PSDC), Mauro Iasi (PCB) e Rui Costa Pimenta (PCO).
Propostas de cada candidato
Os programas de governo ficam registrados no TSE, que não abriu para a leitura automática. As descrições seguem a Agência Brasil, que comparou em setembro de 2014 as propostas econômicas dos onze candidatos a partir dos programas entregues à Justiça Eleitoral.
Dilma Rousseff (PT)
O programa afirmava que o controle da inflação continuava como prioridade e prometia uma política macroeconômica sólida, aumento da taxa de investimento, ampliação do mercado interno e dos investimentos em infraestrutura, além da manutenção dos programas de inclusão social e de melhorias na educação. O texto citava que a inflação anual, que era de 12,5% em 2002, estava em 5,9% em 2013.
Aécio Neves (PSDB)
Prometia manter a inflação no centro da meta, cumprir os compromissos de superávit primário e de câmbio flutuante, e reduzir a meta de inflação de forma gradual a partir de 4,5% ao ano. Defendia a autonomia do Banco Central como estratégica, a segurança jurídica para atrair investimentos e o acompanhamento e a avaliação dos gastos públicos.
Marina Silva (PSB)
Propunha recuperar o tripé macroeconômico, com metas de inflação consideradas críveis, sem controle de preços, superávit fiscal, câmbio livre e independência do Banco Central o mais rápido possível. Prometia um Conselho de Responsabilidade Fiscal independente do governo e a correção dos preços administrados, que, segundo ela, tinham sido represados.
Outros candidatos
Luciana Genro (PSOL) propunha destinar recursos do pagamento da dívida a saúde, educação e transporte, controlar capitais e não conceder autonomia ao Banco Central. Pastor Everaldo (PSC) defendia abrir o mercado, desregulamentar o crédito e inflação próxima de zero. Eduardo Jorge (PV) prometia manter os princípios econômicos adotados desde o governo Itamar Franco e acrescentar metas socioambientais. Mauro Iasi (PCB) e Zé Maria (PSTU) defendiam a estatização do sistema financeiro. Levy Fidelix (PRTB) prometia eliminar impostos sobre pelo menos dez alimentos da cesta básica.
Resultado oficial do primeiro turno (5 de outubro)
A tabela mostra os votos nominais de cada candidato à Presidência, somados dos arquivos do TSE, e o percentual sobre os votos válidos.
| Candidato (partido) | Votos | % dos válidos |
|---|---|---|
| Dilma Rousseff (PT) | 43.267.668 | 41,59% |
| Aécio Neves (PSDB) | 34.897.211 | 33,55% |
| Marina Silva (PSB) | 22.176.619 | 21,32% |
| Luciana Genro (PSOL) | 1.612.186 | 1,55% |
| Pastor Everaldo (PSC) | 780.513 | 0,75% |
| Eduardo Jorge (PV) | 630.099 | 0,61% |
| Levy Fidelix (PRTB) | 446.878 | 0,43% |
| Zé Maria (PSTU) | 91.209 | 0,09% |
| Eymael (PSDC) | 61.250 | 0,06% |
| Mauro Iasi (PCB) | 47.845 | 0,05% |
| Rui Costa Pimenta (PCO) | 12.324 | 0,01% |
Dos 142.822.046 eleitores aptos, compareceram 115.122.883 (80,61%) e 27.698.475 se abstiveram (19,39%). Foram 4.420.489 votos em branco e 6.678.592 nulos. Percentuais de comparecimento e abstenção calculados a partir dos dados abertos do TSE.
Resultado oficial do segundo turno (26 de outubro)
| Candidato (partido) | Votos | % dos válidos |
|---|---|---|
| Dilma Rousseff (PT) | 54.501.118 | 51,64% |
| Aécio Neves (PSDB) | 51.041.155 | 48,36% |
Compareceram 112.683.879 eleitores (78,90%) e 30.137.479 se abstiveram (21,10%). Os votos em branco somaram 1.921.819 e os nulos, 5.219.787. A diferença entre os dois candidatos foi de 3.459.963 votos, ou 3,28 pontos percentuais dos votos válidos. Segundo a Agência Brasil, Dilma venceu em 15 estados e Aécio em 11, e ela foi a primeira mulher reeleita presidente do Brasil. Compare com as margens de 2018 e de 2022.
Fatos que costumam ficar de fora do resumo de cada lado
O quanto a campanha custou. Segundo a prestação de contas divulgada pelo TSE em 25 de novembro de 2014, os dois candidatos do segundo turno gastaram juntos R$ 570.050.970,85. Quatro anos depois, a eleição de 2018 foi a primeira sem financiamento de empresas.
A virada de Marina Silva. Marina chegou a liderar as primeiras pesquisas depois de oficializada. A Agência Brasil atribui a perda de apoio a dois fatores combinados: os ataques dos principais concorrentes, em especial do PT, e a dificuldade de manter a popularidade da largada. A votação do primeiro turno mostra o resultado: Aécio teve 33,55% e Marina, 21,32%.
A margem do segundo turno. A diferença de 3,28 pontos percentuais deixou os votos praticamente divididos ao meio, segundo a Agência Brasil. O PSDB questionou depois a chapa vencedora no TSE, como mostra a seção a seguir.
Boatos sobre apuração de qualquer eleição são tratados na seção de Checagem, com a mesma régua para todos os campos.
O que aconteceu depois
- 25 de novembro de 2014: o TSE divulgou a prestação de contas das campanhas do segundo turno, de R$ 570 milhões somados.
- Início de dezembro de 2015: o então presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), aceitou o pedido de impeachment de Dilma apresentado pelos advogados Miguel Reale Jr., Janaína Paschoal e Hélio Bicudo, segundo a Agência Brasil. As acusações envolviam decretos de crédito sem autorização do Legislativo e as chamadas pedaladas fiscais.
- 31 de agosto de 2016: o Senado aprovou o impeachment por 61 votos a 20, e Michel Temer assumiu definitivamente a Presidência. Dilma chamou o resultado de golpe parlamentar e de fraude; os autores do pedido e os senadores que votaram a favor sustentaram a existência de crime de responsabilidade. O termo varia conforme o campo, e ambos os usos são registrados aqui.
- 9 de junho de 2017: o TSE rejeitou, por 4 votos a 3, a cassação da chapa Dilma-Temer, em ação do PSDB sobre abuso de poder político e econômico. O voto de desempate foi do presidente do tribunal, ministro Gilmar Mendes. O relator, Herman Benjamin, votou pela cassação.
- 7 de outubro de 2018: a eleição seguinte foi a primeira sem doações de empresas; veja o texto sobre a eleição de 2018.
O texto separa o que está registrado em documento, as datas, os placares e as decisões, da interpretação política que cada campo dá a esses fatos. Para ler sobre como democracias lidam com crises de legitimidade, há a resenha de Como as Democracias Morrem. O método desta seção está na política editorial.
Fontes consultadas
Todos os links foram abertos e conferidos antes da publicação. Primeiro as fontes primárias, depois a imprensa identificada.
Fonte primária · TSE
Resultados das Eleições 2014 (dados abertos do TSE)Arquivos oficiais de votação por candidato e de comparecimento, de onde saem os votos e as abstenções.
Imprensa · Agência Brasil
Dilma Rousseff é reeleitaReeleição em 26 de outubro, coligação, vice e votos do 1º turno.
Imprensa · Agência Brasil
Morte de Eduardo Campos fez da corrida presidencial a mais acirrada desde 1989Balanço da campanha de 2014, diferença de votos e estados vencidos.
Imprensa · Agência Brasil
Eduardo Campos morre em acidente aéreoAcidente de 13 de agosto de 2014, em Santos (SP).
Imprensa · Agência Brasil
PSB oficializa chapa com Marina e Beto Albuquerque na disputa presidencialOficialização de 20 de agosto de 2014.
Imprensa · Agência Brasil
Veja as propostas dos candidatos à Presidência para a área econômicaPropostas econômicas dos 11 candidatos, a partir dos programas entregues à Justiça Eleitoral.
Imprensa · Agência Brasil
Campanhas de Aécio e Dilma juntas gastaram mais de R$ 570 milhõesPrestação de contas divulgada pelo TSE em 25 de novembro de 2014.
Imprensa · Agência Brasil
Senado aprova impeachment e Dilma é afastada definitivamente da PresidênciaVotação de 31 de agosto de 2016 (61 a 20), histórico e acusações do processo.
Imprensa · Agência Brasil
Maioria do TSE vota contra cassação da chapa Dilma-TemerJulgamento de 9 de junho de 2017, por 4 votos a 3.
Imprensa · Agência Brasil
Com impeachment, Dilma diz que sofreu segundo golpe de Estado na vidaPronunciamento de Dilma Rousseff em 31 de agosto de 2016.
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