Eleição de 2022: resultado, candidatos e propostas
Como foi a eleição presidencial de 2022: candidatos, propostas de Lula e Bolsonaro, resultado oficial dos dois turnos e o que aconteceu depois, com fontes.

O essencial
- Lula (PT) venceu o segundo turno, em 30 de outubro de 2022, com 60.345.999 votos (50,90% dos votos válidos), contra 58.206.354 de Jair Bolsonaro (PL), 49,10%: diferença de 2.139.645 votos.
- No primeiro turno, em 2 de outubro, onze candidatos receberam votos; Lula teve 48,43% e Bolsonaro 43,20%, e nenhum dos dois chegou a mais de 50% dos votos válidos.
- O PL elegeu a maior bancada da Câmara e do Senado na mesma eleição, e os desdobramentos judiciais e políticos se estenderam de 2022 a 2025.
A eleição presidencial de 2022 foi decidida no segundo turno, em 30 de outubro, com a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o presidente Jair Bolsonaro (PL), que tentava a reeleição. Segundo o resultado divulgado pelo TSE e relatado pela Agência Brasil, Lula recebeu 60.345.999 votos (50,90% dos votos válidos) e Bolsonaro, 58.206.354 (49,10%).
Este texto reúne o contexto, os candidatos, as propostas registradas, o resultado oficial dos dois turnos e os fatos datados que vieram depois. Os números de votos vêm dos arquivos de totalização publicados pelo próprio TSE em seu portal de dados abertos, conferidos com a cobertura da Agência Brasil. O painel resultados.tse.jus.br não abriu os dados de 2022 para a leitura automática; por isso a fonte primária usada é o conjunto de dados abertos do tribunal.
O contexto da eleição de 2022
Bolsonaro governava desde 1º de janeiro de 2019, quando assumiu como 38º presidente. Lula, que presidiu o país de 2003 a 2010, voltava à disputa depois de um percurso judicial longo. Segundo a Agência Brasil, foi condenado no caso do triplex do Guarujá, com sentença confirmada pelo TRF-4, ficou preso 580 dias, até novembro de 2019, e foi proibido pela Justiça de disputar a eleição de 2018.
Em 8 de março de 2021, o ministro Edson Fachin, do STF, anulou as condenações por entender que a 13ª Vara Federal de Curitiba não era competente para julgar as acusações, e mandou os processos para a Justiça Federal de Brasília, onde deveriam ser reanalisados. O Plenário manteve a decisão por 8 votos a 3 em abril de 2021. A decisão tratou do foro competente. Os dois campos a descrevem de formas diferentes: apoiadores de Lula destacam a anulação e a posterior declaração de parcialidade do ex-juiz Sergio Moro; críticos lembram que a anulação se deu por competência do juízo, e não por um julgamento sobre as provas.
A campanha oficial começou em 16 de agosto. O primeiro turno foi em 2 de outubro, com 156.454.011 eleitores aptos, e o segundo em 30 de outubro. Para um panorama de como o país vota hoje, veja o painel de Eleições 2026, e para a eleição anterior, o texto sobre a eleição de 2018.
Os candidatos e as chapas
Lula concorreu pela Coligação Brasil da Esperança, com Geraldo Alckmin (PSB) de vice. Pela Agência Brasil, a coligação reunia nove partidos: a federação PT-PV-PCdoB, a federação PSOL-Rede, o PSB, o Solidariedade, o Avante e o Agir. O registro no TSE foi feito em 6 de agosto. Alckmin, ex-governador de São Paulo, foi adversário de Lula em 2006 e esteve no PSDB entre 1988 e 2021.
Bolsonaro registrou a candidatura em 9 de agosto, pela coligação Pelo Bem do Brasil (PL, Republicanos e PP), com o general da reserva Walter Braga Netto, ex-ministro da Defesa, de vice. Bolsonaro foi deputado federal por sete mandatos, de 1991 a 2018, e capitão reformado do Exército.
Também receberam votos no primeiro turno: Simone Tebet (MDB), Ciro Gomes (PDT), Soraya Thronicke (União Brasil), Felipe d’Ávila (Novo), Padre Kelmon (PTB), Léo Péricles (UP), Sofia Manzano (PCB), Vera (PSTU) e Constituinte Eymael (DC). Foram onze nomes na urna.
Propostas de cada candidato
O TSE exige que cada candidatura à Presidência entregue um plano de governo no registro. Os documentos completos ficam no portal DivulgaCandContas do tribunal, que não abriu para a leitura automática. Por isso as descrições abaixo seguem os resumos publicados pela Agência Brasil em setembro de 2022, que leu os textos registrados. Quem quiser conferir o original deve procurar o arquivo de cada candidatura no portal do TSE.
Lula (PT)
O programa se chama Diretrizes para o Programa de Reconstrução e Transformação do Brasil. Segundo a Agência Brasil, o primeiro compromisso é a restauração das condições de vida da maioria da população, com políticas para famílias atingidas pela crise e pela fome e a retomada e ampliação do Bolsa Família. O texto propõe revogar parte da legislação trabalhista atual para dar mais proteção a trabalhadores autônomos e de aplicativos, fortalecer o papel do Estado na economia, ampliar o papel dos bancos públicos e manter Correios e Eletrobras fora de privatizações.
Em junho, no lançamento das diretrizes, Lula citou o fim do chamado orçamento secreto e a abertura de diálogo com os 27 governadores, segundo o relato da Fundação Perseu Abramo, entidade ligada ao PT. Na campanha, Lula também prometeu manter o benefício social em R$ 600 e pagar R$ 150 a mais por criança de até seis anos, segundo a Agência Brasil.
Jair Bolsonaro (PL)
O programa Pelo Bem do Brasil tem 48 páginas, informou a Agência Brasil no registro da candidatura, e detalha ações do governo e pontos a reforçar num segundo mandato. De acordo com o resumo da agência, o texto propõe tornar o país uma potência econômica, reduzir burocracia e carga tributária, estimular a negociação livre entre as partes, ampliar o uso do 5G, buscar a entrada do Brasil na OCDE, viabilizar privatizações e manter o equilíbrio fiscal. O compromisso mais citado é manter o Auxílio Brasil em R$ 600 a partir de janeiro de 2023.
Os outros dois mais votados
Simone Tebet (MDB) apresentou um programa de 48 páginas em quatro eixos, com um programa permanente de transferência de renda no lugar do Auxílio Brasil, recriação dos ministérios da Cultura e do Planejamento e reforma tributária nos primeiros seis meses. O programa de Ciro Gomes (PDT) tinha 12 propostas principais, entre elas uma renda mínima de cerca de R$ 1 mil por família pobre, um plano para criar 5 milhões de vagas em dois anos e a meta de colocar a educação brasileira entre as dez melhores do mundo em 15 anos.
Resultado oficial do primeiro turno (2 de outubro)
Nenhum candidato superou 50% dos votos válidos, o que levou a disputa ao segundo turno. Segundo a Agência Brasil, Lula passou à frente na apuração quando cerca de 70% dos votos estavam contados. A tabela usa o total acumulado do arquivo final de totalização do TSE (4 de outubro de 2022, 100% das seções); o percentual é sobre os votos válidos.
| Candidato (partido) | Votos | % dos válidos |
|---|---|---|
| Lula (PT) | 57.259.504 | 48,43% |
| Jair Bolsonaro (PL) | 51.072.345 | 43,20% |
| Simone Tebet (MDB) | 4.915.423 | 4,16% |
| Ciro Gomes (PDT) | 3.599.287 | 3,04% |
| Soraya Thronicke (União Brasil) | 600.955 | 0,51% |
| Felipe d’Ávila (Novo) | 559.708 | 0,47% |
| Padre Kelmon (PTB) | 81.129 | 0,07% |
| Léo Péricles (UP) | 53.519 | 0,05% |
| Sofia Manzano (PCB) | 45.620 | 0,04% |
| Vera (PSTU) | 25.625 | 0,02% |
| Constituinte Eymael (DC) | 16.604 | 0,01% |
Compareceram 123.682.372 eleitores (79,05%) e 32.770.982 se abstiveram (20,95%). Foram 1.964.779 votos em branco e 3.487.874 nulos. A diferença entre Lula e Bolsonaro foi de 6.187.159 votos.
Resultado oficial do segundo turno (30 de outubro)
O TSE concluiu a totalização às 0h18 de 31 de outubro. O resultado já estava matematicamente definido na noite do dia 30, como registrou a Agência Brasil.
| Candidato (partido) | Votos | % dos válidos |
|---|---|---|
| Lula (PT) | 60.345.999 | 50,90% |
| Jair Bolsonaro (PL) | 58.206.354 | 49,10% |
Dos 156.454.011 eleitores aptos, 124.252.796 compareceram (79,41%) e 32.200.558 se abstiveram (20,59%), segundo o TSE. Os nulos somaram 3.930.765 (3,16%) e os brancos, 1.769.678 (1,43%). A diferença entre os dois foi de 2.139.645 votos, ou 1,80 ponto percentual dos votos válidos. Bolsonaro obteve mais votos no segundo turno de 2022 do que no de 2018, quando teve 57.797.847, de acordo com os dados abertos do TSE sobre aquela eleição, que você encontra no texto sobre a eleição de 2018.
No Congresso, o resultado foi diferente. Segundo a Agência Brasil, o PL elegeu a maior bancada da Câmara, com 99 dos 513 deputados, seguido pela federação PT-PCdoB-PV, com 80. No Senado, dos 27 eleitos, oito eram do PL e quatro do PT. A evolução das bancadas mostra como esses números mudaram desde então.
Fatos que costumam ficar de fora do resumo de cada lado
Dois episódios da campanha aparecem de formas muito diferentes conforme o campo político de quem conta. Aqui vão os fatos verificáveis de cada um.
Os benefícios em ano eleitoral. Os dois principais candidatos prometeram manter em R$ 600 o benefício social, que vinha do Auxílio Brasil no governo Bolsonaro. Em 14 de julho de 2022, em plena campanha, o Congresso promulgou a Emenda Constitucional 123, que reconheceu um estado de emergência por causa da alta dos combustíveis e liberou despesas fora do teto de gastos. Segundo a Agência Brasil, ela viabilizou o Auxílio Brasil de R$ 600, um auxílio de R$ 1 mil a caminhoneiros e o vale-gás até o fim do ano, e ficou conhecida como PEC Kamikaze. Em 1º de agosto de 2024, o STF, por maioria, declarou a emenda inconstitucional por liberar recursos em ano eleitoral, e quem recebeu os benefícios não precisa devolvê-los. O relator, ministro André Mendonça, votou contra a ação por entender que os efeitos da emenda terminaram em 31 de dezembro de 2022.
As regras contra a desinformação. Em 20 de outubro de 2022, o TSE aprovou por unanimidade uma resolução que permite retirar do ar, em até duas horas, conteúdo que o tribunal já considerou falso quando republicado em outros sites. O presidente do tribunal, Alexandre de Moraes, citou aumento de 1.671% nas denúncias de desinformação enviadas às plataformas em relação à eleição de 2020. A norma foi alvo de críticas: o deputado Filipe Barros (PL-PR) apresentou o projeto de decreto legislativo 368/22 para sustar a resolução, sob o argumento de que ela cria um rito não previsto em lei, e o então procurador-geral da República, Augusto Aras, falou em risco de censura prévia. Em dezembro de 2023, o STF formou maioria de seis votos a favor de manter a resolução. A seção de Checagem aplica a mesma régua a boatos de qualquer campo, inclusive os que questionam a apuração, como mostra a checagem sobre a pausa na divulgação do TSE.
A polarização em números. Lula e Bolsonaro somaram 91,63% dos votos válidos do primeiro turno (48,43% mais 43,20%). Os outros nove candidatos dividiram 8,37%.
O que aconteceu depois
Os fatos abaixo estão em ordem cronológica, cada um com a fonte aberta e conferida.
- 5 de outubro de 2022: Simone Tebet declarou apoio individual a Lula no segundo turno; a executiva nacional do MDB decidiu pela neutralidade.
- 9 de novembro de 2022: o Ministério da Defesa entregou ao TSE o relatório das Forças Armadas sobre a fiscalização das urnas. O ministro Paulo Sérgio Nogueira escreveu que, pelos testes feitos, “não é possível afirmar que o sistema eletrônico de votação está isento da influência de um eventual código malicioso”. O TSE respondeu que o relatório não apontou fraude nem inconsistência e que as sugestões seriam analisadas.
- 22 e 23 de novembro de 2022: o PL pediu ao TSE a invalidação de votos do segundo turno em urnas de modelos anteriores a 2020. Moraes negou o pedido e aplicou multa de R$ 22,9 milhões à coligação por litigância de má-fé. O PL respondeu que apenas cumpriu o dever de fiscalizar previsto na lei eleitoral. Em 15 de dezembro, o plenário confirmou a multa por unanimidade; o ministro Raul Araújo divergiu apenas sobre o bloqueio do Fundo Partidário.
- 1º de janeiro de 2023: Lula tomou posse e subiu a rampa do Planalto, segundo a Agência Brasil. Antes da posse, o Congresso aprovou a PEC da Transição para manter o benefício social em R$ 600, mais R$ 150 por criança de até seis anos, em dois turnos na Câmara e no Senado, segundo a Agência Brasil.
- 8 de janeiro de 2023: manifestantes que estavam em acampamento diante do quartel-general do Exército marcharam até a Praça dos Três Poderes e invadiram e depredaram as sedes do Planalto, do Congresso e do STF, segundo o relatório da CPMI.
- 30 de junho de 2023: o TSE tornou Bolsonaro inelegível por oito anos, por 5 votos a 2, por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação na reunião com embaixadores de julho de 2022. Braga Netto foi absolvido por unanimidade. A inelegibilidade vai até 2 de outubro de 2030.
- 1º de agosto de 2024: o STF declarou inconstitucional a Emenda 123, como descrito acima.
- 11 de setembro de 2025: a Primeira Turma do STF condenou Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão em regime fechado, por 4 votos a 1, na ação sobre a trama golpista, e condenou outros sete réus. Em novembro de 2025, a Turma referendou por unanimidade a decisão do relator que determinou o início do cumprimento das penas de sete dos oito condenados do núcleo.
Cada um desses episódios tem leituras distintas na política. Apoiadores de Bolsonaro contestam a competência e o rito dos processos e falam em perseguição; apoiadores de Lula e boa parte do meio jurídico apontam a gravidade dos atos e a existência de decisões colegiadas. O que está fixado em documento são as datas, os placares e as decisões acima. Para entender como regimes democráticos enfrentam crises dessa natureza, há a resenha de Como as Democracias Morrem. O padrão de apuração de todos os textos desta seção está na política editorial.
Fontes consultadas
Todos os links foram abertos e conferidos antes da publicação. Primeiro as fontes primárias, depois a imprensa identificada.
Fonte primária · TSE
Resultados das Eleições 2022 (dados abertos do TSE)Arquivos oficiais com o histórico de totalização do 1º e do 2º turno, de onde saem os votos de cada candidato.
Fonte primária · Câmara dos Deputados
Emenda Constitucional nº 123, de 14 de julho de 2022Texto da emenda que criou o estado de emergência e liberou despesas em ano eleitoral.
Fonte primária · STF
STF confirma anulação de condenações do ex-presidente Lula na Lava JatoPlenário manteve a decisão por 8 votos a 3 em abril de 2021.
Fonte primária · STF
AP 2668: 1ª Turma confirma início de cumprimento da pena de réus do Núcleo 1Referendo da Primeira Turma em novembro de 2025.
Fonte primária · Agência Câmara
Projeto susta resolução do TSE de combate à desinformaçãoPDL 368/22 e o conteúdo da Resolução 23.714/22.
Imprensa · Agência Brasil
TSE conclui totalização de votos pouco depois da meia-noiteResultado do 2º turno, comparecimento, abstenção, brancos e nulos informados pelo TSE.
Imprensa · Agência Brasil
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Referência · Fundação Perseu Abramo
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