Eleição de 2018: resultado, candidatos e o que cada um propôs
Como foi a eleição de 2018: 13 candidatos, Lula barrado, a facada em Bolsonaro, propostas, resultado oficial dos dois turnos e o que veio depois.

O essencial
- Jair Bolsonaro (PSL) venceu o segundo turno, em 28 de outubro de 2018, com 57.797.847 votos (55,13% dos votos válidos), contra 47.040.906 de Fernando Haddad (PT), 44,87%.
- A eleição teve 13 candidatos, o ex-presidente Lula preso e barrado pelo TSE por 6 votos a 1, e um candidato esfaqueado em plena campanha, em 6 de setembro.
- Bolsonaro tinha 8 segundos de propaganda na TV por bloco diário e terminou o primeiro turno com 46,03%; Geraldo Alckmin, com cerca de metade do tempo, teve 4,76%.
A eleição presidencial de 2018 foi decidida em 28 de outubro, quando Jair Bolsonaro (PSL) derrotou Fernando Haddad (PT) no segundo turno. De acordo com os arquivos de votação divulgados pelo TSE em seu portal de dados abertos, Bolsonaro teve 57.797.847 votos (55,13% dos votos válidos) e Haddad, 47.040.906 (44,87%). A Agência Brasil registrou o fim de quatro mandatos presidenciais consecutivos do PT.
O texto reúne o contexto, os candidatos, as propostas registradas, o resultado oficial dos dois turnos e os fatos datados que vieram depois. Os votos foram somados por nós a partir dos arquivos oficiais do TSE e conferidos com a cobertura da imprensa. O portal de resultados do tribunal não abriu para a leitura automática, por isso a fonte primária usada é o conjunto de dados abertos, e não o painel de resultados.
O contexto da eleição de 2018
O país vinha de uma sequência de crises. Em 31 de agosto de 2016, o Senado aprovou por 61 votos a 20 o impeachment de Dilma Rousseff, e o vice Michel Temer assumiu a Presidência. O processo foi baseado em acusações de crime de responsabilidade fiscal, entre elas decretos de crédito sem autorização do Legislativo e as chamadas pedaladas fiscais. Dilma classificou o resultado como golpe parlamentar; os autores do pedido e os senadores que votaram a favor sustentaram que houve crime de responsabilidade. O termo e a interpretação variam conforme o campo político, e o texto registra os dois.
A Operação Lava Jato também marcou o período. Lula foi condenado em janeiro de 2018 pelo TRF-4 a 12 anos e um mês de prisão no caso do triplex do Guarujá e foi preso em 7 de abril, em Curitiba. Foi a primeira eleição presidencial sem doações de empresas: as campanhas usaram o Fundo Especial de Financiamento de Campanha, doações de pessoas físicas e financiamento coletivo. Foram 13 candidatos, o segundo maior número desde 1989, quando houve 22, segundo a Agência Brasil.
Para comparar com a eleição seguinte, veja o texto sobre a eleição de 2022; para a anterior, a de 2014.
Os candidatos e as chapas
O PT lançou Lula, que estava preso. Em 31 de agosto, o TSE julgou 16 impugnações e rejeitou o registro por 6 votos a 1. O relator, ministro Luís Roberto Barroso, entendeu que Lula era inelegível pela Lei da Ficha Limpa, que barra quem foi condenado por órgão colegiado, e que a recomendação do Comitê de Direitos Humanos da ONU para que ele participasse da eleição não vinculava o Judiciário. Edson Fachin foi o único a votar com a defesa, com base na recomendação da ONU. O PT teve dez dias para indicar o substituto.
Em 11 de setembro, Fernando Haddad, que era candidato a vice, passou a encabeçar a chapa, com Manuela D’Ávila (PCdoB) de vice. O TSE aprovou o registro por unanimidade em 25 de setembro. A coligação era O Povo Feliz de Novo (PT, PCdoB e Pros).
Jair Bolsonaro, deputado federal pelo Rio de Janeiro, foi confirmado pelo PSL em 22 de julho, com o general Hamilton Mourão (PRTB) de vice, pela coligação Brasil Acima de Tudo, Deus Acima de Todos (PSL e PRTB). Em 6 de setembro, ele foi esfaqueado durante um ato de campanha em Juiz de Fora (MG). Ficou 23 dias internado no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, e, sem poder fazer campanha de rua, falou aos eleitores pelas redes sociais. O autor do ataque foi preso e confessou o crime.
Os demais candidatos foram Ciro Gomes (PDT), Geraldo Alckmin (PSDB, com a senadora Ana Amélia do PP de vice), João Amoêdo (Novo), Cabo Daciolo (Patriota), Henrique Meirelles (MDB), Marina Silva (Rede), Álvaro Dias (Podemos), Guilherme Boulos (PSOL), Vera Lúcia (PSTU), Eymael (DC) e João Goulart Filho (PPL).
Propostas de cada candidato
Os planos de governo ficam arquivados no portal de candidaturas do TSE, que não abriu para a leitura automática. As descrições abaixo seguem a Agência Brasil, que reproduziu trechos dos programas registrados, em um guia com todos os candidatos e em reportagens do segundo turno.
Jair Bolsonaro (PSL)
O programa tinha 81 páginas. Segundo a reportagem sobre economia, uma das principais propostas era o orçamento de base zero, sem detalhamento de como seria aplicado, além de um Ministério da Economia que reuniria Fazenda, Planejamento e Indústria e Comércio e de um Banco Central independente. O texto previa reduzir o pagamento de juros com privatizações, concessões e venda de imóveis da União, com a estimativa de reduzir em 20% o volume da dívida. Entre as demais propostas, segundo a Agência Brasil: um modelo de capitalização individual para a Previdência, uma carteira de trabalho verde e amarela em que o contrato individual prevaleceria sobre a CLT, a reforma do Estatuto do Desarmamento, a redução da maioridade penal para 16 anos e a prioridade para a educação básica.
Fernando Haddad (PT)
A reportagem sobre economia afirma que o programa de Haddad, atualizado para o segundo turno, tinha como diretriz um novo projeto nacional de desenvolvimento. Entre as propostas: revogar a Emenda Constitucional 95, que limita os gastos federais, e a reforma trabalhista, substituída por um Estatuto do Trabalho; o programa Meu Emprego de Novo, com medidas emergenciais para gerar vagas; manter a política de reajuste do salário mínimo com ganho real; suspender a privatização de empresas consideradas estratégicas; e manter a autonomia do Banco Central. O texto observa que a revogação das reformas dependia do Congresso.
Outros candidatos
Ciro Gomes defendia reformas tributária, fiscal, previdenciária e administrativa, redução dos juros e um programa emergencial de emprego em saneamento e construção civil. Geraldo Alckmin propunha zerar o déficit público em dois anos, privatizar estatais, criar um sistema único de aposentadoria e trocar cinco tributos por um imposto sobre valor agregado. João Amoêdo defendia simplificar impostos e reduzir a burocracia. Marina Silva punha a geração de empregos no centro de suas propostas. Todos os resumos vêm do guia da Agência Brasil.
Resultado oficial do primeiro turno (7 de outubro)
Ninguém alcançou 50% dos votos válidos. A tabela mostra os votos nominais de cada candidato à Presidência, somados dos arquivos do TSE, e o percentual sobre os votos válidos.
| Candidato (partido) | Votos | % dos válidos |
|---|---|---|
| Jair Bolsonaro (PSL) | 49.277.010 | 46,03% |
| Fernando Haddad (PT) | 31.342.051 | 29,28% |
| Ciro Gomes (PDT) | 13.344.371 | 12,47% |
| Geraldo Alckmin (PSDB) | 5.096.350 | 4,76% |
| João Amoêdo (Novo) | 2.679.745 | 2,50% |
| Cabo Daciolo (Patriota) | 1.348.323 | 1,26% |
| Henrique Meirelles (MDB) | 1.288.950 | 1,20% |
| Marina Silva (Rede) | 1.069.578 | 1,00% |
| Álvaro Dias (Podemos) | 859.601 | 0,80% |
| Guilherme Boulos (PSOL) | 617.122 | 0,58% |
| Vera Lúcia (PSTU) | 55.762 | 0,05% |
| Eymael (DC) | 41.710 | 0,04% |
| João Goulart Filho (PPL) | 30.176 | 0,03% |
Dos 147.306.295 eleitores aptos, compareceram 117.364.654 (79,67%) e 29.941.171 se abstiveram (20,33%). Foram 3.106.937 votos em branco e 7.206.222 nulos. Percentuais de comparecimento e abstenção calculados a partir dos dados abertos do TSE.
Resultado oficial do segundo turno (28 de outubro)
| Candidato (partido) | Votos | % dos válidos |
|---|---|---|
| Jair Bolsonaro (PSL) | 57.797.847 | 55,13% |
| Fernando Haddad (PT) | 47.040.906 | 44,87% |
Compareceram 115.933.451 eleitores (78,70%) e 31.372.373 se abstiveram (21,30%). Os votos em branco somaram 2.486.593 e os nulos, 8.608.105. A diferença entre os dois candidatos foi de 10.756.941 votos. Bolsonaro tomou posse como 38º presidente. Na Câmara, o índice de renovação foi de 47,37%, o maior em proporção desde a eleição da Constituinte de 1986, e o PSL elegeu 52 deputados, 47 deles de primeiro mandato, segundo a Agência Câmara. A evolução das bancadas no site mostra a história recente dos partidos.
Fatos que costumam ficar de fora do resumo de cada lado
O tempo de TV não decidiu a eleição. O horário eleitoral é dividido pelo tamanho das bancadas na Câmara. Geraldo Alckmin, com a coligação de nove partidos, ficou com cinco minutos e 32 segundos por bloco, cerca de metade do total; a coligação do PT teve dois minutos e 23 segundos; a de Bolsonaro, oito segundos e 11 inserções. No primeiro turno, Alckmin teve 4,76% dos votos válidos e Bolsonaro, 46,03%.
A impugnação de Lula e os argumentos de cada lado. A decisão do TSE foi por 6 votos a 1, mas houve nuances no plenário. A presidente do tribunal, Rosa Weber, divergiu em parte do relator ao entender que Lula poderia participar da campanha enquanto coubessem recursos. Fachin votou com a defesa com base na recomendação do Comitê de Direitos Humanos da ONU, e Barroso entendeu que a recomendação não vincula o Judiciário brasileiro e que a Lei da Ficha Limpa, de 2010, impede a candidatura de condenado por órgão colegiado. Os dois argumentos, o da lei e o da recomendação internacional, são os que a defesa e a acusação sustentaram no julgamento.
As mensagens em massa e a Justiça Eleitoral. O PT apresentou ações ainda em 2018 por disparos em massa de mensagens contra adversários. Em 28 de outubro de 2021, o TSE rejeitou por unanimidade a cassação da chapa Bolsonaro-Mourão, porque não ficou comprovado que o esquema, mesmo que existisse, teve gravidade para comprometer a eleição. Por 5 votos a 2, porém, a maioria reconheceu que houve um esquema ilegal de disparos de notícias falsas contra adversários. Os ministros Carlos Horbach e Sérgio Banhos entenderam que nem a existência do esquema foi provada. O tribunal fixou, por 6 votos a 1, a tese de que esse tipo de disparo pode configurar abuso de poder econômico.
Para acompanhar hoje. A seção de Checagem trata boatos eleitorais de todos os campos com a mesma régua, e o painel das Eleições 2026 reúne os números atuais do TSE.
O que aconteceu depois
- 1º de janeiro de 2019: Bolsonaro tomou posse no Congresso e subiu a rampa do Planalto. Segundo a Agência Brasil, pediu ajuda ao Congresso para reconstruir o país. No governo de transição, anunciou 22 ministérios e nomeou o juiz Sergio Moro para o Ministério da Justiça e Segurança Pública.
- 12 de novembro de 2019: o Congresso promulgou a reforma da Previdência. A proposta inicial previa economia de R$ 1,2 trilhão em dez anos; com as mudanças do Congresso, a estimativa caiu para R$ 800 bilhões.
- 7 e 8 de novembro de 2019: o STF derrubou a execução provisória de condenações criminais depois da segunda instância e, no dia seguinte, a Justiça Federal em Curitiba mandou soltar Lula, preso desde 7 de abril de 2018.
- 24 de abril de 2020: Sergio Moro pediu demissão do Ministério da Justiça depois de quase 16 meses, ao dizer que a troca do diretor-geral da Polícia Federal feria a garantia de autonomia que recebera. Bolsonaro negou interferência.
- 28 de outubro de 2021: o TSE rejeitou a cassação da chapa eleita em 2018, como descrito acima.
- 30 de outubro de 2022: Bolsonaro disputou a reeleição e perdeu para Lula; leia o texto sobre a eleição de 2022.
Cada um desses episódios tem leituras políticas diferentes, e o texto procura separar a data, a votação e a decisão de quem as interpreta. Para ler sobre como democracias lidam com crises de legitimidade, há a resenha de Como as Democracias Morrem. O método de todos os textos desta seção está na política editorial.
Fontes consultadas
Todos os links foram abertos e conferidos antes da publicação. Primeiro as fontes primárias, depois a imprensa identificada.
Fonte primária · TSE
Resultados das Eleições 2018 (dados abertos do TSE)Arquivos oficiais de votação por candidato e de comparecimento, de onde saem os votos e as abstenções.
Fonte primária · Agência Câmara
Câmara tem 243 deputados novos e renovação de 47,3%Renovação da Câmara e crescimento do PSL, com cálculo da Secretaria-Geral da Mesa.
Imprensa · Agência Brasil
Veja o que foi destaque na política em 2018Facada, prisão de Lula, troca por Haddad, financiamento de campanha e primeiro ato do presidente eleito.
Imprensa · Agência Brasil
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Imprensa · Agência Brasil
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Imprensa · Agência Brasil
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