Copom decide a Selic na quarta (4); mercado passou a apostar em pausa
Opções de Copom na B3 davam 60,9% de chance de a Selic ficar em 13,75% em 3 e 4 de novembro, contra 76% de corte antes da eleição, segundo o Seu Dinheiro.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne na terça-feira (3) e na quarta-feira (4) para decidir a taxa básica de juros, hoje em 13,75% ao ano. Segundo o Seu Dinheiro, publicado em 29 de outubro, os contratos de Opções de Copom negociados na B3 passaram a indicar a manutenção da taxa como cenário mais provável, com 60,9% de chance, com dados até 27 de outubro.
Antes da eleição, a leitura era outra. Até 23 de outubro, o corte de 0,25 ponto percentual tinha 76% de probabilidade nesses mesmos contratos, de acordo com a reportagem. Na leitura de 27 de outubro, o corte caiu para 36%, e uma alta de 0,25 ponto aparecia com 1,57%. Essas porcentagens refletem preços de mercado, não uma previsão do Banco Central, que não antecipa suas decisões.
De onde vem a Selic de 13,75%
O Copom cortou a Selic em 0,25 ponto, de 14% para 13,75% ao ano, em 16 de setembro, o quinto corte consecutivo desde março, como registrou o Poder360. A decisão ficou em linha com a expectativa predominante do mercado e com o Boletim Focus de 14 de setembro. Segundo o mesmo veículo, o mercado buscaria na reunião de novembro sinais sobre uma possível nova redução.
Uma pausa em novembro seria, portanto, a primeira interrupção do ciclo atual de cortes, segundo o Seu Dinheiro. O Banco Central nunca prometeu uma trajetória: a decisão de cada reunião depende dos dados de inflação, de atividade e das expectativas do mercado no momento.
O que mudou nas últimas semanas
A mudança nas apostas veio junto com a reação dos mercados ao resultado do segundo turno, em 25 de outubro, quando o TSE marcou Lula como eleito presidente. Na semana seguinte, o dólar comercial fechou a R$ 5,44 e registrou a maior alta semanal desde 2008, conforme a Agência Brasil. A Bolsa teve a pior semana desde 2020, como mostra a notícia sobre o Ibovespa e o dólar após a eleição.
Câmbio mais alto tende a pressionar preços de bens importados e de combustíveis, e é um dos fatores que o Banco Central acompanha ao avaliar o risco para a inflação. Para a expectativa do mercado antes da eleição, veja o Boletim Focus, que projetava Selic de 13,25% no fim do ano.
A analista de renda fixa da Empiricus Laís Costa afirmou ao Seu Dinheiro: "Para a reunião da próxima semana, o mercado apagou a expectativa de corte de 25 pontos-base". Segundo ela, o mercado já projeta a volta de um ciclo de alta até o início do segundo trimestre de 2027, e a Empiricus trabalha com a hipótese de manter a Selic em 13,75% por tempo indeterminado. É uma projeção de uma casa de análise, não de uma instituição oficial.
Vale separar o que é dado do que é leitura. A Selic de 13,75% e a sequência de cinco cortes são fatos registrados nas decisões anteriores do Copom. As porcentagens das opções, a avaliação de que o ciclo de cortes pode ter terminado e a hipótese de nova alta em 2027 são estimativas de participantes do mercado, que podem mudar com um novo dado de inflação, com o câmbio ou com sinais da futura equipe econômica. O leitor deve tratá-las como cenários, não como resultado.
Por que isso importa
A Selic é a referência para o custo do crédito e para a remuneração da dívida pública. Quando ela sobe ou deixa de cair, financiamentos, cartões e empréstimos tendem a ficar mais caros por mais tempo, e o governo paga mais juros sobre o que deve. Esse peso aparece nas contas públicas: a dívida bruta ficou em 82,9% do PIB em setembro, segundo o Banco Central.
Há também o ângulo político. O governo que toma posse em 5 de janeiro de 2027 chegará com uma taxa de juros que já não está em queda, caso a pausa se confirme. Na área fiscal, o governo já sinalizou que quer mudar a lei ou a Constituição para perseguir o centro da meta (notícia sobre a fala de Dario Durigan). A combinação entre regra fiscal e juros é o que o mercado olha ao precificar a taxa de longo prazo.
Por fim, a decisão mostra a separação entre as instâncias: o Copom decide a Selic de forma colegiada, com base na meta de inflação, e o Executivo e o Congresso definem o orçamento e as regras fiscais. Cada um responde por uma parte do que determina o custo do dinheiro no país.
O que observar a seguir
O primeiro marco é a decisão, divulgada na noite de quarta-feira (4). Três cenários aparecem nos contratos citados: manutenção em 13,75%, corte de 0,25 ponto, para 13,50%, e uma alta de 0,25 ponto, bem menos provável. O segundo marco é o comunicado, em que o Copom costuma descrever como vê a inflação e se mantém ou não os próximos passos em aberto. O terceiro é a ata, que o Banco Central divulga na terça-feira seguinte à reunião, e detalha a discussão do colegiado.
Até a reunião seguinte, o mercado deve acompanhar o dólar, a inflação de outubro, a definição da equipe econômica do próximo governo e a tramitação do Orçamento de 2027. Para acompanhar o cenário político que cerca essas decisões, o painel Eleições 2026 reúne o resultado oficial do segundo turno.
Esta matéria usa as probabilidades das Opções de Copom na leitura de 27 de outubro, publicadas pelo Seu Dinheiro, e as informações do Poder360 e da Agência Brasil. Os números mudam a cada pregão e serão atualizados com a decisão do Copom.
Fonte original
Seu Dinheiro
seudinheiro.com
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Equipe Política Diária
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