Política Diária

Digite para buscar em todos os artigos e notícias.

Política Diária
Notícia

Ibovespa tem pior semana desde 2020 e dólar fecha a R$ 5,44 após eleição

Bolsa caiu 18,12% na semana e 9,88% em outubro; dólar subiu cerca de 9% e teve a maior alta semanal desde 2008, segundo Agência Brasil e InfoMoney.

Foto de Equipe Política DiáriaEquipe Política Diáriavia Política Diária

O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, fechou a sexta-feira (30) em queda de 0,75%, aos 167.921,80 pontos, a quinta baixa seguida. Com isso, acumulou perda de 18,12% na semana, a pior desde março de 2020, e de 9,88% em outubro, o pior mês desde junho de 2022. Os dados constam da reportagem da Agência Brasil, com informações da Reuters, e do acompanhamento do InfoMoney.

O dólar comercial subiu 1,09% no dia e fechou a R$ 5,446, o maior valor de fechamento de 2026, segundo a Agência Brasil. O InfoMoney registra R$ 5,444, diferença de cotação entre as fontes. Na semana, a moeda acumulou alta de 9,15% pelo cálculo da Agência Brasil, a maior desde outubro de 2008. Outros veículos citam variações próximas, como 9,04%, e a divergência decorre da metodologia e do horário de cada cotação.

Os números da semana

IndicadorFechamento de 30/10Variação
Ibovespa167.921,80 pontos-0,75% no dia; -18,12% na semana; -9,88% em outubro
Dólar comercialR$ 5,446 (Agência Brasil)+1,09% no dia; +9,15% na semana; +5,27% em outubro

O ponto de partida da conta é o fechamento de 23 de outubro, a sexta-feira anterior ao segundo turno, quando o índice estava em 205.082,56 pontos e o dólar em R$ 4,993, valores registrados na cobertura do primeiro pregão depois da votação. Segundo a Agência Brasil, o Ibovespa acionou o circuit breaker, mecanismo que suspende as negociações quando a queda é muito intensa, na segunda-feira (26), como mostrou a notícia sobre a abertura daquele pregão. No ano, o índice ainda acumula alta de 4,22%, de acordo com o InfoMoney, e o dólar, de 0,81%, conforme a Agência Brasil.

O que as fontes apontam como causa

A Agência Brasil atribui o movimento ao ajuste dos investidores depois da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e à incerteza sobre a política fiscal, já que o mercado aguarda a definição da equipe econômica do próximo governo e de medidas para as contas públicas. O resultado oficial do segundo turno, com 51,79% dos votos válidos para Lula, está na notícia sobre a totalização do TSE e no painel Eleições 2026.

O InfoMoney reproduz a avaliação de duas gestoras. Para a Azumi Investimentos, apostas em alternância de governo e em ajuste fiscal foram desfeitas após a eleição, e dúvidas sobre gastos e dívida prolongaram a pressão, em especial sobre empresas ligadas a crédito e consumo. A Manchester Investimentos afirmou que "não houve nenhuma declaração por parte do governo, apaziguando o humor dos mercados". São leituras de analistas, não fatos apurados por este site.

Outros fatores aparecem nas duas reportagens. Segundo o InfoMoney, as taxas dos contratos de juros futuros (DIs) subiram em toda a curva, e o dado de desemprego de 5,2%, o menor da série desde 2012, reforçou a pressão sobre a taxa Selic. A Agência Brasil acrescenta a saída líquida de quase R$ 7,6 bilhões da bolsa em mercado secundário nos três primeiros pregões da semana, segundo dados da B3, e a busca de proteção cambial por investidores antes do feriado de Finados, na segunda-feira (2).

No cenário externo, a venda de ações de tecnologia e de inteligência artificial em Nova York pesou sobre bolsas de vários países. A Agência Brasil informa que o S&P 500 caiu 1,82%. O InfoMoney cita balanços de Amazon e Intel, alta do petróleo por receios sobre o Irã e um roubo de criptomoedas na corretora Binance. As fontes divergem em pequenos números do exterior, e por isso o texto não fixa uma única queda para as bolsas americanas.

Por que isso importa

O câmbio é um dos preços mais sensíveis da economia. Um dólar mais alto encarece combustíveis, trigo, fertilizantes e outros insumos importados, o que pode pressionar a inflação e reduzir a margem do Banco Central para cortar juros. A Selic está em 13,75% ao ano, segundo a série histórica do Banco Central citada na notícia sobre o Boletim Focus. Quando os juros ficam altos por mais tempo, o crédito para famílias e empresas e o custo da dívida pública permanecem elevados.

Para quem exporta, o dólar mais alto aumenta a receita em reais, o que explica por que empresas ligadas a commodities costumam resistir melhor nesses episódios. Para quem tem dívida em moeda estrangeira, o custo sobe. Para o investidor de bolsa, a queda reduz o valor das carteiras, mas só vira perda efetiva para quem vende os papéis. O Ibovespa ainda tem ganho no ano, e uma semana, por mais intensa que seja, não define a trajetória de dezembro.

Do ponto de vista político, o mercado funciona como termômetro de expectativas, não como julgamento sobre um governo ou outro. Parte dos investidores havia se posicionado para um resultado diferente, e a correção de posições costuma ser rápida e ampla. A leitura de que a queda reflete incerteza fiscal, e não um dado econômico já consumado, aparece de forma recorrente nas fontes consultadas.

O que o governo já disse sobre a meta fiscal

Na segunda-feira (26), o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse ao Broadcast que o governo vai alterar a lei ou a Constituição para buscar o centro da meta fiscal, como relata a notícia sobre a entrevista do ministro. Os analistas citados pelo InfoMoney, porém, falam em ausência de declarações novas que acalmem o mercado, o que indica que o detalhamento das medidas continua sendo aguardado.

O que observar a seguir

A segunda-feira (2) é feriado de Finados, e a Agência Brasil registra que parte dos investidores buscou proteção cambial antes da data. Os pontos de atenção são a sinalização do governo eleito sobre equipe econômica e política fiscal, a reunião do Copom de 3 e 4 de novembro, segundo o calendário citado na notícia sobre o Focus, a evolução do fluxo de capital estrangeiro e o comportamento das bolsas americanas. A posse está marcada para 5 de janeiro de 2027, como mostra a notícia sobre a data da posse.

Os números de fechamento podem sofrer pequenos ajustes nas publicações finais da B3 e do Banco Central. Quando as fontes divergem, este texto indica a diferença em vez de escolher um valor sem base.

Fonte original

Agência Brasil (com Reuters)

agenciabrasil.ebc.com.br

Ler na fonte original

Perguntas frequentes

Segundo a Agência Brasil e o InfoMoney, o Ibovespa fechou a sexta-feira (30) aos 167.921,80 pontos, com queda de 18,12% na semana, a pior desde março de 2020, e de 9,88% em outubro.
Foto de Equipe Política Diária

Quem escreveu

Equipe Política Diária

Redação da Política Diária

A equipe da Política Diária escreve para quem quer entender a política brasileira e internacional sem torcida. Cada texto parte de fontes primárias (Diário Oficial, Câmara, Senado, STF, TSE, organismos internacionais e veículos de imprensa identificados) e é escrito em português claro, separando fato de opinião.

Últimas

Mais notícias

Todas as notícias →