Federação PT-PCdoB-PV anuncia apoio à reeleição de Motta na Câmara
Segundo a Agência Câmara, as três legendas entrarão em bloco com partidos de centro. A federação terá 88 deputados em 2027 e o bloco pode chegar a 328.

A federação formada por PT, PCdoB e PV anunciou na terça-feira (27) apoio à reeleição do deputado Hugo Motta (Republicanos-PB) à presidência da Câmara dos Deputados na próxima legislatura. A informação consta de reportagem da Agência Câmara de Notícias, publicada às 19h23. As três legendas, que atuam juntas como Federação Brasil da Esperança, também vão integrar um bloco parlamentar com partidos de centro.
Segundo a Agência Câmara, o bloco reunirá, além da federação, União, PP, PSD, Republicanos, MDB, a federação PSDB-Cidadania e o Podemos. A agência informa que a federação terá 88 deputados no ano que vem e que o bloco pode chegar a 328 parlamentares. A eleição da Mesa Diretora ocorre depois da posse dos deputados eleitos em outubro; segundo o jornal O Tempo, está marcada para fevereiro de 2027.
O que disseram os líderes das três legendas
O líder do PT, Pedro Uczai (SC), afirmou, segundo a Agência Câmara, que a composição busca dar governabilidade ao novo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e avançar pautas das três legendas nos próximos quatro anos. Entre elas, ele citou temas ligados às mulheres, à soberania e a direitos culturais, sociais e históricos.
A líder do PCdoB, Jandira Feghali (RJ), disse que o objetivo do bloco é isolar a extrema direita no Parlamento. Nas palavras reproduzidas pela agência: "Nossa responsabilidade é impedir que o PL vença na Câmara e no Senado." A declaração é posição da parlamentar e do partido, não uma avaliação do Política Diária.
O líder do PV, Aliel Machado (PR), atribuiu a Motta o avanço de prioridades como o fim da escala 6x1 e medidas para microempreendedores individuais (MEIs), mesmo em momentos difíceis. A reportagem da Agência Câmara não traz declaração de Motta nem de integrantes do PL ou de outros partidos de oposição sobre o anúncio.
Como a regra dos blocos influencia a divisão de cargos
A Agência Câmara lembra que o Regimento Interno da Casa vincula o tamanho de cada bloco às preferências na escolha das comissões permanentes e dos cargos da Mesa Diretora. Na prática, a soma de cadeiras sob um mesmo bloco pesa na hora de repartir esses postos.
Por isso a formação do bloco costuma ser negociada antes da eleição da Mesa. Reunir partidos de perfis diferentes, como acontece agora, amplia o número de cadeiras sob uma mesma liderança de bloco, mas não obriga cada deputado a votar da mesma forma na eleição para a presidência, que é secreta.
O que já havia sido anunciado antes
O anúncio de terça-feira se soma a movimentos anteriores. Em 21 de outubro, PSB e PDT declararam apoio à recondução de Motta, segundo o jornal O Tempo. O jornal informa que as duas legendas se juntaram a um grupo de dez partidos do Centrão, com 252 parlamentares, que já o apoiava, e que o conjunto chegava a 273 deputados.
Para vencer no primeiro turno, de acordo com O Tempo, são necessários 257 votos, a maioria dos 513 deputados. O próprio jornal ressalta que, como o voto é secreto, a posição oficial dos partidos não garante o voto individual de cada parlamentar. Na segunda-feira (26), a reunião de Lula com Motta e Davi Alcolumbre no Alvorada já havia sido relatada pelo Estadão como o momento em que o presidente teria dito que o PT apoiaria a recondução dos dois presidentes das Casas.
Por que isso importa
O presidente da Câmara decide quando um projeto vai a plenário, define a pauta das sessões e comanda a Mesa Diretora. Quem ocupa o cargo nos dois primeiros anos do novo mandato presidencial influencia o ritmo de propostas do governo, como a PEC da Segurança Pública, a vaga no STF e o Orçamento, e também o de projetos de iniciativa de parlamentares.
Do ponto de vista numérico, o cenário descrito pelos jornais é o de uma Casa em que o PL, partido de Flávio Bolsonaro, terá a maior bancada. Como o Política Diária mostrou ao detalhar o resultado da eleição de 4 de outubro, o partido elegeu 121 deputados, número que o jornal O Tempo aponta como motor do realinhamento entre partidos de centro e de esquerda. A maior bancada de um partido, porém, não define sozinha a presidência da Casa: o que conta é a soma de votos que cada candidato consegue reunir na eleição.
Para o governo, a existência de um bloco amplo é um indicador de base de apoio possível, não uma garantia de votos em cada projeto. As votações de mérito, como as de emenda constitucional, exigem três quintos dos deputados, ou 308 votos, e dependem de negociação caso a caso. A formação do bloco também não significa que seus integrantes concordem em todas as pautas: cada partido mantém as suas.
O que observar nos próximos passos
O primeiro ponto é se haverá candidatura alternativa. Segundo o Estadão, em relato de bastidores publicado nos últimos dias, parte do PL defende que o Republicanos seja substituído como candidato à presidência da Casa. Trata-se de uma informação de imprensa sobre articulações internas, e não de posição oficial do partido, que não aparece na reportagem da Agência Câmara.
O segundo ponto é a formalização do bloco. A Agência Câmara informa que o bloco foi anunciado, mas a reportagem não detalha quando ele será formalizado nem quem o liderará. Os números de cada bancada podem mudar até a posse dos eleitos.
O terceiro ponto é o Senado. A disputa pela presidência da outra Casa segue em aberto, e o Política Diária já registrou que Alcolumbre disse a aliados ter 48 votos para seguir no cargo, segundo a CNN Brasil, e a conta ainda não foi testada. As duas eleições costumam ser acompanhadas em conjunto porque o entendimento entre os presidentes das Casas define o ritmo de votação de propostas que passam pelas duas.
Enquanto isso, o Congresso atual segue em atividade, com sessões do plenário e das comissões até o fim da legislatura. As movimentações de bloco e de apoio à Mesa são acompanhadas de perto porque podem mudar a distribuição de comissões estratégicas, como a de Constituição e Justiça, a de Orçamento e a de Finanças e Tributação. Os números oficiais de cada bancada podem ser consultados na página da seção Congresso por dentro.
Fonte original
Agência Câmara de Notícias
camara.leg.br
Perguntas frequentes
Quem escreveu
Equipe Política Diária
Redação da Política Diária
A equipe da Política Diária escreve para quem quer entender a política brasileira e internacional sem torcida. Cada texto parte de fontes primárias (Diário Oficial, Câmara, Senado, STF, TSE, organismos internacionais e veículos de imprensa identificados) e é escrito em português claro, separando fato de opinião.