Tarcísio recebe apoio de aliados após críticas de bolsonaristas
Governador de SP foi chamado de traidor por apoiadores radicais de Jair Bolsonaro depois da derrota de Flávio. Aliados o defenderam nas redes no sábado (31).
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), passou a receber manifestações públicas de apoio de aliados depois de ser criticado por parte da direita nas redes sociais. Segundo a CNN Brasil, apoiadores radicais de Jair Bolsonaro chamaram o governador de "traidor" depois da derrota de Flávio Bolsonaro (PL) para Lula (PT) no segundo turno de 25 de outubro. As manifestações de defesa foram publicadas no sábado (31).
O gatilho das críticas, de acordo com a reportagem, foi um vídeo que Tarcísio publicou na terça-feira (27) dizendo que a disputa eleitoral havia acabado e que o país precisava olhar para a frente. Em entrevistas posteriores, ele também afirmou que poderá disputar a Presidência em 2030. A CNN descreve o movimento dos aliados como um gesto de respaldo político num momento de atrito com a ala mais radical do bolsonarismo.
Quem saiu em defesa do governador
Ainda segundo a CNN Brasil, deputados estaduais, integrantes do governo paulista e outras lideranças elogiaram o trabalho de Tarcísio nas redes, e o próprio governador compartilhou as mensagens em seus perfis. Entre os que se manifestaram estão:
- André do Prado (PL), presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp);
- o coronel Henguel Ricardo Pereira, chefe da Casa Militar;
- o deputado estadual Capitão Telhadinha (PP);
- o secretário da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves.
A reportagem registra que o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), e o senador eleito Guilherme Derrite (PP) não tinham publicado defesas semelhantes até sábado, embora ambos tenham feito campanha ao lado do governador. Pessoas próximas a Nunes descrevem a relação como desgastada, na leitura de que Tarcísio evita proximidade pública para manter distância de problemas da gestão municipal, como as falhas de transporte no dia do segundo turno e um pedido de impeachment na Câmara Municipal. A CNN ressalva que essa é a avaliação de interlocutores de Nunes, e que não há confirmação de que seja uma estratégia deliberada do governador.
O que Tarcísio disse sobre o resultado
Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, publicada em 29 de outubro e relatada pela Gazeta do Povo, o governador disse que poderá concorrer ao Planalto em 2030, depois de cumprir o segundo mandato à frente do estado. A frase atribuída a ele foi: "Mas isso é uma coisa que você avalia em grupo, você não avalia sozinho". Ele acrescentou que a decisão dependerá do cenário político da época.
Sobre a eleição deste ano, Tarcísio rejeitou a tese de fraude. "Não cabe contestar o resultado das urnas", afirmou, segundo a Gazeta do Povo. Para ele, o papel da oposição agora é fiscalizar o governo. O governador atribuiu a derrota de Flávio, em parte, a um pacote de gastos lançado por Lula na reta final da campanha, que, na avaliação dele, enganou eleitores. Essa é uma interpretação de Tarcísio, não um dado verificado, e o governo Lula tem posição própria sobre as medidas anunciadas durante a campanha.
A posição sobre as urnas contrasta com a carta que Flávio Bolsonaro divulgou nos Estados Unidos, em duas versões, na qual contesta o resultado. A reação de lideranças do PL a esse texto foi registrada em nota sobre o líder da oposição no Senado, Rogério Marinho, e em outra sobre a declaração de Valdemar Costa Neto, presidente do PL.
Os números de São Paulo, segundo a Gazeta do Povo
Tarcísio foi reeleito no primeiro turno, com 14.491.874 votos, ou 62,65% dos votos válidos. A Gazeta do Povo comparou esses números com os da disputa presidencial no estado. No segundo turno, Flávio recebeu 14.139.178 votos em São Paulo, 352.696 a menos do que o governador teve no primeiro turno. Lula somou 12.119.274, ou 3.695.618 a mais do que Fernando Haddad (PT) obteve na eleição estadual, com 8.423.656.
O jornal registra ainda que o comparecimento subiu 970.133 eleitores entre os turnos e que os votos válidos aumentaram em 3.127.939, com queda de brancos e nulos. A própria reportagem alerta que a comparação não mostra para onde foi cada voto, porque os cargos e as rodadas são diferentes. Os resultados nacionais, por sua vez, estão na nota sobre a marcação de Lula como eleito pelo TSE e no painel Eleições 2026.
Contexto: do favorito de 2026 ao apoio a Flávio
Segundo a Gazeta do Povo, Tarcísio chegou a ser considerado o substituto natural de Jair Bolsonaro depois que o ex-presidente foi declarado inelegível e, mais tarde, preso. Lideranças do centrão, como Ciro Nogueira e Gilberto Kassab, apoiaram essa hipótese. A escolha de Bolsonaro recaiu, porém, sobre o filho, Flávio, e Tarcísio concorreu à reeleição em São Paulo. Entre os turnos, de acordo com a CNN, ele fez campanha intensa para Flávio, participou de eventos em vários estados e disse que mais de cem atos haviam sido organizados em São Paulo.
O debate sobre 2030 já circula em outros estados. Em Fortaleza, segundo o jornal O Povo, os deputados estaduais cearenses Sargento Reginauro e Felipe Mota, ambos do PSDB, comentaram numa publicação do governador chamando-o de "presidente". Tarcísio havia publicado um vídeo com a legenda "A eleição passou. O Brasil continua". Os dois parlamentares não se reelegeram em 4 de outubro.
Por que isso importa
A derrota de Flávio Bolsonaro abriu uma discussão sobre quem lidera a oposição a partir de 2027. De um lado, o senador, que está nos Estados Unidos, tem dito que continuará à frente do campo. De outro, o governador do estado mais populoso do país reconhece o resultado e defende uma oposição de fiscalização. A disputa interna se dá em público, nas redes, e pode influenciar a relação do bloco com o governo, com o Senado e com a base do centrão.
Para o leitor, o ponto prático é que a oposição entra na nova legislatura com mais de uma voz. O PL terá a maior bancada do Senado a partir de 2027, segundo a CNN Brasil em reportagem sobre a eleição da Casa, e aliados do bolsonarismo foram bem nas urnas. Quem fala em nome desse campo terá peso nas negociações de pauta, no Orçamento e nas votações de propostas do governo, entre elas a PEC da Segurança Pública, marcada para a terça-feira (3) no Senado.
Do lado do governo, a montagem do ministério e a articulação com o Congresso seguem em curso, como mostram as notas sobre o Planalto e o centrão e sobre o adiamento da definição de nomes para dezembro. A forma como a oposição se organizar dará o tom dessa negociação.
O que observar a seguir
Alguns pontos devem esclarecer o quadro nas próximas semanas, sempre com fonte aberta:
- se Nunes, Derrite e outros aliados paulistas farão manifestações públicas sobre as críticas ao governador;
- como o PL e o Republicanos vão tratar a liderança da oposição na Câmara e no Senado;
- a eleição para a presidência do Senado, em 1º de fevereiro, em que Davi Alcolumbre (União-AP) e Rogério Marinho (PL-RN) aparecem como nomes citados;
- a situação de Flávio Bolsonaro, que deixou o país e responde a decisões do Supremo Tribunal Federal sobre passaporte, como mostra a nota sobre a decisão de Alexandre de Moraes.
Esta nota atribui cada afirmação a quem a fez. As críticas a Tarcísio vêm de usuários de redes sociais descritos pela CNN como apoiadores radicais de Jair Bolsonaro, sem lista de nomes na reportagem. As defesas foram feitas por pessoas identificadas. A Política Diária não tomou posição sobre nenhum dos lados e não confirmou, em fonte independente, o conteúdo das mensagens citadas. O governador ainda não anunciou candidatura a nada além do cargo atual.
Fonte original
CNN Brasil
cnnbrasil.com.br
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Equipe Política Diária
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