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Ataque em voo da flydubai a Tel Aviv expõe falhas na checagem de pilotos

Copiloto omanense é apontado por fontes como autor de ataque ao comandante em 30 de setembro. Israel, Emirados e EUA discutem falhas de vigilância e a hipótese de ligação com o Irã.

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Ataque em voo da flydubai a Tel Aviv expõe falhas na checagem de pilotos
Foto: Ralf Roletschek (GFDL 1.2) / Wikimedia Commons

Um voo da companhia aérea flydubai que se aproximava de Israel foi alvo de um ataque dentro da cabine em 30 de setembro, segundo reportagem da CBS News publicada em 5 de outubro. O copiloto, identificado por fontes à emissora como Hamam al Hamami, de nacionalidade omanense, teria atacado o comandante com um machado de emergência e tentado derrubar o avião, de acordo com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, passageiros e o próprio comandante. As acusações não passaram por julgamento, e o suspeito é tratado aqui como suspeito.

O comandante, Smit Machchhar, resistiu ao ataque tempo suficiente para destrancar a porta da cabine. Passageiros israelenses e funcionários da companhia dominaram o copiloto, e dois pilotos da empresa que viajavam fora de serviço assumiram os comandos e pousaram a aeronave em Tabuk, na Arábia Saudita. Machchhar falou de um hospital saudita, onde se recuperava de ferimentos de faca, segundo a CBS.

O que se sabe sobre o suspeito

Um funcionário israelense disse à CBS que o copiloto contou a interrogadores dos Emirados Árabes Unidos que planejou o ataque antes de entrar na flydubai, mais de um ano antes, e pretendia lançar o avião contra o aeroporto Ben Gurion, em Tel Aviv. A informação vem de uma única fonte oficial, citada pela emissora, e não foi confirmada por autoridades emiradenses em nota pública.

A reportagem diz que ele já havia voado para Israel antes. Segundo as fontes, trabalhou na Oman Air, foi retirado das funções de piloto depois que a vigilância mostrou acessos a sites radicais, passou por treinamento e foi transferido para um trabalho administrativo, tendo pedido demissão por volta de 2024. A flydubai o contratou sem consulta ao governo de Omã. O pai é omanense e a mãe, síria, e ele não nasceu em Omã e viveu principalmente fora do Golfo. Fontes disseram que ele pode ter dupla cidadania, o que explicaria a entrada em Israel.

O governo de Omã não confirmou publicamente a nacionalidade do copiloto, segundo a CBS. A flydubai disse não poder comentar por causa da investigação em andamento. A companhia anunciou a suspensão dos voos para Israel, de acordo com o noticiário do jornal Times of Israel de 30 de setembro.

Falhas de segurança e disputa de responsabilidade

Israel exige listas antecipadas de passageiros e tripulantes de voos estrangeiros, em virtude de uma lei de 2023, e, ao menos no passado, uma divisão de segurança do Ministério dos Transportes checava cada nome. Eytan Ben David, ex-integrante da segurança da El Al, disse à CBS que um piloto omanense não deveria ter sido autorizado a voar para Israel, já que Omã não tem relações diplomáticas formais com o país. Para ele, as tripulações estrangeiras são uma lacuna potencial que deve provocar uma revisão.

O Ministério dos Transportes e as agências de segurança de Israel disseram, segundo a reportagem, que não eram responsáveis pela checagem das tripulações estrangeiras. Ben David afirmou que a tarefa cabe principalmente à área de segurança do Ministério dos Transportes. Há, portanto, uma divergência entre as versões, que a investigação deve esclarecer.

Segundo o Times of Israel, Netanyahu mandou o chefe do Conselho de Segurança Nacional, Shmuel Ben Ezra, nomear um examinador para revisar "todos os aspectos" da segurança de voos civis estrangeiros para Israel. O ex-chefe do órgão Eyal Hulata criticou a medida, que chamou de ritual vazio, e disse que a responsabilidade é do primeiro-ministro. O jornal também relatou, com base em Haaretz e Canal 12, que o Shin Bet alertou a ministra dos Transportes, Miri Regev, sobre falhas na segurança dos voos, e que ela não agiu. Esses pontos são relatos de imprensa e atribuições de adversários políticos, não conclusões oficiais.

A hipótese de ligação com o Irã

O presidente dos EUA, Donald Trump, disse que, "pelo que estou ouvindo", o copiloto pode ter trabalhado para o Irã ou com o Irã, segundo a CBS. A reportagem afirma que ele é o único alto funcionário americano ou israelense a sugerir essa ligação. O vice-presidente JD Vance disse que a inteligência americana não havia sinalizado o copiloto especificamente, mas que ele não deveria estar pilotando um avião comercial, e que os EUA revisam seus procedimentos.

O Times of Israel registra que Vance afirmou não ter visto provas conclusivas que liguem Teerã ao caso. A reportagem da CBS não traz resposta do governo iraniano. Sem prova pública, a ligação com o Irã continua sendo uma hipótese levantada por um dirigente, e não um fato estabelecido.

Contexto e por que isso importa

O episódio ocorre em uma região em tensão. A cobertura internacional recente trata de uma guerra no Oriente Médio e de eleições em Israel, marcadas para 27 de outubro, segundo o Times of Israel. Nesse ambiente, qualquer incidente de aviação ganha dimensão política: governos disputam quem tem responsabilidade, e adversários usam o caso em campanhas.

Para o setor de aviação, a questão central é a checagem de tripulantes. Companhias que operam em rotas sensíveis dependem de verificações cruzadas entre os países de origem, de destino e do emprego. O relato da CBS sugere que a falta de consulta ao governo de Omã na contratação e a dupla cidadania teriam dificultado a identificação do risco. Se as informações forem confirmadas pela investigação, o caso tende a levar a regras mais rígidas para tripulações estrangeiras.

Para o leitor brasileiro, o caso mostra como uma falha de segurança pode virar assunto diplomático em poucos dias, com consequências para voos e para as relações entre países. A reportagem da CBS não trata de efeitos para o Brasil.

O que observar a seguir

As próximas etapas incluem o resultado da investigação conduzida pelos Emirados, a conclusão da revisão determinada por Netanyahu, eventuais mudanças nas exigências para tripulações estrangeiras e a decisão da flydubai sobre a retomada das rotas para Israel. Também será relevante verificar se o governo de Omã e o dos Emirados farão declarações oficiais e se aparecerão provas públicas sobre a motivação do suspeito.

Outros acontecimentos do cenário internacional estão na cobertura sobre a convocação de eleições antecipadas na Espanha e sobre a ordem de Trump sobre o diesel. Para acompanhar o noticiário geral, acesse a página de notícias.

Fonte original

CBS News

cbsnews.com

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Perguntas frequentes

Segundo a CBS News, em 30 de setembro o copiloto teria atacado o comandante e tentado derrubar o avião. Passageiros e funcionários dominaram o suspeito, e dois pilotos que viajavam fora de serviço pousaram o avião em Tabuk, na Arábia Saudita. O comandante se recuperava de ferimentos em hospital saudita.
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