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Trump assina ordem que adia imposto federal sobre diesel até 31/12

Decreto de 5 de outubro permite ao Tesouro dos EUA adiar a cobrança de tributos sobre o diesel para agricultores e caminhoneiros e suspende multas pelo uso de diesel tingido em rodovias.

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Trump assina ordem que adia imposto federal sobre diesel até 31/12
Foto: Railway Club of Pittsburgh (No restrictions) / Wikimedia Commons

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou na segunda-feira (5) uma ordem executiva intitulada "Alívio tributário de emergência sobre o diesel". O texto, publicado no site da Casa Branca, autoriza o secretário do Tesouro a adiar o pagamento de certos impostos federais sobre o diesel incorridos de 5 de outubro a 31 de dezembro de 2026. O decreto também prevê que a Receita federal americana (IRS) não aplique multas pelo uso de diesel tingido em rodovias no mesmo período.

A justificativa, segundo o documento, é que agricultores e caminhoneiros foram "particularmente atingidos" pela alta do preço do diesel ligada à restrição da oferta global. A Casa Branca afirma que a medida "colocará dinheiro diretamente no bolso" de agricultores, caminhoneiros e trabalhadores. O decreto não traz estimativa de valores nem de economia por motorista.

O que a ordem determina

O adiamento não é automático. A seção 2 condiciona o benefício a uma determinação do secretário do Tesouro, em até cinco dias, de que o alívio é autorizado pelo artigo 7508A do Código da Receita Federal americano (Internal Revenue Code) e de que ocorreu um evento que o justifique. Os valores adiados não teriam multas nem juros, "na medida autorizada por lei".

Em até cinco dias, o IRS deve anunciar que não aplicará as penalidades previstas para a venda ou o uso de diesel tingido em rodovias. O diesel tingido, normalmente destinado a usos como máquinas agrícolas e geradores, é isento de parte dos tributos federais porque não deve ser usado em veículos de estrada. O decreto também trata de multas por depósitos de tributos que deixarem de ser feitos nas datas semimensais.

O Tesouro deve emitir orientações que detalhem quem está coberto, as condições e as datas, inclusive o prazo em que os impostos postergados terão de ser pagos. O decreto não fixa essa data. A seção 4 manda o Tesouro estudar formas, inclusive legislativas, de eliminar a obrigação de pagar os valores adiados. Ou seja, adiar não é perdoar, a menos que essa etapa seja concluída, e isso depende do Congresso.

Fiscalização e abastecimento

O texto não afrouxa todas as regras. O IRS deve avaliar como alocar recursos para inspeções e coletas de amostras em tanques de combustível durante o período e anunciar a decisão publicamente. O Departamento de Transportes, por meio da agência de segurança de transportes de carga (FMCSA), deve coordenar-se com estados, setor e sindicatos e "continuar todas as medidas de fiscalização do cumprimento". O Departamento de Agricultura deve trabalhar com grupos agrícolas e distribuidores para garantir diesel tingido em áreas de alta demanda, e a Casa Branca deve incentivar os estados a adotar medidas correspondentes.

O decreto ressalva que está sujeito à disponibilidade de recursos e que não cria direitos exigíveis por terceiros. Nos EUA, ordens executivas orientam o governo federal, mas não podem alterar leis aprovadas pelo Congresso. Por isso, o texto repete a expressão "na medida autorizada por lei" em pontos centrais.

Contexto: combustíveis, guerra e preços

O decreto não detalha as razões da restrição da oferta global de diesel. Em outra frente, a Reuters citou a guerra no Oriente Médio e seu efeito sobre os preços dos combustíveis como fator de risco para a inflação, em reportagem sobre a reação do mercado brasileiro ao primeiro turno. O texto da Casa Branca, porém, não faz essa ligação.

O diesel é insumo central do transporte de cargas e da agricultura. Por isso, variações no preço tendem a se espalhar para alimentos, fretes e bens em geral. O alívio tributário temporário, se aplicado, reduz o desembolso imediato de empresas e produtores, mas não muda o preço do combustível nas bombas por si só, e o efeito sobre o consumidor final é incerto.

Por que isso importa

Para o leitor brasileiro, a notícia é um exemplo de como governos têm usado instrumentos tributários para reagir à alta de combustíveis. O Brasil também discute, de tempos em tempos, tributos e política de preços dos combustíveis, e a comparação ajuda a entender as escolhas de cada país. Os Estados Unidos são grandes produtores de petróleo e derivados, e decisões da Casa Branca sobre o setor influenciam os preços internacionais, que por sua vez afetam a inflação brasileira.

No plano político americano, medidas de alívio de custos têm peso em um período de campanha eleitoral, já que o país escolhe em novembro os integrantes do Congresso nas eleições legislativas de meio de mandato. Críticos de medidas desse tipo costumam apontar o custo fiscal e o risco de distorções, enquanto defensores sustentam que o alívio atinge setores que enfrentam custos mais altos. Esses argumentos são de cada lado do debate e não constam do decreto.

Do ponto de vista jurídico, o ponto central é a autoridade do Executivo. O decreto se apoia em dispositivo que permite ao Tesouro adiar prazos de pagamento em situações específicas, e não cria nem extingue tributo. Eliminar a dívida dos valores adiados exigiria ação do Congresso, como o próprio texto reconhece ao mandar estudar caminhos legislativos.

O que observar a seguir

A primeira etapa será a determinação do secretário do Tesouro e o anúncio do IRS, ambos previstos para os próximos cinco dias. Depois, as orientações detalharão quem poderá aderir e quando os impostos terão de ser pagos. Também será relevante acompanhar se o Congresso americano debaterá a eliminação dos valores adiados e se estados anunciarão medidas correspondentes.

Outras notícias internacionais recentes que afetam o leitor brasileiro estão na cobertura sobre a reação da Argentina ao primeiro turno brasileiro. Para acompanhar o noticiário diário, acesse a página de notícias.

Fonte original

Casa Branca

whitehouse.gov

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Perguntas frequentes

Autoriza o secretário do Tesouro a adiar o pagamento de certos impostos federais sobre o diesel de 5 de outubro a 31 de dezembro de 2026, sem multas nem juros na medida da lei, e manda o IRS anunciar que não punirá o uso de diesel tingido em rodovias no período.
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Quem escreveu

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A equipe da Política Diária escreve para quem quer entender a política brasileira e internacional sem torcida. Cada texto parte de fontes primárias (Diário Oficial, Câmara, Senado, STF, TSE, organismos internacionais e veículos de imprensa identificados) e é escrito em português claro, separando fato de opinião.

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