Ibovespa passa de 200 mil pontos e dólar cai abaixo de R$ 5 no pós-1º turno
Na segunda-feira (5), mercado reagiu ao resultado do primeiro turno: bolsa renovou máxima, dólar saiu da casa dos R$ 5 e juros futuros recuaram. Analistas pedem cautela.
O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, superou os 200 mil pontos pela primeira vez na história na segunda-feira (5), e o dólar caiu abaixo de R$ 5,00 pela primeira vez desde 18 de maio. A reação do mercado ao resultado do primeiro turno da eleição presidencial foi descrita em reportagem da Reuters, reproduzida pelo Investing.com Brasil. Às 11h21, o índice subia 7,55%, a 206.610 pontos, segundo o texto.
No câmbio, o dólar tinha fechado a sexta-feira anterior a R$ 5,2173 e passou a operar abaixo de R$ 5,00. Os juros futuros também caíram com força: o contrato com vencimento em janeiro de 2035 recuava 126 pontos-base, para 12,875%, e o de janeiro de 2028, 83 pontos-base, para 12,68%, às 11h24. Os valores de cada operador podem diferir ao longo do dia, e a reportagem aponta que o movimento reflete expectativas, não fatos consumados.
O que levou o mercado a reagir
No domingo (4), Flávio Bolsonaro (PL) teve 47,03% dos votos válidos e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), 45,16%. Como nenhum dos dois passou de 50%, os dois disputam o segundo turno em 25 de outubro. Segundo a Reuters, investidores esperam que um eventual governo de Flávio promova ajuste fiscal, enquanto a política fiscal do governo Lula é vista com desconfiança. O raciocínio do mercado, descrito na reportagem, é que menos gasto público poderia esfriar a inflação e abrir espaço para cortes de juros.
A agência também cita como fator o desempenho do PL na eleição legislativa, que conquistou a maior bancada tanto na Câmara quanto no Senado, tema da cobertura sobre as bancadas eleitas em 2026. Ações de bancos e do varejo lideraram as altas: o Bradesco avançava 12,95%, a Petrobras, 5,45%, e a Magazine Luiza, mais de 26%, favorecida pela expectativa de juros menores. Fundos negociados no exterior que replicam ativos brasileiros subiram mais de 12% durante a madrugada, de acordo com a reportagem.
A leitura sobre estatais também aparece no texto. Ronaldo Guimarães, sócio da KAT Investimentos, afirmou que os preços das estatais já refletem mudanças de gestão esperadas, o que traz potencial de alta, mas também mais volatilidade.
Contexto: juros, inflação e o papel do Banco Central
A taxa básica de juros, a Selic, está em 13,75% ao ano, segundo a Reuters. O Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, é quem define a taxa, em reuniões periódicas, com base na meta de inflação, nas expectativas e no cenário externo. A queda dos juros futuros indica que o mercado passou a apostar em cortes mais rápidos, mas essa aposta pode mudar com novos dados de inflação e com o resultado do segundo turno.
A reportagem menciona dois riscos que continuam no radar dos analistas: o efeito da guerra no Oriente Médio sobre os preços dos combustíveis e o impacto do fenômeno El Niño sobre a inflação de alimentos. Esses fatores independem do resultado eleitoral e podem pressionar os preços no curto prazo. Para o leitor, vale lembrar que o dólar mais baixo costuma baratear produtos importados e insumos, mas o efeito sobre o preço final leva tempo.
O Banco Central tem autonomia formal para definir os juros e não segue o calendário eleitoral. As decisões do Copom, portanto, não dependem de quem vencer a eleição, embora as expectativas de inflação e de contas públicas influenciem o comitê.
O que dizem os analistas
Os analistas ouvidos pela Reuters pedem cautela. Marco Saravalle, estrategista-chefe da Krivo Capital, afirmou: "Mas há uma diferença importante entre expectativa e entrega". Segundo ele, essa diferença determinará a sustentabilidade do movimento. Saravalle também disse: "Congresso de direita não significa automaticamente Congresso fiscalista", em referência ao fato de que a composição do Legislativo não garante, por si, a aprovação de medidas de controle de gastos.
José Faria Júnior, diretor da Wagner Investimentos, afirmou não ser recomendável exagerar na compra de dólares por parte de importadores, e disse ver possível um movimento em direção a R$ 4,90 e R$ 4,80. A análise é uma projeção individual e não uma previsão oficial.
Por que isso importa
O mercado financeiro é um termômetro de expectativas, não uma pesquisa de opinião nem um juízo sobre qual candidato é melhor para o país. Alta da bolsa e queda do dólar beneficiam alguns grupos, como investidores e importadores, e podem prejudicar outros, como exportadores que recebem em dólar. Os juros futuros, por sua vez, afetam o custo do crédito para empresas, famílias e para o próprio governo, que paga juros sobre a dívida pública.
Do ponto de vista político, a reação mostra que o mercado leu o primeiro turno como favorável a uma agenda de ajuste fiscal. A reportagem registra a leitura dos investidores sobre a política fiscal do governo atual, mas não traz a posição do governo nem da campanha de Lula, que também pode ser consultada nas manifestações oficiais. O equilíbrio entre gasto público e disciplina fiscal é um debate legítimo, e cabe ao eleitor avaliar.
A volatilidade também pode crescer até 25 de outubro. Movimentos fortes em um dia costumam ser seguidos por realização de lucros, quando investidores vendem para embolsar ganhos. Pesquisas, debates e eventos de campanha tendem a mexer nos preços, como já ocorre nos segundos turnos estaduais, que também ocorrem em 25 de outubro.
O que observar a seguir
Os próximos marcos são a divulgação do IPCA de setembro, a próxima reunião do Copom e as pesquisas de intenção de voto para o segundo turno. Para entender melhor a política econômica e seus limites, as resenhas e os artigos do site reúnem livros sobre economia e Estado de diferentes correntes de pensamento. Para acompanhar a cobertura diária, acesse a página de notícias.
Fonte original
Reuters (via Investing.com Brasil)
br.investing.com
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Quem escreveu
Equipe Política Diária
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