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Israel: boca de urna aponta empate sem maioria no Knesset

Pesquisas de boca de urna dos canais 12, 13 e Kan não dão 61 cadeiras a Netanyahu nem à oposição de Eisenkot; só o Canal 14 projeta 60 ao premiê. A apuração segue.

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As pesquisas de boca de urna divulgadas na noite de terça-feira (27) em Israel, após o fechamento das urnas às 22h no horário local, indicam que nem o bloco do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu nem o da oposição, liderada pelo ex-chefe do Estado-Maior Gadi Eisenkot, alcançou os 61 deputados necessários para a maioria no Knesset, o Parlamento de 120 cadeiras. Segundo o Ynetnews, o Canal 12 projeta 50 cadeiras para o bloco de Netanyahu e 52 para o bloco de oposição, e o Canal 13 projeta 50 e 53.

Boca de urna é projeção feita a partir de entrevistas com eleitores, não é resultado oficial, e as próprias emissoras ressalvam que partidos próximos do limite mínimo de votos podem entrar ou sair. A NBC News registra que a Kan, emissora pública, também aponta 50 para o bloco do premiê e 53 para o outro lado, e que o Canal 14, de linha favorável a Netanyahu, destoa: projeta 60 cadeiras para o bloco governista e 43 para a oposição. Este texto descreve as projeções, e o resultado oficial pode ser diferente.

O que mostram as projeções

No Canal 12, segundo o Ynetnews, o Likud, partido de Netanyahu, aparece com 24 cadeiras e o Yashar!, de Eisenkot, com 22. O Beyahad (também grafado B'Yachad) teria 12, os Democratas 9, o Yisrael Beiteinu 9, o Ra'am 7, o Judaísmo Unido da Torá 7, o Shas 6 e o Sionismo Religioso-Zehut 6. No Canal 13, o Likud tem 25, o Yashar! 23, o Beyahad 14, os Democratas 9, o Yisrael Beiteinu 7, o Ra'am 7, o Judaísmo Unido da Torá 7, o Shas 6 e o Sionismo Religioso-Zehut 6.

Os partidos árabes somam 18 cadeiras no Canal 12 (11 da Lista Conjunta e 7 do Ra'am) e 17 no Canal 13, acima do que as últimas pesquisas pré-eleitorais indicavam, de acordo com o mesmo jornal. O Jerusalem Post aponta que, com os blocos em torno de 50, essas bancadas poderiam ser decisivas, mas o NBC News informa que tanto Netanyahu quanto Eisenkot descartaram governar com partidos de liderança árabe.

Três legendas aparecem abaixo da cláusula de barreira de 3,25% nos levantamentos do Ynetnews: Amcha Yisrael, do general reformado Ofer Winter, o partido dos Reservistas e da Economia, de Yoaz Hendel e Yaron Zelekha, e o Partido Público Haredi. Votos dados a elas não viram cadeiras, o que pode mexer na distribuição final.

O que disseram os líderes

Segundo o Jerusalem Post, Eisenkot afirmou que as primeiras projeções mostram falta de confiança no governo de Netanyahu e prometeu agir de imediato para formar um governo que inclua o alistamento militar. O NBC News cita outra frase dele: se esses forem os resultados finais, será uma vitória da maioria sionista de centro. O mesmo Jerusalem Post informa que Eisenkot rejeitou servir sob Netanyahu, inclusive em um governo de rodízio, o que torna improvável um governo de união.

Netanyahu, depois de votar, disse que era um momento muito emocionante e decisivo, segundo o NBC News. A agência registra também que ele afirmou, numa rede social, que apoiadores da Irmandade Muçulmana estariam invadindo locais de votação. Segundo o NBC News, a Comissão Central de Eleições não confirmou a alegação e relatou não haver irregularidades generalizadas. A posição de cada lado é atribuída a quem a emitiu, e a Política Diária não verificou a afirmação por conta própria.

Como funciona o que vem agora

A contagem real ainda está no começo. O Ynetnews informa que mais de 650 mil votos em envelope duplo (de soldados, diplomatas, presos e outros eleitores fora do local de registro) precisam ser contados separadamente, e a Comissão Central de Eleições disse que o processo pode ir até a manhã de sexta-feira (30). O NBC News cita o prazo de 4 de novembro para o resultado oficial. As duas datas se referem a etapas diferentes e podem ser ajustadas pela comissão.

Depois da confirmação, o presidente de Israel, Isaac Herzog, consulta os partidos eleitos e encarrega um deputado de tentar formar maioria de 61 votos. Como nenhum partido jamais ganhou sozinho a maioria no Knesset, as negociações costumam levar semanas, segundo o NBC News. A CNN, em sua cobertura ao vivo, cita como cenários plausíveis um impasse prolongado, um governo de minoria, um governo de união ou uma nova eleição. Na cobertura de segunda-feira (26), a Política Diária já mostrava que as pesquisas finais antes da votação apontavam blocos abaixo da maioria.

Houve também forte comparecimento. O Ynetnews informa que 74,3% dos eleitores aptos haviam votado até as 20h locais, o maior índice naquele horário desde 1988, contra 66,3% no mesmo horário de novembro de 2022.

Por que isso importa para o Brasil

O Brasil tem relação diplomática delicada com Israel. Em 25 de agosto de 2025, Israel retirou o pedido de aprovação do nome de Gali Dagan para a embaixada em Brasília e anunciou que trataria a relação em nível diplomático inferior, segundo o Metrópoles. A reportagem registra que o Itamaraty ainda não havia comentado na ocasião. A Política Diária não encontrou, nas fontes consultadas, informação sobre mudança nesse quadro desde então.

Quem governar Israel nos próximos meses será interlocutor do governo brasileiro que tomará posse em 5 de janeiro, conforme a data da posse definida depois do resultado do segundo turno. Um governo de coalizão estável ou meses de negociação alteram a agenda de Gaza, de reconhecimentos diplomáticos e de votações na ONU, em que o Brasil se manifesta. Um impasse com nova eleição prolonga a incerteza no Oriente Médio, região que influencia o preço do petróleo e os mercados.

Há ainda um ponto comparativo. Israel usa voto proporcional em lista nacional única, com barreira de 3,25%, e o resultado costuma ser uma negociação longa entre partidos. No Brasil, o debate sobre a composição das bancadas na Câmara e no Senado também passa pelo desafio de governar sem maioria própria, ainda que o sistema brasileiro e o israelense funcionem de forma diferente.

O que observar a seguir

O primeiro marcador é o resultado da apuração, que pode alterar o placar das projeções, sobretudo para as legendas próximas da barreira. Depois vêm a confirmação oficial pela Comissão Central de Eleições, as consultas de Herzog e as primeiras tentativas de formar maioria. A questão sobre os partidos árabes, que ambos os principais candidatos dizem não aceitar como parceiros de governo, é um dos pontos que mais pesam nas contas. Também é preciso acompanhar se haverá reação do governo brasileiro e se o tema entrará na pauta da transição. A Política Diária atualizará a cobertura quando houver números oficiais.

Fonte original

Ynetnews

ynetnews.com

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Perguntas frequentes

Ainda não há vencedor definido. As pesquisas de boca de urna dos canais 12, 13 e Kan indicam que nenhum bloco chega aos 61 deputados necessários, segundo o Ynetnews e o NBC News. O resultado oficial depende da contagem dos votos, e o prazo citado é 4 de novembro.
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Quem escreveu

Equipe Política Diária

Redação da Política Diária

A equipe da Política Diária escreve para quem quer entender a política brasileira e internacional sem torcida. Cada texto parte de fontes primárias (Diário Oficial, Câmara, Senado, STF, TSE, organismos internacionais e veículos de imprensa identificados) e é escrito em português claro, separando fato de opinião.

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