Milei comemora 1º turno de Flávio e põe à prova a relação com o Brasil
Presidente argentino parabenizou Flávio Bolsonaro após o primeiro turno. Relação bilateral está estremecida desde julho, mas o comércio entre os dois países soma US$ 31,2 bilhões.

O presidente da Argentina, Javier Milei, parabenizou publicamente o candidato Flávio Bolsonaro (PL) na noite de domingo (4), depois do primeiro turno da eleição presidencial brasileira. Segundo o The Rio Times, Milei escreveu na rede X que a votação foi "histórica contra o comunista Lula" e disse esperar que os dois trabalhem juntos em breve. A mensagem começava com "La Libertad Avanza en Brasil", nome do partido de Milei, e chamava Flávio de "querido amigo".
Pelos números da apuração, Flávio teve 47,03% dos votos válidos e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), 45,16%, uma diferença de cerca de 2,2 milhões de votos. Como nenhum passou de 50%, o segundo turno será em 25 de outubro. A manifestação de um chefe de Estado estrangeiro sobre uma eleição em curso é incomum e rendeu reações em Buenos Aires.
O que Milei e o governo argentino disseram
Milei escreveu também que o continente americano pertence aos cidadãos que querem viver em liberdade e que a Argentina e o Brasil devem seguir como "grandes parceiros comerciais, culturais e políticos". Segundo o jornal, ele acompanhou a apuração da residência presidencial de Olivos, nos arredores de Buenos Aires, e encerrou a mensagem com seu lema de campanha, "Viva la libertad, carajo".
O chanceler argentino, Pablo Quirno, afirmou, em entrevista ao canal LN+, que o resultado ajudaria a Argentina do ponto de vista econômico porque os dois países ficariam alinhados no Mercosul. Patricia Bullrich, segundo a reportagem, classificou o quadro como uma oportunidade histórica para comércio e investimentos. Já Sergio Massa, ex-candidato presidencial argentino, apoiou Lula. A reportagem não traz resposta do governo brasileiro nem da campanha de Lula à mensagem de Milei.
Contexto: relação estremecida desde julho
De acordo com o Rio Times, a relação entre os governos está tensa. Em 25 de julho, no lançamento da campanha de Flávio em São Paulo, Milei chamou Lula de ladrão e de presidiário, segundo o jornal. O Brasil reagiu chamando seu embaixador de volta e, em 4 de agosto, rebaixou a representação diplomática para encarregado de negócios. O embaixador argentino deixou Brasília dias depois, e até 2 de outubro nenhum dos dois havia retornado.
A reportagem diz que diplomatas argentinos temem que um governo Bolsonaro possa competir com Milei pela atenção do presidente americano Donald Trump. É uma avaliação atribuída a diplomatas, não uma posição oficial. O texto registra ainda que Quirno questionou, na entrevista, se Lula chegaria a disputar o segundo turno, e que Lula, em discurso, respondeu que é muito bom na fase decisiva da disputa.
Por que um governo estrangeiro opina sobre a eleição de outro? A prática é controversa. A Carta da ONU e o direito internacional protegem a soberania dos Estados, e a diplomacia costuma evitar manifestações que possam ser lidas como interferência. Governos defendem que parabenizar um candidato ou comentar resultados faz parte da liberdade de expressão de seus líderes, enquanto críticos veem risco de ruído nas relações. Cada lado tem argumentos, e a avaliação final cabe ao leitor.
Os números do comércio
O Brasil é o principal parceiro comercial da Argentina desde 1991, segundo o texto. O comércio entre os dois países chegou a US$ 31,2 bilhões em 2025, o maior valor desde 2013. A Argentina exportou US$ 12,8 bilhões ao Brasil e importou US$ 18,4 bilhões, um déficit de cerca de US$ 5,7 bilhões. O trigo foi o principal produto agrícola exportado, com US$ 1,2 bilhão.
No primeiro semestre de 2026, o Brasil absorveu 12,6% das exportações argentinas e forneceu 22,3% das importações do país, de acordo com a reportagem. Um acordo bilateral do setor automotivo vale até junho de 2029, e o Brasil é a quarta maior fonte de investimento estrangeiro direto na Argentina. Os dados são citados pelo jornal e podem ser conferidos em estatísticas oficiais de comércio exterior.
Por que isso importa
A economia dos dois países está muito integrada. Mudanças de tom político em Brasília ou Buenos Aires podem afetar negociações no Mercosul, a política cambial, o fluxo de turismo e investimentos. Analistas de Buenos Aires ouvidos pela reportagem esperam um real mais forte caso Flávio mantenha a liderança, o que tornaria produtos argentinos relativamente mais baratos para os brasileiros, e dizem que um Mercosul alinhado tenderia a priorizar o comércio. Essas são projeções de analistas.
No Brasil, o mercado já reagiu ao primeiro turno, como mostra a cobertura da alta do Ibovespa e da queda do dólar. O cenário político interno também depende do Congresso eleito, tema da cobertura sobre as bancadas da Câmara e do Senado. Para o eleitor, a política externa é uma das áreas em que o próximo presidente tem mais autonomia, mas os acordos comerciais dependem de negociações com os parceiros do Mercosul e, em muitos casos, de aprovação do Congresso.
Se Lula vencer, a reportagem observa que Milei teria de lidar com um governo cujo déficit orçamentário ele comparou, em setembro, ao da crise argentina de 2001. Se Flávio vencer, o texto registra que ele disse que convidaria Milei ao Brasil. Em ambos os casos, os dois países seguem vinculados por laços comerciais que resistiram a outras fases de tensão política.
O que observar a seguir
Até 25 de outubro, serão relevantes eventuais declarações de outros governantes, a possível volta dos embaixadores e a evolução das campanhas. Depois do segundo turno, o foco passa para a transição de governo e para a pauta do Mercosul. Também vale acompanhar as reações do governo brasileiro e das campanhas às manifestações de líderes estrangeiros.
Outras notícias do cenário internacional estão na cobertura sobre a eleição antecipada na Espanha. Para o noticiário diário, acesse a página de notícias.
Fonte original
The Rio Times
riotimesonline.com
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Quem escreveu
Equipe Política Diária
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