Presidente do Paraguai, Santiago Peña, renuncia em meio ao caso Ueno
Peña anunciou a renúncia após o colapso do Ueno Bank e o avanço do pedido de juízo político. O vice Pedro Alliana deve assumir. Veja o que se sabe até agora.

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou nesta quinta-feira (5) que renuncia ao cargo, em meio à crise provocada pela liquidação do Ueno Bank, banco digital com cerca de 3 milhões de clientes. A informação é da Agência Brasil, que afirma que o vice-presidente, Pedro Alliana, assumirá a Presidência. Peña tinha assumido o cargo em 15 de agosto de 2023, com mandato até 2028.
O anúncio veio no mesmo dia em que a Câmara dos Deputados paraguaia debatia a abertura de um juízo político contra ele. Segundo a Agência Brasil, Peña disse que decidiu deixar o cargo pela estabilidade do país e para preservar as instituições, e pediu desculpas ao povo paraguaio. O jornal Última Hora registra que a carta de renúncia deu entrada no Congresso Nacional às 13h33 (horário local). A formalização da aceitação e a posse do vice ainda não tinham sido relatadas nas fontes consultadas até a publicação deste texto.
Como a crise do Ueno virou crise política
Tudo começou na terça-feira (3), quando o Banco Central do Paraguai (BCP) anunciou a resolução do Ueno Bank, procedimento que o regulador usa quando uma instituição não cumpre as exigências de solvência. Segundo o ABC Color, o índice de solvência do banco ficou abaixo de 50% do mínimo exigido, e aplicativos e cartões deixaram de funcionar para quase 3 milhões de clientes. O presidente do BCP, Carlos Carvallo, renunciou naquele mesmo dia, a pedido de Peña, conforme o ABC Color. A saída dele já foi tratada na nossa cobertura sobre a renúncia do presidente do Banco Central paraguaio.
Carvallo foi diretor do Ueno até 2023, antes de chefiar o BCP, e a oposição passou a questionar a supervisão do banco. Peña, por sua vez, foi acionista do Grupo Vázquez, que controla o Ueno, até março de 2025, segundo a Agência Brasil. Em outubro de 2025, parlamentares da oposição já haviam apresentado uma denúncia criminal por suposto conflito de interesses ligado ao banco, de acordo com a cobertura da imprensa paraguaia. A Política Diária registra essas acusações como alegações de parlamentares: não há decisão judicial sobre responsabilidade de Peña nem do banco.
Na quarta-feira (4), um bloco de 35 deputados apresentou uma resolução para abrir o juízo político contra Peña e contra o vice Alliana, com base no artigo 225 da Constituição, conforme o ABC Color. O texto aponta suposto conflito de interesses ligado à participação acionária de Peña no Ueno Holding. A presidência da Câmara convocou sessão extraordinária para tratar do tema.
O que mudou nas últimas horas
A pressão política aumentou em poucas horas. A Agência Brasil afirma que Peña ficou sem o apoio do próprio partido, o Colorado, que passou a defender o juízo político. O ex-presidente Horacio Cartes, líder do partido, disse que a legenda não ficaria ao lado do que chamou de roubo de recursos públicos, privados e de aposentados, segundo o texto. O ABC Color também registra que a cúpula colorada tinha pedido a Peña que renunciasse antes de ser submetido ao juízo político.
O quadro no Legislativo, porém, ainda não está claro nas fontes. A Última Hora publicou, às 15h21 (horário local), que os deputados aprovaram por unanimidade o prosseguimento do juízo político mesmo depois da renúncia. O ABC Color, em outra chamada, aponta que no Senado há consenso para seguir com o processo, para que o caso não termine impune. A Política Diária não conseguiu confirmar o placar da votação em fonte oficial, e por isso não informa números. Também não foi possível confirmar, em texto completo, se a renúncia já foi aceita pelo Congresso e quando o vice toma posse.
A Agência Brasil informa ainda que o Ministério Público paraguaio pediu a prisão de oito pessoas ligadas ao banco, entre elas o presidente da instituição, Juan Manuel Gustale. A Última Hora fala em 27 pessoas acusadas no caso. Os números vêm de veículos diferentes e podem refletir momentos diferentes da investigação.
A situação dos depositantes
O ponto central para a população é o acesso ao dinheiro. A Agência Brasil informa que o Ueno concentra cerca de 30% dos depósitos de fundos públicos, estimados em US$ 850 milhões, e que o banco paga aposentadorias a milhares de pessoas. O fundo de garantia de depósitos cobre até 75 salários mínimos por pessoa, o equivalente a cerca de US$ 38 mil, segundo a reportagem. O BCP afirma que 97% dos depositantes estão totalmente cobertos; a agência Moody's, citada pela Bloomberg Línea, estima que apenas 30% dos depósitos estariam dentro do limite da garantia. As duas leituras usam bases diferentes e a diferença não foi explicada nas fontes.
Na renúncia, em vídeo divulgado nas redes sociais, Peña disse que a prioridade é que os depositantes recuperem seus recursos, segundo a Última Hora e o ABC Color. Os jornais registram ainda que ele não assumiu culpa pela crise. A associação de importadores Asimcopar alertou, segundo a Agência Brasil, para uma paralisia parcial do comércio, já que duas em cada três transações das grandes redes varejistas passam por contas no Ueno.
Por que isso importa para o Brasil
O Paraguai é vizinho do Brasil, sócio do Mercosul e parceiro na usina de Itaipu, binacional. Uma troca de presidente em meio a uma crise bancária e política afeta o ambiente de negócios de um país onde há forte presença de produtores e empresas brasileiras. A Agência Brasil lembra que a presença do agronegócio brasileiro no Paraguai é grande, e que a crise ameaça a imagem do país como destino de capital estrangeiro na América do Sul, segundo análise citada no texto.
Para o Mercosul, o episódio cai em um momento de agenda carregada. O bloco discutiu recentemente a cláusula democrática do Protocolo de Montevidéu, aprovada pelo Senado brasileiro, e a expectativa de exportações com o acordo com a União Europeia. A Política Diária não encontrou, nas fontes consultadas, manifestação do governo brasileiro sobre a renúncia de Peña, e por isso não atribui posição ao Itamaraty ou ao Palácio do Planalto.
O caso também dialoga com o debate regional sobre a política externa dos Estados Unidos. A cobertura da semana tratou do resultado das eleições de meio de mandato americanas, tema da nossa notícia sobre a vitória democrata na Câmara e no Senado dos EUA. Não há, nas fontes sobre o Paraguai, relação direta entre os dois fatos, e a Política Diária não estabelece essa ligação. Já a agenda do presidente Lula na região aparece na matéria sobre a retomada das viagens internacionais, com Mercosul e COP31.
O que a Constituição paraguaia prevê
Segundo a Última Hora, o artigo 234 da Constituição determina que o vice-presidente assuma a Presidência para completar o mandato em caso de vacância. É esse dispositivo que embasa a expectativa de posse de Pedro Alliana. O juízo político, previsto no artigo 225, é o procedimento pelo qual a Câmara acusa e o Senado julga o presidente. As fontes divergem em detalhes sobre o andamento: o ABC Color descreve que a maioria colorada na Câmara arquivou o pedido contra o vice e pediu um intervalo para não votar o processo contra Peña, enquanto a Última Hora noticia a aprovação unânime do prosseguimento. A cobertura mais recente deve esclarecer o que de fato foi votado.
O próprio Alliana aparece na resolução dos 35 deputados, que o inclui entre os alvos do juízo político, segundo o ABC Color. Se esse pedido prosperar, a sucessão também pode ser afetada. Por ora, as fontes tratam como esperada a posse do vice, e não como fato consumado.
O que observar a seguir
Os próximos pontos são: a aceitação formal da renúncia pelo Congresso e a posse de Alliana; o resultado do juízo político, que pode seguir mesmo com a saída de Peña; o pagamento dos depositantes pelo fundo de garantia, em lei sancionada na quarta-feira (4), conforme a Última Hora; e as investigações do Ministério Público sobre os dirigentes do Ueno. A Política Diária atualiza a cobertura quando houver fonte aberta e conferida, mantendo a distinção entre o que é decisão oficial, declaração de cada parte e acusação ainda sem julgamento.
Fonte original
Agência Brasil
agenciabrasil.ebc.com.br
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Equipe Política Diária
Redação da Política Diária
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