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Paraguai: presidente do BC diz ter assinado renúncia após caso Ueno

O Banco Central do Paraguai abriu a resolução do Ueno Bank por falta de solvência e seu presidente, Carlos Carvallo, disse ter assinado a renúncia. Veja o que se sabe.

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Paraguai: presidente do BC diz ter assinado renúncia após caso Ueno
Foto: FF MM (CC BY-SA 4.0) / Wikimedia Commons

O presidente do Banco Central do Paraguai (BCP), Carlos Carvallo, informou na terça-feira (3) que assinou sua renúncia, pouco depois de anunciar um procedimento de resolução do Ueno Bank, banco digital que tem cerca de 3 milhões de clientes, segundo a reportagem da Reuters republicada pela Agência Brasil. O motivo apontado pelo BCP é um déficit no índice de solvência da instituição. Carvallo disse que continuará no cargo enquanto os procedimentos do Ueno forem executados.

Segundo a cobertura do jornal paraguaio ABC Color, o BCP citou uma insuficiência no índice de solvência, abaixo de 50% do mínimo exigido, e a decisão da diretoria foi tomada por unanimidade. A Superintendência de Bancos vai nomear interventores para verificar a situação patrimonial do banco. O caso é o maior episódio bancário recente de um vizinho do Brasil no Mercosul e interessa ao leitor brasileiro por causa de vínculos comerciais, de energia e de investimento entre os dois países.

O que o Banco Central do Paraguai anunciou

O BCP informou, nas primeiras horas de terça-feira, que abriu um procedimento de resolução do Ueno Bank. Resolução, no vocabulário de supervisão bancária, é o conjunto de medidas que um regulador usa para tratar uma instituição que não cumpre os requisitos de solvência: congelar ativos e passivos, apurar o balanço real e decidir o destino dos depósitos e dos bens do banco. Segundo o ABC Color, os ativos e passivos do Ueno estão congelados, e cartões, contas e o aplicativo do banco ficaram indisponíveis por ora.

O banco central afirmou que a apuração começou em junho de 2026, quando a Superintendência de Bancos encontrou indícios de empréstimos do Ueno a empresas ligadas ao grupo controlador. Entre os fatores citados estão a piora da liquidez, fragilidades em cadastros de crédito e serviços de tecnologia ativados sem justificativa adequada. A Reuters acrescenta que o Ueno pertence majoritariamente ao Grupo Vázquez e que, nos últimos meses, a instituição vinha sob escrutínio por supostos empréstimos excessivos a empresas ligadas ao grupo, o que pesou sobre seus títulos em dólar com vencimento em 2031 e sobre os títulos soberanos paraguaios.

Grupo Vázquez e Ueno não responderam aos pedidos de comentário da Reuters até a publicação da reportagem. A Política Diária registra, portanto, apenas a versão do regulador e dos relatos jornalísticos, e não há decisão judicial sobre responsabilidades.

Garantia de depósitos e próximos passos

De acordo com o ABC Color, o Fundo de Garantia de Depósitos cobre até 75 salários mínimos mensais por pessoa ou empresa em cada banco, o equivalente a 228.300.000 guaranis. A EFE, em texto publicado pelo Infobae, converte esse teto em cerca de US$ 38,6 mil. Autoridades afirmam que os depósitos dentro desse limite estão protegidos e serão devolvidos. Os saldos acima do teto dependem da conciliação entre ativos e passivos, que ainda não terminou. Pagamentos de aposentadorias também foram declarados garantidos.

O prazo é de até 15 dias, contados do início do procedimento, para concluir o chamado balanço de exclusão, e o diretor Marco Aurelio González disse que o banco central trabalha para encurtá-lo, conforme o ABC Color. Cerca de 120 funcionários do BCP foram enviados às agências do Ueno para conciliar ativos e passivos. Depois do balanço, os clientes poderão operar na instituição que escolherem, e ativos e passivos poderão ser transferidos a outros bancos por um processo competitivo. Os títulos internacionais seguem as regras próprias de emissão, e os nacionais dependem do balanço de exclusão.

A Reuters relata ainda que o Ministério Público pediu uma investigação criminal sobre os fatos envolvendo o Ueno e que a polícia reforçou a segurança em uma agência em Ñemby, onde clientes ansiosos, entre eles aposentados, se reuniram na terça-feira em frente a agências fechadas. Um cliente ouvido pela agência disse: "Estamos exigindo acesso ao dinheiro que temos aqui no banco Ueno."

A renúncia de Carlos Carvallo

Carvallo preside o BCP desde 2023 e já havia comandado o Ueno antes, até agosto de 2023, segundo a Reuters. Em entrevista coletiva, afirmou: "Meu afastamento ajudará a acalmar a controvérsia em torno do BCP." Pela versão da EFE, ele disse ter assinado a renúncia antecipadamente para que o banco central tivesse tranquilidade para trabalhar, mas que os acontecimentos exigiram sua permanência no posto. Não há data divulgada para a saída.

O BCP e Carvallo enfrentam críticas sobre a forma como supervisionaram o Ueno e sobre supostos laços políticos, de acordo com a Reuters. A EFE lembra que, em outubro de 2024, o presidente Santiago Peña chamou de "campanha midiática" reportagens sobre um possível conflito de interesses, e que, segundo o ABC Color, ele vendeu em abril de 2025 as ações que tinha na Ueno Holding. A reportagem da EFE não traz declaração nova de Peña sobre o caso. Segundo a mesma agência, o vice-presidente Pedro Alliana, que pausou na véspera sua pré-candidatura à presidência pelo Partido Colorado, citou o Ueno ao pedir ação diante de uma "crise financeira".

O BCP e Carvallo classificam o caso como "um fato pontual e isolado" e dizem que o sistema financeiro segue sólido. A diretora Liana Caballero disse, segundo a EFE, que o banco representa menos de 9% do sistema financeiro e que não vê risco de contágio. Essas são avaliações das autoridades paraguaias, não conclusões independentes.

Quem tinha dinheiro no Ueno

A EFE aponta como exposição relatada cerca de US$ 380 milhões do Instituto de Previdência Social (IPS), depósitos de aproximadamente 32 mil aposentados e recursos da estatal de eletricidade ANDE e da usina de Itaipu. Em 2024, o IPS comprou títulos do Ueno de 250.000 milhões de guaranis (cerca de US$ 32 milhões na época), com prazo de sete anos. A Reuters, por sua vez, afirma que o Ueno administra cerca de US$ 850 milhões em recursos públicos no Paraguai. As duas contagens vêm de fontes diferentes e a Política Diária não as soma.

A menção a Itaipu é o ponto de contato mais direto com o Brasil. A usina é binacional, dividida em partes iguais entre os dois países pelo tratado que a criou, e a EFE cita recursos da entidade entre os depositantes do banco paraguaio. A reportagem não detalha valores nem se os recursos pertencem à parte brasileira ou à paraguaia, e a Política Diária não encontrou, até esta publicação, posição oficial do governo brasileiro ou de Itaipu sobre o assunto.

Por que isso importa

Para o leitor brasileiro, o episódio importa por três razões. A primeira é a vizinhança econômica: o Paraguai é membro do Mercosul, bloco ao qual o Brasil pertence e que mantém um acordo comercial com a União Europeia em aplicação provisória, tema tratado na cobertura sobre a alta de 21% nas vendas com tarifa menor na UE, segundo o MDIC. Um abalo na confiança de investidores sobre um sócio do bloco costuma pesar nos títulos da região, e a Reuters já relata pressão sobre os papéis soberanos paraguaios.

A segunda é a energia. Itaipu e a ANDE são parte do arranjo elétrico entre os dois países, e qualquer questão de caixa de entidades públicas paraguaias é acompanhada em Brasília por causa da relação binacional. Por ora, o que se sabe é apenas o que a EFE reportou sobre a presença desses recursos no banco.

A terceira é institucional. O caso reúne regulação bancária, política e a reputação de um país que, segundo a Reuters, se tornou um dos destinos emergentes da América do Sul para capital estrangeiro. A forma como o Paraguai tratar a devolução dos depósitos, a apuração criminal pedida pelo Ministério Público e a sucessão no banco central será observada por investidores e governos da região, inclusive o brasileiro, que recentemente acompanhou outros temas regionais, como a aprovação, pelo Senado, de acordos de cooperação com Guiana e Venezuela.

O que observar a seguir

O primeiro marco é o balanço de exclusão, previsto em até 15 dias, que dirá o tamanho do buraco patrimonial e se os depósitos acima do teto de garantia poderão ser cobertos. O segundo é a definição de quem substituirá Carvallo e quando ele deixará o cargo, ponto sem data divulgada. O terceiro é o andamento da investigação criminal pedida pelo Ministério Público, que dirá se há responsabilidades individuais a apurar. Até uma eventual decisão judicial, pessoas e empresas citadas devem ser tratadas como investigadas, e não como culpadas.

Também vale acompanhar a reação dos mercados à dívida soberana paraguaia e o destino dos ativos do Ueno, que poderão passar a outros bancos em um processo competitivo. Para o Brasil, o acompanhamento é de vizinhança: o país não é parte do procedimento, e a Política Diária seguirá registrando fatos novos com fonte aberta. Quem quiser ver o quadro geral da política regional pode consultar também a cobertura sobre as viagens previstas do presidente eleito, que incluem uma cúpula do Mercosul em Montevidéu, ainda sem confirmação do Planalto.

Fonte original

Agência Brasil (Reuters)

agenciabrasil.ebc.com.br

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Perguntas frequentes

O Banco Central do Paraguai abriu um procedimento de resolução do Ueno Bank porque o índice de solvência ficou abaixo de 50% do mínimo exigido. Ativos e passivos foram congelados, interventores vão verificar o patrimônio e o prazo para o balanço de exclusão é de até 15 dias.
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