PF registra 86 possíveis crimes eleitorais no 2º turno e conduz 74
Balanço da Polícia Federal aponta 13 inquéritos e 64 termos circunstanciados; violação do sigilo do voto é o tipo mais comum, com 38 casos. Dados são preliminares.

A Polícia Federal (PF) registrou 86 casos de possíveis crimes eleitorais no segundo turno das eleições de 2026, realizado no domingo (25), e conduziu 74 pessoas à corporação. Os números constam do balanço final da atuação da PF no segundo turno, publicado no portal da instituição na segunda-feira (26), às 12h24. A própria PF classifica os valores como preliminares e sujeitos a validação.
Segundo a PF, até as 8h de segunda-feira foram instaurados 13 inquéritos policiais e registrados 64 termos circunstanciados de ocorrência (TCOs). Outras 6 situações de flagrante seguiam em análise. A CNN Brasil e a Agência Brasil publicaram os mesmos números.
O que a PF contabilizou
O tipo mais frequente foi a possível violação, ou tentativa de violação, do sigilo do voto, com 38 casos. Depois vêm a propaganda eleitoral irregular (24), a desordem nos trabalhos eleitorais (8) e a desobediência eleitoral (6). Segundo a Agência Brasil, houve ainda registros de dano a urnas eletrônicas e de suspeita de votação em nome de terceiros, sem contagem divulgada para esses casos.
Por estado, a lista da PF cita ocorrências em 21 unidades da federação. A Paraíba aparece com 11 casos, Minas Gerais com 9 e Sergipe com 8. Na sequência estão Bahia, Pernambuco e Rio de Janeiro, com 5 cada; Alagoas, Espírito Santo e Mato Grosso, com 4 cada; e Acre, Distrito Federal, Piauí, Paraná e São Paulo, com 3 cada. Ceará, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Pará, Rio Grande do Norte e Rondônia têm 2 cada, e Santa Catarina, 1.
Uma observação de conferência: a soma dos estados listados é 83, e não 86. Nem a PF nem os veículos que reproduziram o balanço explicam a diferença de 3 casos. Por isso, este texto usa o total de 86 como informado pela corporação e trata a distribuição por estado como parcial.
Apreensões e o acumulado do ano
No segundo turno, a PF informa ter apreendido R$ 41.420,02 em bens e valores, dos quais R$ 4.157,00 em dinheiro. Entre os itens estão celulares, equipamentos de informática e equipamentos de som. Os dados são da PF e não detalham em quais ocorrências cada item foi recolhido.
O balanço traz também números do ano inteiro, atualizados até as 9h30 de segunda-feira. Em 2026, a PF instaurou 1.629 inquéritos sobre crimes eleitorais e deflagrou 98 operações. Há 2.483 inquéritos em andamento, número maior que o dos instaurados no ano; o material da PF não explica a diferença. Os bens e valores apreendidos em ações de crimes eleitorais somam R$ 51.947.512,10, dos quais R$ 31.752.150,20 em dinheiro.
A PF contabiliza ainda 104 inquéritos em andamento sobre violência política contra a mulher, tipificada no artigo 326-B do Código Eleitoral, dos quais 88 foram instaurados em 2026.
Como ler esses números
Um caso registrado pela PF é uma ocorrência a ser apurada, não um crime comprovado. O termo circunstanciado de ocorrência é o registro usado para infrações de menor potencial ofensivo, e o inquérito policial é a investigação formal, que pode ou não resultar em denúncia do Ministério Público. Quem foi conduzido à PF segue como investigado ou testemunha até decisão da Justiça: só sentença judicial define culpa.
A própria PF alerta que os números são dinâmicos e podem mudar com novas ocorrências, investigações e atualizações de sistemas. O painel de acompanhamento da corporação é a fonte para a consulta atualizada. Também não há, no material divulgado, comparação com o primeiro turno, e este texto não faz essa comparação por falta de dado verificado.
Os números da PF também não se confundem com os do Ministério da Justiça. No dia da votação, o centro de comando do ministério divulgou boletins parciais, como o das 9h, que somava 32 ocorrências e está na nota sobre o balanço das ocorrências eleitorais no segundo turno. Os critérios de contagem e os horários de corte são diferentes, e por isso os totais não podem ser somados nem comparados diretamente.
Por que isso importa
O balanço dá uma medida pública do que foi levado à polícia no dia da votação, num segundo turno que terminou com a proclamação de Luiz Inácio Lula da Silva como eleito pelo Tribunal Superior Eleitoral. O tipo mais comum, a violação do sigilo do voto, é tratado pela PF como possível crime a ser apurado caso a caso.
Para os eleitores, a informação mostra quais condutas mais motivaram registros e reforça a regra de não expor o voto. Para a Justiça Eleitoral e o Ministério Público Eleitoral, os inquéritos e TCOs são o material de partida para eventuais processos. Para candidatos e partidos, nenhum dos números divulgados atribui responsabilidade a campanha ou campo político, e esta nota também não o faz.
O balanço do dia da votação convive com os outros números do processo eleitoral. O balanço do presidente do TSE tratou de urnas trocadas e processos na Justiça Eleitoral, e a prorrogação da votação até as 19h foi explicada na nota sobre a pausa na totalização após a prorrogação. São frentes distintas: a PF cuida de investigação criminal, e o TSE, da organização e do julgamento eleitoral.
O que observar a seguir
Os próximos passos dependem da validação dos dados pela PF e do andamento dos inquéritos e TCOs, que seguem para a Justiça Eleitoral e o Ministério Público Eleitoral. A diferença entre a soma por estado (83) e o total (86) deve ser esclarecida quando a corporação consolidar o painel. Quem presenciar crime eleitoral pode comunicá-lo à Justiça Eleitoral, ao Ministério Público Eleitoral ou à polícia.
Para o resultado oficial, a distribuição de votos e os números do pleito, consulte o painel Eleições 2026. Informações sobre fraude, prisões ou urnas que circulem nas redes devem ser conferidas na seção de checagem antes de serem repassadas. A regra de que o eleitor não pode ser preso até 48 horas após o pleito, salvo exceções, está explicada na nota sobre o eleitor que não pode ser preso no segundo turno.
Fonte original
Polícia Federal
gov.br
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Equipe Política Diária
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