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PF envia ao STF caso sobre Flávio e Willer Tomaz; defesa nega inquérito

Material da PF sobre suspeita de lavagem de dinheiro chegou ao STF em 8 de outubro e Moraes é o relator. A defesa de Flávio diz que não há inquérito aberto.

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PF envia ao STF caso sobre Flávio e Willer Tomaz; defesa nega inquérito
Foto: Falcão Alado (CC BY-SA 4.0) / Wikimedia Commons

A Polícia Federal enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) material de uma investigação sobre suspeita de lavagem de dinheiro que envolve o advogado Willer Tomaz, empresas ligadas a ele e o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência no segundo turno. Segundo o Poder360, que reproduz informações do jornal O Estado de S. Paulo sem confirmá-las de forma independente, o caso chegou à Corte em 8 de outubro e foi distribuído por sorteio ao ministro Alexandre de Moraes.

O ponto de maior divergência é o estágio do procedimento. Veículos descreveram o caso como um novo inquérito. A assessoria do senador afirma que não foi aberto novo inquérito contra ele e que o material é um expediente recém-autuado, pendente de análise, sem conversão em inquérito, sem manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) e sem decisão judicial. A Gazeta do Povo tratou o procedimento como aberto, mas não informa número do processo nem fase formal. Este texto registra as duas versões e não confirma qual delas está correta.

O que a reportagem atribui ao relatório da PF

De acordo com o Poder360, a apuração começou na primeira instância da Justiça Federal no Rio Grande do Sul, onde eram investigados lavagem de dinheiro, evasão de divisas e uso de casas de apostas e plataformas de pagamento digital. O caso foi remetido ao STF por causa do foro por prerrogativa de função de Flávio Bolsonaro, que é senador e, por isso, só pode ser investigado com autorização da Corte.

A PF teria quebrado o sigilo telemático de Tomaz e encontrado e-mails indicando que Flávio foi cadastrado como "usuário master" de uma conta bancária da Alcazar Holdings, empresa do advogado. O relatório aponta ainda uma "relação de proximidade" entre os dois, com referências a festas e reuniões e documentos pessoais do senador armazenados na nuvem de Tomaz. Segundo a Gazeta do Povo, outro e-mail, de 2025, pede ao banco a retirada do nome de Flávio da conta, e empresas ligadas ao advogado teriam intermediado o pagamento de passagens do senador e de familiares.

Uma conta de Tomaz movimentou cerca de R$ 130 milhões entre março e maio de 2025. A PF, segundo as reportagens, afirma ser preciso aprofundar a origem e o destino desses recursos. Segundo a Gazeta do Povo, a Polícia Federal não encontrou indício de contrapartida de Flávio ao advogado, e até a data das matérias não havia denúncia, condenação nem elemento público que comprovasse irregularidade por parte do senador.

As respostas dos citados

A defesa de Flávio Bolsonaro diz que a relação com Tomaz se limita à amizade entre as famílias e nega que ele tenha mantido conta bancária compartilhada com o advogado ou com empresas dele. Segundo a Gazeta do Povo, a defesa classifica como "inferência sem fundamento" a atribuição de irregularidades a essa relação. O senador chamou a investigação de "fake news" com motivação eleitoral e nega ter cometido crime.

Willer Tomaz diz, em nota, que a relação com o senador "se limita à amizade", sem vínculo comercial ou financeiro, e contesta as informações sobre viagens. Segundo o Poder360, a defesa dele afirma que as empresas e participações são lícitas e declaradas no Imposto de Renda, que não há sócios ocultos nem patrimônio escondido e que a Rede Loto, controlada pela Cathedral, nunca lançou operação de apostas. Sustenta ainda que Flávio nunca teve acesso ou poderes sobre contas de empresas do advogado. Os advogados dizem não ter tido acesso aos autos, pediram acesso e criticam a divulgação "seletiva" de peças sigilosas a seis dias do segundo turno.

As reportagens não registram manifestação da PGR sobre o caso e não trazem posição oficial do STF nem de Moraes. Foi a distribuição por sorteio, e não uma escolha do ministro, que o levou à relatoria, segundo a Gazeta do Povo.

Contexto: outros procedimentos e o calendário eleitoral

Segundo o Poder360, Flávio já é investigado em outro inquérito no STF, aberto em julho, sob relatoria do ministro André Mendonça, sobre o financiamento do filme Dark Horse, uma cinebiografia de Jair Bolsonaro, por pedido ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Tomaz foi alvo de busca em agosto na operação Sem Desconto, na qual, segundo a Gazeta do Povo, Flávio não era investigado. A reportagem do Poder360 menciona ainda uma foto do senador em um safári, em março de 2025, ao lado de Tomaz e do senador Weverton Rocha (PDT-MA), ambos investigados por fraudes no INSS, e uma viagem à Flórida em jatinho do qual o advogado é dono de um terço.

O assunto já chegou ao Congresso. O PT recolheu assinaturas para uma comissão parlamentar mista de inquérito sobre Flávio, Vorcaro e Tomaz, enquanto o PL fez o mesmo em relação a Lulinha, como mostra a notícia sobre as assinaturas para as CPMIs. Nenhum dos pedidos tinha, até a última contagem divulgada, as 198 assinaturas exigidas.

A informação veio a público no domingo (18), pouco antes do debate da Band, que o site descreveu em o confronto entre Lula e Flávio e nas regras do debate. No debate, Lula propôs que os dois candidatos abrissem os sigilos, tema que aparece em outra notícia do site. A votação do segundo turno é no domingo, 25 de outubro.

Por que isso importa

O caso une três ingredientes que costumam gerar ruído: um candidato com foro no STF, um relatório policial divulgado em parte pela imprensa e o calendário eleitoral. Para o eleitor, a distinção central é entre investigação e acusação. Investigar significa apurar indícios. Não há denúncia apresentada pela PGR, não há decisão de Moraes divulgada sobre o material, e uma pessoa investigada permanece inocente até que haja condenação definitiva.

O segundo ponto é o procedimento. Se o material for apenas um expediente autuado, como diz a defesa, o próximo passo cabe ao relator e à PGR: decidir se pede diligências, se abre inquérito formal ou se arquiva. Se já houver inquérito, como descreveram alguns veículos, a documentação oficial no STF deveria mostrar a classe processual e a decisão que o instaurou. Até a publicação, nenhuma das duas versões foi confirmada por documento do tribunal ao qual o site teve acesso.

O terceiro ponto é a regra do jogo eleitoral. Investigações envolvendo candidatos são parte normal do trabalho das instituições, mas o momento da divulgação foi questionado pela defesa dos citados, que fala em motivação eleitoral. As reportagens consultadas registram que o caso foi distribuído a Moraes por sorteio. Cabe à Justiça, e não às campanhas, decidir sobre a consistência das provas.

O que observar a seguir

Os próximos movimentos possíveis são a manifestação da PGR sobre o material, uma decisão de Moraes sobre eventual abertura de inquérito ou diligências, o acesso dos advogados aos autos, hoje pedido pela defesa de Tomaz, e o aprofundamento ou não das apurações sobre a origem dos R$ 130 milhões. Também vale acompanhar se o tribunal divulga oficialmente a classe e o estágio do processo, o que resolveria a divergência entre as versões.

No campo político, a pauta deve continuar na reta final da campanha, e as duas candidaturas têm suspeitas em exame nos tribunais, como mostra o requerimento sobre Lulinha. A mesma régua vale para os dois lados: nenhuma suspeita vira fato sem decisão judicial. Para acompanhar resultados, pesquisas e o calendário do segundo turno com fonte e data, o painel Eleições 2026 reúne os dados atualizados, e a notícia sobre o calendário da última semana do segundo turno resume os prazos da Justiça Eleitoral.

Quem quiser entender melhor como funcionam as instituições de controle e o papel do Judiciário no sistema político pode consultar as resenhas de livros do site. Esta notícia será atualizada, com data e hora, caso o STF, a PGR ou a PF se manifestem oficialmente sobre o estágio do procedimento.

Fonte original

Poder360

poder360.com.br

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Perguntas frequentes

Há divergência. Alguns veículos descrevem um novo inquérito no STF sob relatoria de Alexandre de Moraes. A assessoria de Flávio afirma que é um expediente pendente de análise, sem conversão em inquérito, sem manifestação da PGR e sem decisão judicial. O site não conseguiu confirmar o estágio em documento do tribunal.
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