Democratas dos EUA criticam visto a Flávio Bolsonaro e cobram Trump
Bancada democrata da comissão de Relações Exteriores da Câmara dos EUA e o deputado Joaquin Castro reagem aos vistos à família de Flávio. A Casa Branca não deu versão oficial.
Parlamentares do Partido Democrata dos Estados Unidos criticaram nesta quarta-feira (28) a decisão do governo de Donald Trump de conceder visto ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e à família dele. Segundo a Agência Brasil, a bancada democrata da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos EUA comparou o tratamento dado a Flávio ao de pessoas que fogem de guerras e crises, e o deputado Joaquin Castro (Texas) disse que perder uma eleição não é motivo para asilo.
A crítica é um posicionamento político de parlamentares da oposição ao presidente americano, não uma decisão de autoridade. Na reportagem consultada, não há declaração oficial do Departamento de Estado sobre a categoria do visto, e nem a defesa de Flávio nem o governo dos EUA haviam detalhado o caso. Flávio é investigado no Supremo Tribunal Federal (STF), e investigado não é réu nem condenado.
O que disseram os democratas
De acordo com a Agência Brasil, a bancada democrata do comitê publicou na rede X uma mensagem em que afirma que não há asilo para quem foge da guerra no Sudão ou do conflito no Haiti, e que o secretário de Estado, Marco Rubio, estaria "estendendo o tapete vermelho" para Bolsonaro. A mensagem acrescenta que fugir da violência não qualifica um migrante para entrar nos EUA, mas que "negar resultados eleitorais" qualificaria. A publicação diz ainda que o Departamento de Estado pretende conceder vistos a Flávio e à família.
O deputado Joaquin Castro afirmou, segundo a mesma reportagem, que o governo Trump deve explicações ao Congresso americano sobre o papel que teria tido na saída de Flávio do Brasil. Ele também disse que o senador é investigado no Brasil por suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas e que teve a ordem de entregar os passaportes. A Metrópoles registra que o candidato democrata Isaiah Martin também se manifestou e pediu a deportação de Flávio. Essas falas são opiniões de quem as emitiu, e a investigação brasileira não resultou em denúncia, segundo o que foi publicado até agora.
O que se sabe sobre a viagem e os vistos
A sequência foi relatada pela imprensa nos últimos dois dias. A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, mandou Flávio entregar os passaportes e o proibiu de deixar o país, em inquérito sobre suspeita de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Segundo a Agência Brasil, a Polícia Federal (PF) afirma que ele cruzou a fronteira com a Argentina na terça-feira (27) e embarcou em avião particular com a mulher e as duas filhas, e que não há registro de passagem dele por posto migratório brasileiro. A notícia sobre o relato da imigração argentina detalha a escala no Equador. A PF informou que as restrições a documentos de viagem, por si sós, não caracterizam a condição de foragido.
Segundo a Gazeta do Paraná, que cita a agência Reuters, a família pousou em Miami nesta quarta-feira, e o Departamento de Estado confirmou a emissão dos vistos. Essa confirmação aparece em um veículo e não na reportagem da Agência Brasil, e este site não localizou, até a publicação, o comunicado do departamento. A mesma reportagem lembra que visto não é asilo: o reconhecimento de asilo político exige procedimento próprio, e nada indica que ele tenha sido pedido ou concedido.
Ainda de acordo com a Gazeta do Paraná, Trump foi questionado por jornalistas sobre a possibilidade de asilo e respondeu que aprovaria. Ele chamou a família de "pessoas legais", classificou a eleição brasileira de "muito estranha" e "terrível" sem apresentar provas de irregularidades, e disse conhecer Lula, Flávio e Jair Bolsonaro e não tomar partido. A declaração anterior de Trump sobre a eleição já havia sido registrada aqui, e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) havia afirmado que não houve irregularidades na votação.
Contexto: a eleição e a relação entre os dois governos
Lula foi declarado eleito no segundo turno de 25 de outubro, com 51,79% dos votos válidos, conforme o arquivo oficial do TSE. A diferença para Flávio Bolsonaro foi de 4.430.191 votos. Os números oficiais ficam no painel Eleições 2026.
A Gazeta do Paraná lembra que, em 7 de outubro, os deputados Gregory Meeks e Sydney Kamlager-Dove lideraram um grupo de 12 parlamentares que questionou o Departamento de Estado sobre a revogação do visto da embaixadora brasileira Maria Luiza Ribeiro Viotti, e criticou o que chamou de interferência na eleição brasileira. Ou seja, a divergência entre democratas e o governo Trump sobre o Brasil não nasceu agora. O Itamaraty, por sua vez, já havia repudiado a ingerência do governo argentino na eleição, outro capítulo da mesma semana.
Por que isso importa
Primeiro, o episódio tira a discussão do plano jurídico brasileiro e a leva ao Congresso americano. Os democratas fazem oposição ao governo Trump, e um pedido de explicações não obriga o governo a responder. Sem comunicação formal do Executivo americano, o que existe são declarações de parlamentares, relatos de imprensa e falas de Trump a jornalistas.
Segundo, a distinção entre visto e asilo define o que pode acontecer depois. Com visto, uma pessoa pode entrar e permanecer pelo prazo e pelas condições da categoria. Asilo é outro procedimento, com análise de risco de perseguição. No Brasil, o relator Moraes é quem decide sobre eventuais consequências do descumprimento das medidas cautelares, e a extradição, se um dia for pedida, depende de pedido formal e da lei do país de destino. A Agência Brasil e os demais veículos não registram pedido de extradição.
Terceiro, a relação bilateral. O governo Lula deve tomar posse em 5 de janeiro de 2027, e a pauta com Washington inclui comércio e tarifas, tema do qual a audiência no Senado sobre tarifaço e terras raras já tratou. A reação de cada partido americano ao caso pode influenciar a agenda de comércio, segurança e cooperação, e o tom das conversas entre os dois governos. Qualquer efeito concreto ainda depende de decisões que não foram anunciadas.
O que acompanhar
Os próximos passos são a eventual resposta do Departamento de Estado ou da Casa Branca aos pedidos dos democratas, o ofício da PF ao ministro Moraes, uma possível nova decisão do relator, a posição da defesa de Flávio e o esclarecimento da categoria dos vistos. Se houver pedido de asilo ou de cooperação jurídica entre os países, o caso passa a ter trâmite próprio. A página de Flávio Bolsonaro no Congresso por dentro reúne votos, gastos da cota e presença em votações nominais, a partir dos dados abertos do Senado. Esta notícia será atualizada se houver confirmação oficial ou manifestação da defesa.
Vale a regra de sempre: o que parlamentares dizem é posição política atribuída a quem falou, e o que a Justiça brasileira apura é investigação, não condenação. A mesma régua vale para qualquer campo político.
Fonte original
Agência Brasil
agenciabrasil.ebc.com.br
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Quem escreveu
Equipe Política Diária
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