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Argentina diz que Flávio entrou no país e voou ao Equador; PF apura

A imigração argentina afirma que Flávio Bolsonaro cruzou a fronteira em Foz do Iguaçu e embarcou para Guayaquil. O destino final não está confirmado, e a defesa não se pronunciou.

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Argentina diz que Flávio entrou no país e voou ao Equador; PF apura
Foto: Nivaldo Cit filho (CC BY-SA 3.0) / Wikimedia Commons

A Direção Nacional de Migrações da Argentina informou que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), a mulher, Fernanda, e as filhas Carolina e Luiza entraram no país na noite de terça-feira (27) e seguiram de avião para o Equador. De acordo com a CNN Brasil, a travessia da Ponte Internacional Tancredo Neves, entre Foz do Iguaçu (PR) e Puerto Iguazú (Misiones), foi registrada às 22h50, e às 23h30 o grupo embarcou em um voo privado da Baires Fly S.A. com destino declarado a Guayaquil.

A Agência Brasil reproduz a mesma versão do órgão argentino, que afirma que os quatro apresentaram documentação válida e que a passagem ocorreu sem incidentes. Esta notícia trata de um relato oficial de outro país, divulgado pela imprensa. Até a publicação das reportagens consultadas, nenhuma autoridade brasileira havia confirmado o paradeiro do senador, e a defesa dele não havia respondido aos pedidos de manifestação.

O que a imigração argentina afirma

Segundo a CNN Brasil, o órgão argentino disse que os quatro viajantes apresentaram documentos de viagem válidos e que não havia impedimento legal para a entrada. A reportagem não esclarece qual documento foi apresentado. Os passaportes de Flávio tinham sido cancelados pela Polícia Federal (PF) na própria terça-feira, como relatou a Agência Brasil, por falta de entrega dentro do prazo. Entre os países do Mercosul, a carteira de identidade costuma bastar para a circulação, ponto que já havia aparecido no relato inicial do site argentino Infobae.

O plano de voo indicava Guayaquil. A CNN Brasil acrescenta que o mesmo avião, um Gulfstream G400 de matrícula argentina, também tinha previsão de pouso em Miami (Opa Locka), segundo o serviço de rastreamento FlightAware, e que, de acordo com o Flightradar, a aeronave pousou em Guayaquil antes das 6h desta quarta-feira (28). Há divergência sobre quem estava a bordo: o comunicado cita apenas a família, e a imprensa local relatou de um a oito passageiros.

Fontes ouvidas pela CNN Brasil afirmam que o destino final seria os Estados Unidos. Um conselheiro do presidente Donald Trump disse à emissora que o presidente americano aprovou a entrada de Flávio no país, e dois funcionários americanos afirmaram que vistos estão sendo emitidos. Nenhuma dessas informações foi confirmada por documento oficial, e a chegada ao território americano não foi registrada pelas reportagens.

As negativas anteriores e a posição brasileira

O comunicado contraria declarações feitas ao longo da terça-feira. De acordo com a CNN Brasil, na manhã de terça o governo de Javier Milei negou que Flávio tivesse entrado na Argentina, e o órgão de imigração disse não ter registro da entrada. A notícia sobre a checagem da PF detalha o que se sabia naquele momento: o porta-voz da Presidência argentina, Fabián Fernández, havia dito que o senador nunca entrou no país e que nenhuma aeronave com aquelas características decolou rumo aos Estados Unidos.

No lado brasileiro, o Ministério da Segurança, responsável pela imigração e pela Polícia de Segurança Aeroportuária, disse à CNN Brasil que o senador não entrou no país, sem detalhar o alcance da frase. A Agência Brasil informou, na terça, que não havia registro formal de saída do Brasil. A TMC informou na terça que a PF abriu inquérito para apurar se Flávio deixou o território nacional por alguma fronteira, oficial ou não, e que fontes da corporação não confirmavam a passagem por Foz do Iguaçu. A PF informou que comunicará ao ministro Alexandre de Moraes o descumprimento da ordem de entrega dos passaportes, segundo a Agência Brasil.

Na Argentina, a deputada Marcela Pagano apresentou denúncia à Justiça Federal de Puerto Iguazú e pediu a preservação de imagens, planos de voo e listas de passageiros, conforme a CNN Brasil.

O que diz o campo político

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) classificou a viagem como "ato vergonhoso", segundo a Agência Brasil, em fala tratada na notícia sobre a crítica de Lula. O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio, disse à imprensa na terça, em Brasília, que não sabia da viagem e estava surpreso, pois haviam conversado no dia anterior. Ele contou ter recebido uma mensagem de texto de Flávio por volta das 8h, na qual o senador dizia que iria "dar um tempo", conforme a Agência Brasil.

Segundo a CNN Brasil, uma fonte próxima ao senador disse que ele temia ser preso no Brasil. É uma declaração anônima, repassada pela emissora, e não uma manifestação da defesa. Flávio nega irregularidades na investigação, e na segunda-feira (26) afirmou em vídeo que entregaria os passaportes e que a medida era uma tentativa de intimidação. Ele não se manifestou sobre o relato argentino nas reportagens consultadas.

O contexto: a decisão de Moraes e a investigação

A saída teria ocorrido depois da decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que mandou Flávio entregar os passaportes, proibiu-o de deixar o país e vedou contato com o advogado Willer Tomaz, no inquérito que apura suspeita de lavagem de dinheiro por meio de plataformas de apostas. A notícia sobre a decisão reúne o que se sabe do despacho, que está sob sigilo. Flávio e Tomaz negam as suspeitas, e não há denúncia apresentada nem condenação. Flávio é investigado, e investigado não é réu.

O relator do caso é Moraes, e o material enviado pela PF ao Supremo foi tema da notícia sobre a relatoria. Medidas como a proibição de sair do país são cautelares: buscam garantir que o investigado fique à disposição da apuração e não equivalem a condenação nem a prisão.

Por que isso importa

Primeiro, pelo efeito jurídico. Se a saída do senador for confirmada, trata-se do possível descumprimento de uma medida cautelar de um ministro do STF, e só o relator pode decidir as consequências, que podem incluir novas medidas no processo. Até lá, o que existe é o relato da imigração de outro país, ainda sem confirmação de autoridade brasileira.

Segundo, pela cooperação entre os dois países. A Justiça brasileira dispõe de instrumentos de cooperação internacional, como pedidos por vias diplomáticas e policiais, mas a extradição e outras medidas dependem do país onde a pessoa estiver, das leis locais e da existência de pedido formal. Nada disso foi iniciado, segundo as reportagens consultadas. O Equador é o destino declarado do voo, e os Estados Unidos aparecem como destino final apenas em relatos de fontes.

Terceiro, pela mudança de versão. O governo argentino negou a entrada na manhã de terça e depois divulgou o registro da passagem pela fronteira. O comunicado oficial passou a ser a principal evidência disponível, e a denúncia apresentada na Justiça argentina pode produzir documentos como imagens e listas de passageiros. A mesma régua vale para qualquer parlamentar ou campo político: um relato só vira fato com documento ou decisão, e investigação não é condenação.

O que acompanhar

Os próximos passos são o ofício da PF a Moraes, eventual nova decisão do relator, a posição da defesa de Flávio, a confirmação do paradeiro e do destino final do voo e os desdobramentos da denúncia na Justiça federal argentina. A eleição presidencial já tem resultado: Lula foi declarado eleito, como mostra a notícia sobre o segundo turno, e os números oficiais ficam no painel Eleições 2026. A página do senador no Congresso por dentro, em Flávio Bolsonaro, reúne votos, gastos da cota e presença em votações nominais, a partir dos dados abertos do Senado. Esta notícia será atualizada se houver confirmação oficial ou manifestação da defesa.

Fonte original

CNN Brasil

cnnbrasil.com.br

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Quem escreveu

Equipe Política Diária

Redação da Política Diária

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