Motta, Alcolumbre e Fachin pedem pacificação após a vitória de Lula
Presidentes da Câmara, do Senado e do STF reconheceram o resultado do TSE e falaram em diálogo e respeito às urnas, enquanto Flávio Bolsonaro contesta o pleito.

Os presidentes da Câmara, do Senado e do Supremo Tribunal Federal reconheceram, na noite de domingo (25), o resultado do segundo turno, que o TSE registrou com Lula eleito com 51,79% dos votos válidos. Em pronunciamento conjunto, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), falaram em diálogo e pacificação. O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, divulgou manifestação em favor do respeito à vontade dos eleitores.
Segundo a Agência Câmara, Motta afirmou: "Temos um Brasil dividido e radicalizado". A Agência Senado registra que Alcolumbre falou na residência oficial do Senado, ao lado de Motta, e disse que o Parlamento estará voltado à pacificação. A Agência Brasil reproduziu a fala de Fachin, publicada às 23h11.
O que cada um disse
Motta, segundo a Agência Câmara, afirmou querer que o presidente reeleito faça "uma avaliação dos acertos e erros cometidos" e disse que a Câmara estará "pronta para diálogo, independência e harmonia, como preconiza a Constituição". Ele citou como pautas o crescimento econômico, a segurança pública e a seguridade social. O presidente da Câmara cumprimentou também Flávio Bolsonaro, o partido e a bancada dele, e afirmou que a disputa ocorreu dentro das regras democráticas.
Em publicação nas redes sociais, noticiada pela Agência Câmara, Motta escreveu: "O povo é soberano e, através das urnas, fez a sua escolha". Ele também afirmou que, na presidência da Casa, mantém o compromisso com o diálogo e o equilíbrio, respeitando a independência entre os Poderes.
Alcolumbre, de acordo com a Agência Senado, chamou o resultado de "decisão livre e soberana do povo brasileiro, sufragada nas urnas eletrônicas, que completam 30 anos". Disse ainda que o Congresso tem "responsabilidade redobrada" de dar respostas e que um país dividido "não é bom para o povo brasileiro". A agência informa que ele cumprimentou Lula pela reeleição e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pela participação na disputa, e que ele e Motta telefonaram a Lula e ao vice-presidente Geraldo Alckmin.
Fachin, segundo a Agência Brasil, afirmou: "É tempo de reafirmar o respeito à vontade soberana do povo brasileiro, livremente manifestada nas urnas". Acrescentou que, mesmo diante de divergências, é "nos limites da Constituição" que se devem buscar as respostas. A reportagem diz que ele defendeu o fortalecimento da democracia e a harmonia entre os três Poderes e não menciona Flávio Bolsonaro na fala.
O outro lado: a contestação do resultado
O candidato derrotado, Flávio Bolsonaro (PL), disse que não reconhece o resultado e que pedirá a anulação da eleição ao TSE. O argumento citado pela cobertura jornalística é a decisão do ministro Cristiano Zanin de prorrogar a votação até as 19h.
Até a conclusão desta matéria, as fontes consultadas não confirmavam que o pedido de anulação tivesse sido protocolado. A Política Diária só tratará o pedido como protocolado quando houver registro oficial ou confirmação de pelo menos duas fontes. Anunciar uma intenção não altera o resultado: o TSE decide sobre ações eleitorais conforme as regras próprias da Justiça Eleitoral.
Contexto: o Congresso que receberá o novo mandato
As falas dos dois presidentes das Casas têm peso porque o Legislativo que começa em fevereiro de 2027 terá nova composição. Conforme a apuração da Agência Câmara com dados do TSE, o PL elegeu 121 deputados, a maior bancada, e a federação PT, PCdoB e PV elegeu 88, como mostra a cobertura da nova composição. Nenhum bloco tem sozinho os 257 votos da maioria absoluta da Câmara, o que torna a negociação entre partidos parte da rotina de qualquer pauta.
Hugo Motta preside a Câmara e tem página no painel Congresso por dentro. Davi Alcolumbre, que preside o Senado, também tem página própria, assim como Flávio Bolsonaro, que é senador. A eleição das Mesas Diretoras das duas Casas ocorre no início da nova legislatura, a partir de 1º de fevereiro de 2027, conforme a Constituição.
Por que isso importa
Três efeitos práticos decorrem das manifestações. O primeiro é institucional: quando os chefes do Legislativo e do Judiciário reconhecem o resultado publicado pelo TSE, o calendário constitucional segue sem interrupção, com a diplomação pela Justiça Eleitoral e a posse em 5 de janeiro de 2027, data fixada pela Emenda Constitucional 111/2021. Totalização, diplomação e posse são etapas distintas, e só a primeira foi concluída.
O segundo efeito é político. Os dois presidentes das Casas se comprometeram com "diálogo" e "harmonia", expressões que não detalham votos nem apoio a medidas específicas. Motta citou crescimento, segurança e seguridade social como temas, mas não indicou projetos, e Alcolumbre falou em responder às demandas da sociedade sem listar propostas. A posição de cada bancada sobre a agenda do governo eleito só será conhecida quando as matérias chegarem à pauta.
O terceiro é o debate sobre a legitimidade do pleito. As declarações de Motta, Alcolumbre e Fachin foram feitas no mesmo dia em que o candidato derrotado anunciou que contestaria o resultado. Cabe ao TSE, e em eventual recurso ao STF, analisar qualquer ação apresentada, com prazos e ritos definidos em lei, e a Política Diária noticiará a decisão quando houver fonte oficial.
O que observar a seguir
Nas próximas semanas, os pontos a acompanhar são o eventual protocolo da ação de Flávio Bolsonaro no TSE e o teor dela, a formação da equipe de transição do presidente eleito e o início das articulações para a eleição das Mesas da Câmara e do Senado.
O discurso do presidente eleito na noite do resultado, em que ele prometeu governar para os 215 milhões de brasileiros, foi retomado por Alcolumbre, que disse: "O presidente eleito tem que governar para os 215 milhões de brasileiros". Os números oficiais da eleição, com dados e fontes do TSE, estão no painel Eleições 2026.
As falas entre aspas constam nas agências Câmara, Senado e Brasil, citadas no texto. Quando uma fonte não traz a fala completa, a Política Diária registra apenas o que foi publicado e atribui cada posição a quem a emitiu.
Fonte original
Agência Câmara
camara.leg.br
Perguntas frequentes
Quem escreveu
Equipe Política Diária
Redação da Política Diária
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