Produção industrial cai 0,8% em setembro, 4ª queda em cinco meses
O IBGE informou que a indústria recuou 0,8% de agosto para setembro, abaixo da mediana de mercado (-0,4%), com queda em 17 das 25 atividades pesquisadas.

A produção da indústria brasileira recuou 0,8% em setembro na comparação com agosto, na série com ajuste sazonal, segundo a Pesquisa Industrial Mensal (PIM) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada na quinta-feira (5). Conforme a Agência Brasil, é a quarta queda em cinco meses. A Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda avaliou que o número ficou abaixo da mediana das projeções de mercado, que era de queda de 0,4%.
Na comparação com setembro de 2025, a produção caiu 2,5%, o pior resultado nesse tipo de comparação desde março de 2024 (-2,9%). No acumulado em 12 meses, a indústria tem alta de 0,2%. O IBGE afirma que a base de comparação é alta, porque o setor havia crescido 2% em setembro de 2025, e que setembro de 2026 teve um dia útil a menos que o mesmo mês do ano passado.
O que o IBGE mostrou: queda disseminada
Três das quatro grandes categorias econômicas recuaram em setembro. Os bens de capital, que incluem máquinas e equipamentos, caíram 1,9%. Os bens de consumo semi e não duráveis tiveram queda de 1,2%, e os bens intermediários, de 0,7%. Os bens de consumo duráveis foram a exceção, com alta de 0,7%. Das 25 atividades industriais pesquisadas, 17 ficaram no negativo.
Entre os ramos, a maior pressão negativa veio de derivados de petróleo e biocombustíveis, com recuo de 4,2%. Os produtos alimentícios caíram 1,7%, principalmente por causa da menor produção de etanol e açúcar. Segundo o analista do IBGE André Macedo, ouvido pela Agência Brasil, a queda no açúcar e no etanol está ligada à menor moagem de cana, em grande parte atribuída ao excesso de chuvas. Na direção contrária, as indústrias extrativas avançaram 1,7%, com mais extração de petróleo, gás natural e minério de ferro.
Macedo descreveu o quadro como um "perfil disseminado de taxas negativas" e apontou "clara redução na magnitude de crescimento" do setor, segundo a reportagem. Os dados dos meses anteriores, também conforme a agência, foram: agosto, -0,7%; julho, estabilidade (0%); junho, -1,6%; e maio, -1%.
Contexto: o que sobrou do início do ano
A indústria somou alta de 4,2% nos quatro primeiros meses de 2026. De maio a setembro, as perdas acumuladas chegam a 4,1%, o que apaga boa parte do ganho anterior, de acordo com os números divulgados pelo IBGE e reproduzidos pela Agência Brasil. O setor também segue 16,5% abaixo do ponto mais alto da série histórica, registrado em maio de 2011.
Esses números chegam depois de uma semana de dados e decisões sobre a economia. Na quarta-feira (4), o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central manteve a Selic em 13,75% ao ano, por unanimidade, e interrompeu a sequência de cinco cortes de 0,25 ponto, como mostra a notícia sobre a decisão do Copom. No comunicado, segundo a cobertura da Agência Brasil já publicada aqui, o comitê citou incertezas maiores e a necessidade de "serenidade e cautela". A produção industrial é um dos indicadores de atividade que o Banco Central acompanha para calibrar o ritmo dos juros.
No mesmo dia da divulgação do IBGE, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse em entrevista coletiva em Brasília, segundo a Agência Brasil, que o nível atual da taxa de juros é "bastante alto" e prejudica todos os setores, inclusive o produtivo. Para ele, é preciso "dar as condições corretas, estruturais" para a queda dos juros, e o governo pretende manter as contas públicas em superávit primário com ajustes graduais. O ministro afirmou ainda que o governo "nunca vai propor medidas que prejudiquem as pessoas mais pobres". O Banco Central, por sua vez, atribui a pausa à incerteza do cenário e a expectativas de inflação acima da meta, posições que a cobertura da véspera da decisão detalha com os números do mercado.
Por que isso importa
A indústria responde por uma parcela relevante do emprego formal, da arrecadação e das exportações brasileiras, e seu desempenho costuma ser lido como termômetro da atividade. Uma sequência de quedas, com recuo em bens de capital, indica menos investimento das empresas em máquinas e equipamentos. Esse tipo de gasto depende do custo do crédito, e a Selic em 13,75% ao ano é o pano de fundo desse movimento, segundo a leitura de analistas citada na imprensa econômica. Quem argumenta no sentido oposto, no entanto, lembra que a inflação ainda está acima do teto da meta, o que limita o espaço para cortes, como registra o IPCA-15 de outubro, de 0,32% no mês e 4,62% em 12 meses.
Para o governo que toma posse em 5 de janeiro de 2027, o dado tem efeito prático. Menor atividade tende a reduzir a arrecadação, e o resultado fiscal é um dos temas que a equipe econômica já colocou na mesa, como no debate sobre mudar a lei ou a Constituição para o centro da meta fiscal. A relação entre juros, dívida e atividade aparece também nos números da dívida bruta, que fechou setembro em 82,9% do PIB, segundo o Banco Central.
Há ainda o efeito setorial. A queda na produção de derivados de petróleo e de etanol, atribuída em parte ao clima segundo o IBGE, aparece entre os principais pesos negativos do mês. A alta da extração de petróleo, gás e minério de ferro mostra que a indústria extrativa, mais ligada ao mercado externo, seguiu em sentido diferente do resto do setor. O dado de setembro não decide sozinho o rumo da economia, e o IBGE lembra que parte da queda anual decorre de calendário e de base elevada.
O que acompanhar
Os próximos indicadores são o IPCA cheio de outubro, que o IBGE divulga no dia 12 de novembro, segundo a Agência Brasil, e a produção industrial de outubro, que sai no início de dezembro. Também entram na conta o Relatório de Política Monetária do Banco Central, previsto para o fim de novembro, e a reunião seguinte do Copom, em 8 e 9 de dezembro. No Congresso, o Orçamento de 2027 e as medidas de arrecadação, como a medida provisória com as alíquotas do Imposto Seletivo, dependem do cenário de atividade.
Todos os números desta notícia vêm da Pesquisa Industrial Mensal do IBGE, conforme divulgados pela Agência Brasil. A série completa, com os resultados por setor e por região, está no site do instituto. Quem acompanha o ciclo eleitoral e de transição de governo encontra o resultado oficial da eleição no painel Eleições 2026, e o conjunto das notícias sobre economia na seção Notícias.
A leitura de um mês isolado exige cuidado. Os dados do IBGE são revistos a cada divulgação, e a série com ajuste sazonal pode mudar quando entram os números seguintes. Por isso, a quarta queda em cinco meses é o fato verificável, e as explicações sobre causas, de juros a clima, devem ser lidas como atribuições de cada fonte, não como conclusão única.
Fonte original
Agência Brasil
agenciabrasil.ebc.com.br
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Equipe Política Diária
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