Tereza Cristina mantém nome e vira terceira via na disputa do Senado
Sem acordo com Rogério Marinho, a senadora do PP segue na corrida contra Davi Alcolumbre, diz a CNN Brasil. A eleição da Mesa será em 1º de fevereiro de 2027.

A tentativa da oposição de se unir em torno de um único nome contra a reeleição de Davi Alcolumbre (União-AP) à presidência do Senado não deu certo, segundo o blog de Caio Junqueira, na CNN Brasil, publicado na madrugada desta terça-feira (3). A senadora Tereza Cristina (PP-MS) mantém a candidatura e se coloca como "terceira via" ao lado de Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição na Casa.
De acordo com a reportagem, Marinho e Tereza Cristina conversaram na semana passada para ver se um dos dois abriria mão, mas não chegaram a acordo. Marinho deve lançar oficialmente sua candidatura na quarta-feira (4). A votação da Mesa Diretora está marcada para 1º de fevereiro de 2027. As informações sobre a estratégia da senadora vêm de aliados dela, e não de uma declaração pública sua; a CNN Brasil registra essa ressalva, e esta redação a mantém.
Os três nomes até agora
- Davi Alcolumbre (União-AP): presidente do Senado, busca a reeleição e é tratado pela CNN Brasil como o candidato do lado governista. Já havia dito a aliados ter 48 votos, como mostra a nota sobre a contagem do presidente da Casa.
- Rogério Marinho (PL-RN): candidato do PL, partido com a maior bancada do Senado a partir de fevereiro. A reunião da bancada marcada para terça-feira (3) está na nota sobre a reunião do PL.
- Tereza Cristina (PP-MS): mantém o nome e, segundo seus aliados, pretende crescer ao longo da campanha para depois tentar convencer Marinho a apoiá-la.
O que a senadora defende, segundo aliados
A CNN Brasil descreve um posicionamento intermediário. Tereza Cristina, dizem seus aliados, é contra bloquear a pauta de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), posição atribuída ao grupo de Alcolumbre, mas também não quer que o tema seja a prioridade do Senado no próximo ano, como propõe Marinho. Ela defenderia que o assunto seja discutido, ao lado de uma ampla agenda de reformas econômicas.
Pelo que a reportagem relata, o grupo da senadora acredita que ela alcança partidos do Centrão que resistem a Marinho mas também se opõem ao retorno de Alcolumbre, e que tem bom trânsito entre os senadores, inclusive entre os governistas. Nenhum desses cálculos foi confirmado pela própria Tereza Cristina até a publicação desta nota.
Sobre o tema do impeachment, vale lembrar o que determina a Constituição: o Senado processa e julga ministros do STF por crime de responsabilidade, e o rito inicial depende do presidente da Casa. Essa competência é o que torna a eleição da Mesa relevante para a relação entre os Poderes, tema também tratado na nota sobre as indicações ao Supremo até 2031.
A conta dos votos
Segundo os aliados de Tereza Cristina ouvidos pela CNN Brasil, nem Alcolumbre nem Marinho têm hoje os 41 votos necessários, e alguns senadores aparecem contados como apoiadores dos dois. O Senado terá 81 membros; 41 é a maioria absoluta. Os números são estimativas de bastidor, de grupos interessados, e variam conforme quem os apresenta: o entorno de Alcolumbre fala em 48, e a conta não foi testada em votação.
O voto para a presidência da Casa é secreto, o que torna os compromissos assumidos antes do dia da eleição menos previsíveis. Além disso, a composição final das bancadas só é oficializada com a diplomação dos eleitos e a posse dos senadores eleitos em 2026, em fevereiro. O painel do Congresso por dentro reúne os dados públicos de cada senador atual.
Como a disputa chegou até aqui
Alcolumbre foi eleito em fevereiro de 2025 para o biênio 2025-2027, e a disputa pelo comando da Casa passou a ser discutida logo depois do segundo turno, quando o PL passou a sinalizar que teria um nome próprio. A nota sobre a contagem de 48 votos traz o histórico de 2023, quando Marinho perdeu para Rodrigo Pacheco, e o papel do impeachment de ministros do STF na campanha. Já a atuação de Alcolumbre na pauta aparece nas notas sobre a votação marcada para esta terça.
Por que isso importa
O presidente do Senado controla a pauta do plenário, a distribuição de propostas às comissões e o andamento de pedidos de impeachment e de indicações, como a vaga aberta no Supremo. Um terceiro nome pode mudar o cálculo de duas formas. Se dividir os votos de quem não quer Alcolumbre, favorece, na prática, o atual presidente. Se crescer o bastante, pode virar o ponto de convergência de quem rejeita os dois extremos da disputa, que é a aposta dos aliados da senadora.
Para o governo do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que toma posse em 5 de janeiro de 2027, o resultado define com quem negociar propostas como a PEC da Segurança Pública, que está na pauta do Senado, e a indicação ao STF. Para a oposição, a existência de dois nomes divide os votos de quem não quer Alcolumbre, ponto que os aliados de cada candidato avaliam de formas diferentes.
Nada disso está decidido. Até a eleição, em 1º de fevereiro, as candidaturas podem ser retiradas, e acordos podem ser costurados nos bastidores. Esta nota registra o que foi publicado e o que cada grupo afirma, sem prever o resultado.
O que acompanhar a seguir
- o lançamento oficial da candidatura de Marinho, previsto para quarta-feira (4);
- a posição pública de Tereza Cristina e do PP, e se haverá retirada de algum nome;
- a definição dos partidos de centro, como União Brasil, MDB e PSD, sobre qual candidato apoiar;
- a diplomação dos eleitos e a posse da nova legislatura, quando as bancadas ficam definidas.
O resultado das urnas que definiu a composição do Legislativo está no painel Eleições 2026.
Fonte original
CNN Brasil
cnnbrasil.com.br
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Quem escreveu
Equipe Política Diária
Redação da Política Diária
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