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Venezuelanos vão às ruas por eleições em protesto nacional da oposição

Milhares protestaram em Caracas e outras cidades na quinta (22), o primeiro ato nacional da oposição em quase dois anos. Machado pede eleições até julho de 2027.

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Venezuelanos vão às ruas por eleições em protesto nacional da oposição
Foto: Proveaong (Public domain) / Wikimedia Commons

Milhares de venezuelanos foram às ruas na quinta-feira (22) para exigir eleições livres, no primeiro protesto nacional da oposição em quase dois anos, segundo reportagem da Reuters publicada pela Al Jazeera. As manifestações, convocadas pelo movimento Vente Venezuela, da líder opositora María Corina Machado, ocorreram em Caracas e em outras cidades, entre elas Valencia, Maracay, San Cristóbal e Maracaibo.

De acordo com a reportagem, as forças de segurança do governo tiveram presença mínima nos locais dos atos, embora o movimento governista tenha usado esse aparato contra manifestantes no passado. Em muitas cidades menores, os participantes se dispersaram antes do anoitecer. Em Maracay, a estudante Leosmary Hernández, de 18 anos, disse à Reuters: "Ver isso me deixa feliz porque sei que a mudança é possível".

Quem convocou e o que pede

Machado, vencedora do Prêmio Nobel da Paz, está fora da Venezuela há quase um ano, depois de viver escondida após a eleição presidencial contestada de 2024. Ela afirma que as eleições precisam ocorrer até julho de 2027. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a presidente interina, Delcy Rodríguez, disseram que haverá eleições, mas, segundo a reportagem, nenhuma data foi marcada para escolher o sucessor de Nicolás Maduro. Ou seja, há promessa pública de votação, mas ainda não há calendário que a oposição possa cobrar.

O Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), que governa o país, convocou no mesmo dia uma marcha própria na Plaza Venezuela, em Caracas, perto do palácio presidencial, para marcar o mês de conscientização sobre o câncer de mama. A TV estatal mostrou o ministro do Interior, Diosdado Cabello, no ato. Segundo a Reuters, a oposição mudou sua concentração para um local próximo.

O cenário político desde janeiro

Maduro foi capturado por forças americanas em uma operação militar em janeiro, e desde 3 de janeiro Delcy Rodríguez, do PSUV, comanda o país como presidente interina, conforme a agência. Ela foi vice-presidente de Maduro. O governo Trump apoia sua liderança, mantém papel ativo na Venezuela, inclusive com controle sobre os recursos de petróleo do país, e pressiona por reformas. Maduro e a mulher, Cilia Flores, respondem nos Estados Unidos a acusações de tráfico de drogas e tortura e se declararam inocentes.

O movimento socialista está no poder desde 1999, primeiro com Hugo Chávez e depois com Maduro. Na eleição de 2024, o candidato apoiado por Machado, Edmundo González Urrutia, afirma ter vencido com base nas atas apuradas pela oposição. O governo nunca divulgou as contagens completas de votos e confirmou a vitória de Maduro, o que foi respaldado pelas instituições judiciais e eleitorais do país, segundo a Reuters. Dirigentes do PSUV são acusados de abusos contra dissidentes, como prisões arbitrárias e tortura, acusações descritas pela agência sem decisão judicial citada na reportagem.

As negociações em curso

Uma ala da oposição negocia com o governo interino, com respaldo dos Estados Unidos, mudanças no Tribunal Supremo e no órgão eleitoral antes de qualquer votação. A última rodada ocorreu neste mês, e a Reuters observa que as mudanças podem levar muito tempo. O movimento de Machado não participa dessas conversas, embora ela tenha dito que não vai atrapalhá-las. Ela busca há anos o apoio de Washington, alinhada a integrantes do governo Trump que defendiam que Maduro representava uma ameaça à segurança nacional por supostos vínculos com quadrilhas de drogas.

Há, portanto, dois processos paralelos: uma negociação institucional, conduzida por parte da oposição e do governo interino, e uma pressão de rua, liderada por quem está fora dela. A reportagem não informa se novos protestos foram marcados.

Por que isso importa para o Brasil

A Venezuela é vizinha do Brasil, e a fronteira passa pelos estados de Roraima e do Amazonas. O destino político do país afeta o fluxo migratório, o comércio de fronteira e a política regional, temas que o governo brasileiro acompanha há anos. A fonte consultada não traz reação do Brasil aos protestos, e esta reportagem não atribui posição ao Itamaraty.

A pauta também dialoga com a agenda internacional da campanha presidencial brasileira, que chega ao segundo turno no domingo (25). A política externa para a América Latina costuma aparecer em debates e entrevistas, e a fonte consultada não relaciona os protestos venezuelanos à campanha brasileira. Para ver como o relacionamento com outros países da região aparece na disputa, vale ler a notícia sobre o encontro entre Javier Milei e Flávio Bolsonaro. O painel Eleições 2026 reúne os dados do TSE sobre o segundo turno.

Em outra frente, a relação com os Estados Unidos, que tem papel central na transição venezuelana, também é tema da política brasileira: o debate sobre tarifas e terras-raras foi tratado na audiência do Senado resumida na notícia sobre o tarifaço e as terras-raras.

O que observar a seguir

O primeiro ponto é a definição de uma data de eleição: hoje há a promessa de realização, sem calendário, e a exigência de Machado de que ocorra até julho de 2027. O segundo é o resultado das conversas sobre o Tribunal Supremo e o órgão eleitoral, que condicionam as regras do pleito. O terceiro é a resposta do governo interino a novos atos: a presença mínima de forças de segurança nesta quinta pode ou não se repetir.

Para entender por que eleições contestadas e mudanças nas regras do jogo mexem com a estabilidade de um regime, a resenha de Como as democracias morrem reúne os argumentos e as críticas feitas à obra.

Fonte original

Al Jazeera (Reuters)

aljazeera.com

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Quem escreveu

Equipe Política Diária

Redação da Política Diária

A equipe da Política Diária escreve para quem quer entender a política brasileira e internacional sem torcida. Cada texto parte de fontes primárias (Diário Oficial, Câmara, Senado, STF, TSE, organismos internacionais e veículos de imprensa identificados) e é escrito em português claro, separando fato de opinião.

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