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Itamaraty convoca representante argentina por fuga de Flávio

Segundo a Reuters, via Agência Brasil, o Itamaraty chamou a encarregada de negócios da Argentina para explicar o papel do governo Milei na saída de Flávio Bolsonaro.

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Itamaraty convoca representante argentina por fuga de Flávio
Foto: Boaventuravinicius (CC BY-SA 4.0) / Wikimedia Commons

O Ministério das Relações Exteriores convocou a encarregada de negócios da embaixada da Argentina em Brasília, Maria Emília Cortés, para dar explicações sobre a participação do governo argentino na saída do senador Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil. A informação foi publicada em 30 de outubro pela Agência Brasil, a partir de reportagem da agência Reuters, que ouviu duas fontes do governo brasileiro. O Itamaraty não comentou o caso.

De acordo com a reportagem, Cortés foi recebida na noite de quinta-feira (29) pelo diretor do Departamento de América do Sul do ministério, o embaixador João Marcelo Galvão de Queiroz. Uma das fontes disse que a conversa foi rápida. A Reuters registra que a convocação é um instrumento da prática diplomática para manifestar descontentamento com ações de outro governo, e não uma medida de ruptura.

O que se sabe sobre a saída de Flávio

Pelo relato da Agência Brasil, Flávio Bolsonaro chegou aos Estados Unidos na manhã de quarta-feira (28). Ele deixou o Brasil pelo lado argentino da fronteira, no aeroporto de Puerto Iguazú, e embarcou em um jato fretado pelo governo norte-americano, segundo a reportagem. A imprensa argentina cita envolvimento de integrantes do governo do presidente Javier Milei, inclusive uma escolta da polícia aeroportuária do país. Essa participação é o que o governo brasileiro quer ver esclarecida, e por enquanto aparece como relato de imprensa, não como fato comprovado em decisão oficial.

O senador foi derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno, no domingo (25). Segundo a reportagem, ele descumpriu determinação judicial que mandava entregar o passaporte e não deixar o país. A ordem foi dada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, a pedido da Polícia Federal, como o site já noticiou em Moraes proíbe viagem de Flávio e manda recolher passaportes. Flávio é investigado por lavagem de dinheiro e evasão de divisas, e nega irregularidades. Investigado não é réu nem condenado.

Como a versão argentina apareceu até aqui

O caso vem sendo contado em etapas. No dia 28, a Direção Nacional de Migrações da Argentina afirmou que Flávio e a família entraram no país na noite de terça-feira (27) e seguiram de avião para o Equador, versão detalhada na notícia sobre o relato da imigração argentina. Antes disso, a Polícia Federal havia checado um relato do site argentino Infobae, como mostra a nota sobre a checagem da PF. A Polícia Federal informou que investiga as circunstâncias da saída e disse não ter registro de passagem dele por posto de controle migratório brasileiro.

Na quinta-feira (29), Flávio divulgou uma carta em que agradece ao presidente argentino. O conteúdo e a repercussão do texto estão na notícia sobre o coordenador da campanha que admitiu não ter prova de fraude. Na reportagem da Reuters, o agradecimento aparece como parte do contexto da convocação.

As posições de cada governo

Do lado argentino, o chanceler Pablo Quirno disse, segundo a reportagem, que o Brasil não pediu explicações. A frase contradiz o que as fontes brasileiras relataram à Reuters, que falam em convocação e reunião na noite de quinta-feira. A reportagem não esclarece como cada lado classifica o encontro: o governo brasileiro, por meio das fontes, trata como convocação para explicações; o argentino afirma que não houve pedido formal. Os dois relatos coexistem na fonte, e nenhuma versão foi confirmada por nota oficial.

Cortés chefia a representação argentina em Brasília desde o fim de julho. Na ocasião, a crise entre os governos de Lula e de Milei se agravou depois que o presidente argentino participou do lançamento da candidatura de Flávio e fez ofensas a Lula, segundo a Reuters. O Brasil retirou o embaixador em Buenos Aires, Júlio Bitelli, e o embaixador argentino em Brasília também deixou o posto. Desde então, as duas embaixadas funcionam com encarregados de negócios, cargo de nível hierárquico mais baixo.

Contexto: uma relação tensa desde julho

A relação bilateral já estava sob tensão antes do segundo turno. Em 20 de outubro, o Itamaraty divulgou nota de repúdio a declarações de Milei sobre o voto eletrônico, como relatado em Itamaraty repudia novas falas de Milei. Após o primeiro turno, Milei comemorou o desempenho de Flávio, episódio tratado em Milei comemora o 1º turno de Flávio. O governo argentino tem defendido a liberdade de seus dirigentes para opinar sobre a política de outros países, enquanto o governo brasileiro usa o termo ingerência externa para criticar essas manifestações. São duas leituras distintas sobre onde termina a opinião e começa a interferência.

A convocação de um encarregado de negócios, e não de um embaixador, reflete justamente o rebaixamento das representações. Em termos práticos, o canal diplomático existe, mas opera num nível abaixo do habitual. Não há embaixadores nos dois países, o que limita a capacidade de resolver o impasse em conversas de alto nível.

Por que isso importa

Primeiro, pelo aspecto jurídico. Se agentes públicos de outro país ajudaram uma pessoa a descumprir ordem do Supremo, a questão passa por cooperação internacional, e a Polícia Federal já informou que apura as circunstâncias da saída. A conclusão dependerá de provas, não de relatos de imprensa, de nenhum dos dois lados.

Segundo, pelo aspecto diplomático. A fonte ouvida pela Reuters afirmou que não há previsão de mudança nas relações bilaterais no curto prazo, porque Milei mantém tom agressivo e a ajuda na saída é vista no governo brasileiro como intromissão na política interna. O Brasil é o principal parceiro comercial da Argentina, e as economias são integradas, sobretudo nos setores automotivo e industrial, o que torna o clima político relevante para empresas e exportadores dos dois países.

Terceiro, pelo ambiente pós-eleitoral. A disputa presidencial terminou com a vitória de Lula, e os resultados oficiais estão no painel de Eleições 2026. Parte do debate agora se desloca para o desdobramento judicial e diplomático do episódio, em que cada campo político tende a oferecer uma leitura própria. Aliados de Flávio falam em perseguição, enquanto o governo e parte da oposição defendem o cumprimento das decisões judiciais. Cabe separar o que está documentado do que é avaliação de cada parte.

O que observar a seguir

O primeiro ponto é se o governo argentino divulga nota ou explicação formal, já que o chanceler negou até aqui que tenha havido pedido do Brasil. O segundo é o andamento do inquérito da Polícia Federal sobre a saída de Flávio e eventuais decisões de Moraes sobre o descumprimento da ordem. O terceiro é a situação das embaixadas: não há sinal, na fonte, de volta dos embaixadores. Novas informações sobre o tema serão acompanhadas na página de notícias.

Vale lembrar o limite da informação disponível: a reportagem se apoia em duas fontes anônimas do governo brasileiro, que falaram à Reuters, e o Itamaraty não se pronunciou. Por isso, os detalhes da conversa com a diplomata não foram confirmados oficialmente, e a defesa de Flávio e o governo Milei têm a oportunidade de apresentar suas versões, que serão incorporadas quando divulgadas.

Fonte original

Agência Brasil (Reuters)

agenciabrasil.ebc.com.br

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Perguntas frequentes

Segundo a Reuters, reproduzida pela Agência Brasil, o Itamaraty chamou a encarregada de negócios da Argentina em Brasília, Maria Emília Cortés, na quinta-feira (29). Ela foi recebida pelo diretor do Departamento de América do Sul, João Marcelo Galvão de Queiroz. O ministério não comentou o caso.
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