Petrobras eleva querosene de aviação em 7,2% a partir de 1º de novembro
Reajuste médio de R$ 0,45 por litro vale desde domingo (1º); em outubro a alta foi de 11,76%. A Abear diz que o QAV passou de 30% para mais de 45% dos custos.

A Petrobras aumentou em 7,2% o preço médio do querosene de aviação (QAV) vendido às distribuidoras, o que corresponde a R$ 0,45 por litro. O reajuste passou a valer no domingo (1º de novembro de 2026), segundo a Agência Brasil. O ajuste é mensal e vem depois de uma alta de 11,76% em outubro.
A estatal atribui o aumento ao preço internacional do combustível, pressionado por tensões no Oriente Médio e pela menor capacidade de refino da Rússia e da Ucrânia em razão do conflito entre os dois países. A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) afirma que o QAV passou de cerca de 30% para mais de 45% dos custos operacionais das companhias brasileiras desde que o conflito no Oriente Médio começou, conforme a reportagem.
Como a Petrobras calcula o preço
A Agência Brasil informa que os preços do QAV no Brasil são reajustados uma vez por mês, enquanto as cotações internacionais mudam quase todos os dias. A Petrobras diz que usa uma fórmula paramétrica prevista em contrato, que suaviza as oscilações de curto prazo. Por esse motivo, segundo a empresa, os aumentos praticados no país são mais brandos do que os registrados no mercado global.
A estatal responde por cerca de 85% da produção de QAV no Brasil. O mercado é aberto a outros produtores e importadores, mas o preço da Petrobras serve de referência para as distribuidoras. O valor anunciado é uma média, o que significa que o efeito varia conforme o aeroporto e o contrato.
O histórico recente e o peso para as companhias aéreas
A reportagem registra que, segundo a legenda de uma das fotos, o QAV acumula alta de 74% desde o início de março e que o ajuste de outubro levou o preço médio a R$ 6,24 por litro. A própria Agência Brasil apresenta o texto com inconsistências nas datas dessa legenda e no valor por litro da alta de outubro, por isso esta redação trata esses dois números como referência aproximada e não os usa para cálculos. O dado principal, de 7,2% e R$ 0,45 por litro em novembro, é o que consta no corpo da matéria.
O combustível é um dos maiores itens de despesa de uma companhia aérea. Quando o peso do QAV sobe de cerca de 30% para mais de 45% dos custos, como afirma a Abear, a margem para absorver novos reajustes diminui. O setor costuma tratar o tema como um dos fatores que influenciam preço de passagem, oferta de voos e rotas regionais. A reportagem não traz estimativa de repasse às tarifas, e esta redação não encontrou projeção oficial sobre o efeito no valor das passagens.
Por que isso importa
O reajuste mostra como a política de preços da estatal, controlada pela União, tem efeito direto sobre setores da economia e sobre o custo de vida. A escolha de seguir a paridade internacional, suavizada por uma fórmula, é uma decisão da empresa e do seu conselho, e o governo federal é o acionista controlador. De um lado, as companhias aéreas pedem alívio nos custos; de outro, a estatal precisa preservar receita e capacidade de investimento.
O momento também tem relevância política. O presidente reeleito, Luiz Inácio Lula da Silva, toma posse em 5 de janeiro de 2027, e a equipe econômica discute a gestão de preços de energia e combustíveis. A nota sobre a manutenção do subsídio a combustíveis em 2027 mostra o debate do Tesouro sobre o custo dessa política, e a nota sobre as alíquotas do Imposto Seletivo trata de outro tributo que pode alterar o preço de produtos ligados a petróleo e consumo.
Para o leitor comum, o efeito do QAV chega de forma indireta: pelo preço da passagem aérea, pelo frete de cargas transportadas por avião e pelo custo de rotas menos rentáveis. Não há, na reportagem, indicação de que o reajuste altere o preço da gasolina, do diesel ou do gás de cozinha, e esta redação não afirma essa relação.
Em outras palavras, o preço do QAV combina três camadas: a cotação internacional do petróleo e de seus derivados, a fórmula contratual da Petrobras, que define o valor cobrado das distribuidoras, e a margem das distribuidoras e dos aeroportos até chegar à aeronave. A reportagem trata apenas da segunda camada. Qualquer conta sobre o impacto final em uma passagem específica exigiria dados de cada companhia, que não foram divulgados.
O que observar a seguir
O primeiro ponto é o ajuste de dezembro. Como o preço segue as cotações internacionais com defasagem, a direção do petróleo e do conflito no Oriente Médio nas próximas semanas indicará se haverá nova alta, estabilidade ou queda. O segundo é a reação das companhias aéreas, que podem reajustar tarifas ou reduzir oferta, e a resposta do governo e da Agência Nacional de Aviação Civil a eventuais pedidos do setor.
Também vale acompanhar o cenário macroeconômico da semana. O Comitê de Política Monetária (Copom) decide a Selic na quarta-feira (4), como detalha a nota sobre as apostas do mercado, e a oscilação do dólar após a eleição, registrada na nota sobre o Ibovespa e o câmbio, influencia o custo de combustíveis cotados em moeda estrangeira. Outro item recente de custo ao consumidor, a bandeira verde na conta de luz em novembro, aponta na direção contrária.
Esta nota se baseia na reportagem da Agência Brasil, que cita a Petrobras e a Abear. As posições de cada parte aparecem atribuídas a quem as emitiu. A redação não localizou, até a publicação, comunicado da estatal em seu site com os valores por aeroporto, que costumam ser divulgados em tabela separada.
Fonte original
Agência Brasil
agenciabrasil.ebc.com.br
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Equipe Política Diária
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