Petrobras anuncia 3ª descoberta de petróleo no poço Morpho, no Amapá
A estatal confirmou um terceiro intervalo com petróleo no mesmo poço da Foz do Amazonas, concluiu a perfuração e levará a sonda à Bacia Potiguar.
A Petrobras anunciou na quinta-feira (29) a terceira descoberta de petróleo no poço Morpho, no bloco FZA-M-59, na Bacia da Foz do Amazonas, a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá. Segundo o comunicado da empresa, a lâmina d'água no local é de 2.886 metros e o novo intervalo portador de petróleo foi confirmado após a avaliação de outras profundidades de interesse, depois dos achados divulgados em agosto e no início de outubro.
A companhia informou que a perfuração e a coleta de dados geológicos estão concluídas. Falta apenas a finalização das operações no poço, chamada de abandono, e a sonda seguirá para a Bacia Potiguar, no litoral do Rio Grande do Norte, onde começará a perfurar a locação Mãe de Ouro. A presidente da estatal, Magda Chambriard, disse que a "persistência técnica" permitiu "três descobertas no mesmo poço" e deixou a empresa mais otimista com o potencial da chamada Margem Equatorial, segundo a Agência Brasil.
O que já se sabe sobre o poço Morpho
O bloco FZA-M-59 foi arrematado em 2013, na 11ª Rodada de Licitações da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), sob regime de concessão. A vencedora foi a britânica BP, que repassou a concessão à Petrobras em 2021. Hoje a estatal é a operadora e detém 100% da área, de acordo com a Agência Petrobras.
A perfuração do Morpho começou em 20 de outubro de 2025, segundo a Reuters, na versão publicada pelo Terra. A licença do Ibama para esse poço foi concedida em outubro de 2025, depois de um longo impasse que colocou empresas de petróleo e setores do governo de um lado e ambientalistas de outro, estes preocupados com o impacto da exploração, como lembrou a Agência Brasil na cobertura da segunda descoberta.
Uma descoberta em poço exploratório não equivale a uma reserva comercial. Quando a primeira ocorrência foi anunciada, a presidente da Petrobras afirmou que ainda não era possível estimar o volume encontrado, e a Agência Brasil registrou que seriam necessários estudos sobre o volume, as características do reservatório e a viabilidade técnica e econômica de uma eventual produção. A empresa já havia dito que o petróleo achado em agosto é de "boa qualidade", e o material da segunda descoberta iria para análises de laboratório.
Os próximos passos e o licenciamento
De acordo com a Reuters, a Petrobras pretende perfurar mais três poços para delimitar a descoberta e verificar se o ativo pode produzir comercialmente, em uma campanha prevista para o primeiro trimestre de 2027. Segundo a agência, uma fonte da companhia disse que o resultado não altera o que já estava previsto para a campanha na Foz do Amazonas. Nos textos consultados para esta reportagem, a empresa não apresenta estimativa de volume.
Em 3 de setembro, o Ibama retificou a licença de operação e autorizou a perfuração de três poços adicionais no bloco, chamados Manga, PAD Morpho e Crotalus, conforme informou o site MegaWhat. A Petrobras sustentava que esses poços sempre constaram do pedido de licenciamento, iniciado pela BP em 2014. A retificação, segundo o mesmo site, impede a operação de sondas diferentes ao mesmo tempo e exige atualização semestral do plano de ação para manejo de sirênios, grupo que inclui o peixe-boi. A equipe técnica do Ibama registrou, ainda segundo o MegaWhat, que a empresa não havia executado até então as ações previstas no plano protocolado em fevereiro de 2026.
A Petrobras, por sua vez, afirma que as atividades são conduzidas "de forma segura e com respeito ao meio ambiente e às pessoas". A empresa defende a exploração como parte da estratégia de recompor as reservas de petróleo e gás do país. Segundo a página da companhia sobre as novas fronteiras, o Plano de Negócios 2026-2030 prevê investimento de US$ 2,5 bilhões na Margem Equatorial nos próximos cinco anos e a perfuração de 15 novos poços na região.
Reação no Senado
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, comemorou o anúncio em nota divulgada pela Agência Senado. Ele disse ter liderado "durante anos" a defesa de que a região pudesse ser pesquisada e afirmou que os resultados "dão ainda mais importância à continuidade desse trabalho". Na nota, ponderou que ainda há etapas importantes pela frente e concluiu que "o Amapá tem muito a revelar ao Brasil".
Alcolumbre também esteve no noticiário desta semana por outro assunto, a discussão sobre indulto ou anistia a Jair Bolsonaro. A nota sobre o petróleo, porém, trata apenas do tema energético e regional.
Por que isso importa
A Bacia da Foz do Amazonas é vista pela indústria como a de maior potencial para abrir uma nova fronteira exploratória no país. Um estudo da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), ligada ao Ministério de Minas e Energia, estima que o volume potencial total recuperável da bacia pode chegar a 10 bilhões de barris de óleo equivalente, medida que soma petróleo e gás natural, segundo a Agência Brasil. Para comparação, dados da ANP citados pela agência apontam que o Brasil terminou 2025 com cerca de 70 bilhões de barris somando reservas provadas, prováveis e possíveis de petróleo. Trata-se de uma estimativa de potencial, não de volume confirmado.
O tema também pesa na agenda econômica do próximo mandato. Os planos de governo dos dois candidatos do segundo turno trataram de modo diferente o papel das estatais, como detalha a reportagem sobre as propostas para Petrobras, Correios e outras empresas. Lula (PT), reeleito conforme o resultado oficial do TSE, disse em agosto, durante visita ao Oiapoque, que a exploração da Margem Equatorial não altera a estratégia de investir em biocombustíveis e outras fontes renováveis, segundo a Agência Brasil. Ambientalistas, por outro lado, questionam o impacto da atividade na região, e o Ibama mantém condicionantes sobre a operação.
Há ainda o efeito sobre as contas públicas e sobre os preços. Petróleo e derivados entram no debate fiscal por causa da arrecadação de royalties e da política de subsídios, assunto que o ministro da Fazenda, Dario Durigan, abordou ao falar da manutenção do subsídio aos combustíveis em 2027. Qualquer produção na Margem Equatorial, porém, só seria possível depois de novas perfurações, estudos de viabilidade, licenciamento da etapa de produção e investimento em plataformas, um processo que costuma levar anos.
O que observar a seguir
O primeiro ponto é o resultado das análises de laboratório e a eventual divulgação de estimativas de volume pela Petrobras e pela ANP. O segundo é o início da campanha de poços de delimitação, previsto para 2027, e o cumprimento das condicionantes fixadas pelo Ibama, em especial as ligadas à fauna marinha. O terceiro é a perfuração na Bacia Potiguar, que levará a mesma sonda a outra parte da Margem Equatorial, que se estende do Amapá ao Rio Grande do Norte.
No Congresso, o assunto pode voltar na discussão do Orçamento e das pautas que a base do governo quer votar antes da posse, tema da reportagem sobre a aceleração de votações em 2026. O painel Eleições 2026 reúne os resultados oficiais do pleito que define quem conduzirá a política energética a partir de janeiro de 2027.
Fonte original
Agência Petrobras
agencia.petrobras.com.br
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Quem escreveu
Equipe Política Diária
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