Andersson falha em 2ª tentativa de formar governo na Suécia
Líder social-democrata diz que não há condições de formar governo tolerado pelo Parlamento. Presidente do Riksdag deve submeter o nome dela a voto na quinta-feira.

A líder do Partido Social-Democrata da Suécia, Magdalena Andersson, afirmou nesta terça-feira (13) que a segunda tentativa dela de formar um governo fracassou, segundo a Al Jazeera. Andersson disse não acreditar que existam condições para "formar um governo que possa ser tolerado pelo Parlamento". A tarefa de sondar essas condições havia sido dada a ela pelo presidente do Riksdag, o Parlamento sueco, Andreas Norlén.
De acordo com a reportagem, Norlén disse que uma votação para nomear Andersson primeira-ministra deve ocorrer na quinta-feira (15), e admitiu que ela provavelmente não será aprovada. Se isso acontecer, o presidente do Riksdag deve pedir ao atual primeiro-ministro, Ulf Kristersson, líder do bloco de direita, que negocie com os outros partidos. Norlén afirmou que considera Kristersson um possível próximo candidato, mas que não quer se comprometer cedo demais e vai "respeitar o processo".
Como o impasse chegou até aqui
As eleições parlamentares suecas foram realizadas em 13 de setembro de 2026. O bloco de centro-esquerda conquistou 176 cadeiras, e o bloco de direita, 173, num Parlamento de 349 lugares. Kristersson, do Partido Moderado, continua à frente de um governo de transição enquanto não houver um novo gabinete.
O site do Riksdag registra que Norlén iniciou o processo de formação do governo em 17 de setembro e, no dia seguinte, encarregou Andersson de explorar se seria possível montar um gabinete. Segundo a agência Reuters, publicada pelo jornal The Star, Andersson anunciou na segunda-feira anterior, 28 de setembro, que não conseguia apoio suficiente. No fim de semana, o Partido da Esquerda decidiu apoiar um candidato do Partido Moderado à presidência do Parlamento, o que, segundo Andersson, minou a tentativa dela de construir uma maioria.
Em 2 de outubro, o presidente do Riksdag pediu que ela tentasse de novo. Ela tinha até 12 de outubro para responder ou pedir mais prazo. A Al Jazeera relata que, nesta terça, ela concluiu que a nova tentativa também não prosperou.
As posições dos partidos
Num Parlamento de 349 cadeiras, a maioria é de 175. O bloco de centro-esquerda, com 176, passa dessa marca por uma única cadeira, e só mantém essa vantagem se todos os partidos que o compõem votarem juntos. Por isso a dificuldade é a aritmética entre os partidos, e não só o total de cadeiras do bloco. Segundo a Al Jazeera, o Partido do Centro afirmou que se oporá a um governo que inclua ministros do Partido da Esquerda. Já o Partido da Esquerda disse que só apoiará um governo de esquerda do qual participe. As duas posições, juntas, impedem a formação de um gabinete aceito por todos.
Kristersson, por sua vez, precisaria que algum partido da oposição o apoie ou, ao menos, não vote contra ele. O jornal não detalha quais partidos poderiam fazer isso, e esta reportagem não atribui a nenhum deles uma posição que não conste nas fontes.
A regra sueca: o governo cai só se a maioria votar contra
O sistema sueco tem uma característica que o diferencia de muitos outros. Um primeiro-ministro pode assumir desde que a maioria do Parlamento não vote contra a indicação. Não é preciso reunir uma maioria a favor, apenas evitar uma maioria contra. Por isso, o apoio "tolerado" de um partido que não entra no governo é uma peça central das negociações.
A mesma regra impõe um limite de tempo. Segundo a Al Jazeera, o presidente do Riksdag tem quatro tentativas para propor um primeiro-ministro. Se a quarta falhar, é preciso convocar uma nova eleição geral. A publicação não diz em que ponto dessa contagem a votação de quinta-feira se enquadra.
Por que isso importa para o leitor brasileiro
O caso mostra como funciona um sistema parlamentarista, em que o chefe de governo depende de maioria no Parlamento, ao contrário do Brasil, onde o presidente é eleito diretamente e tem mandato fixo. Na Suécia, o resultado das urnas não define sozinho quem governa: depende de acordos entre partidos, e um impasse pode demorar semanas.
A situação lembra o que aconteceu na Espanha, onde o premiê convocou eleições antecipadas depois de perder uma votação, como mostra a cobertura sobre Pedro Sánchez. Em ambos os países, o Parlamento decide o destino do governo. Em Brasília, o equilíbrio entre bancadas também condiciona a pauta, como se vê na reportagem sobre as maiores bancadas da Câmara e do Senado.
Para quem quer entender como as instituições resistem a impasses e polarização, a resenha de Como as Democracias Morrem apresenta a visão de dois cientistas políticos sobre o tema. A Suécia é exemplo de um modelo com regras claras de desempate: se os partidos não se entendem, o eleitor volta às urnas.
Do ponto de vista europeu, a Suécia é um país com peso na União Europeia e na aliança de defesa ocidental, e seu governo toma decisões sobre orçamento, energia e política externa. Um impasse prolongado mantém um governo de transição com atribuições limitadas, mas as fontes consultadas não descrevem efeitos econômicos ou diplomáticos específicos da demora.
O que observar a seguir
Na quinta-feira, o Riksdag deve votar a indicação de Andersson. Se ela for rejeitada, o próximo passo esperado é o pedido a Kristersson para que negocie com os demais partidos. O ponto decisivo será saber se Centro e Esquerda alteram as posições atuais, ou se algum partido aceita tolerar um gabinete de direita sem participar dele.
Se as tentativas se esgotarem sem governo aprovado, a Constituição sueca prevê nova eleição. A comunicação oficial do Riksdag, em riksdagen.se, e as agências de notícias mostrarão o resultado e o calendário seguinte.
Fonte original
Al Jazeera
aljazeera.com
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Equipe Política Diária
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