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União Brasil vai liberar filiados para integrar o governo Lula 4

Segundo a Folha, o partido de Antônio Rueda anunciará a liberação na próxima semana. O PSD de Kassab já liberou seus quadros na terça (27), com 'independência'.

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União Brasil vai liberar filiados para integrar o governo Lula 4
Foto: Arley Cruzper (CC BY-SA 4.0) / Wikimedia Commons

O União Brasil vai liberar seus filiados para integrar o governo do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A informação foi publicada nesta quinta-feira (29) pela Folha de S.Paulo, que ouviu integrantes da cúpula da legenda sob reserva. Ainda segundo o jornal, a decisão será anunciada na próxima semana pelo presidente do partido, o deputado eleito Antônio Rueda (RJ).

A medida muda a posição oficial da sigla. O União Brasil havia rompido com o Planalto e apoiado o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno, segundo a Folha. A liberação, por si só, não significa adesão formal ao governo nem ocupação de ministérios: a reportagem registra que, até agora, não houve conversas objetivas sobre a participação do partido na Esplanada. Na terça-feira (27), o PSD tomou decisão parecida, como detalha o Jornal de Brasília, em texto da Folhapress.

O que muda com a liberação

Liberar filiados é uma decisão de direção partidária. Ela permite que políticos da sigla aceitem convites para ministérios e outros cargos sem que isso seja tratado como indisciplina. Em setembro de 2025, conforme a Folha, a federação União Progressista (União Brasil e PP) deixou o governo Lula e mandou os filiados com mandato eletivo deixarem seus postos. A ordem dividiu o partido: o então ministro do Turismo, Celso Sabino, resistiu, foi expulso do União Brasil e migrou para o PDT, e a pasta passou a ser comandada por outro nome, para manter o apoio da ala governista da sigla.

Com a nova decisão, o objetivo declarado por integrantes do partido é destravar conversas do governo com núcleos do União Brasil. A Folha afirma que o Planalto sinalizou vontade de se reaproximar e que a cúpula do PT deve procurar a legenda em breve. O PP, presidido por Ciro Nogueira, ainda não indicou qual caminho seguirá, de acordo com a reportagem.

O que disse o PSD

O presidente do PSD, Gilberto Kassab, afirmou na terça-feira (27), em evento do Dominium Group em Brasília, que integrantes do partido estão liberados para participar do governo Lula. "Vamos permitir que nossos companheiros integrem o governo, mas sem submissão. A independência é o melhor caminho", disse, segundo o Jornal de Brasília. O PSD ficou neutro no segundo turno depois da derrota de seu candidato, Ronaldo Caiado, no primeiro, e, nos bastidores, espera que a postura seja reconhecida na partilha da Esplanada. No atual governo, a sigla comanda os ministérios da Agricultura, de Minas e Energia e da Pesca, segundo a mesma publicação.

No mesmo evento, Kassab defendeu o voto distrital misto, disse que o PSD fechará questão a favor do modelo e que quem votar contra será convidado a deixar o partido. Defendeu ainda uma reforma do Judiciário, com idade mínima de 60 anos e mandato de 12 anos para ministros de tribunais superiores. São propostas dele, não decisões em andamento. O tema do distrital misto já havia aparecido na pauta anunciada pelo presidente da Câmara, Hugo Motta.

Os números do Congresso a partir de 2027

A conta parlamentar ajuda a entender o movimento. O PL terá 121 deputados e 29 senadores a partir de 2027, segundo a Folha e o Jornal de Brasília, e já foi destacado aqui como a maior bancada das duas Casas. O União Brasil terá 46 cadeiras na Câmara, e a federação União Progressista, da qual o partido faz parte com o PP, soma 87, de acordo com a Folha. A reportagem observa que a base do governo é pequena, o que torna provável uma aproximação entre o PT e partidos do centro.

Para conferir quem são os parlamentares e como votam, o leitor pode consultar o painel Congresso por dentro, com dados da Câmara e do Senado. O resultado das urnas está no painel Eleições 2026, e o fato que abriu este período, a vitória de Lula no segundo turno, tem registro próprio.

Por que isso importa

Primeiro, pela governabilidade. Um presidente que assume em 2027 com bancada própria pequena depende de partidos de centro para votar medidas na Câmara e no Senado. A liberação de filiados é o primeiro passo visível dessa negociação: ela abre a possibilidade de indicações, ainda sem acordo anunciado.

Segundo, pela eleição das Mesas. De acordo com a Folha, o União Brasil passou a focar na reeleição do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que tem o apoio do governo e de Rueda, mas enfrenta o avanço do PL. O jornal diz que o PL quer presidir o Senado para travar pautas do governo e promover o impeachment de ministros do STF, e que Alcolumbre travou o afastamento dos magistrados. A posição do PL sobre a presidência está descrita na cobertura da disputa pelo Senado, em que o próprio Alcolumbre diz, por meio de aliados, ter 48 votos. Na Câmara, o PT apoia a recondução de Hugo Motta, como mostram o encontro no Alvorada e o anúncio da federação PT-PCdoB-PV.

Terceiro, pelo reposicionamento dos partidos. A Folha afirma que integrantes do União Brasil querem se apresentar como alternativa de centro, distante do bolsonarismo, e que a legenda se irritou com a postura de Flávio Bolsonaro depois da derrota, quando ele viajou aos Estados Unidos. Esse relato vem de fontes do partido ouvidas pelo jornal e não foi confirmado em nota oficial.

O que observar a seguir

O primeiro marco é o anúncio de Rueda, previsto para a próxima semana. Se confirmado, o passo seguinte é saber se o Planalto fará convites formais e para quais pastas. Também vale acompanhar a decisão do PP, que ainda não definiu sua posição, e o desenho final da federação União Progressista.

A distribuição de ministérios só será conhecida quando o presidente eleito divulgar a equipe. A posse do presidente eleito será em 5 de janeiro de 2027, conforme registrou a Agência Senado. Até lá, o que existe é sinalização: liberação de filiados por dois partidos de centro, nenhum acordo formal de cargos e uma disputa aberta pelas presidências das duas Casas, cujas Mesas são eleitas em 1º de fevereiro, segundo a Agência Senado.

Esta matéria se baseia na reportagem da Folha, que cita fontes sob reserva, e nas declarações públicas de Kassab. Se o União Brasil divulgar nota ou o anúncio mudar em relação ao que foi publicado, o texto será atualizado.

Fonte original

Folha de S.Paulo

www1.folha.uol.com.br

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Perguntas frequentes

Significa que a direção do partido deixa de impedir que seus filiados aceitem cargos no governo. Não é adesão formal nem acordo por ministérios. Segundo a Folha, ainda não houve conversas objetivas sobre a participação do União Brasil na Esplanada, e o anúncio de Antônio Rueda é esperado para a próxima semana.
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Quem escreveu

Equipe Política Diária

Redação da Política Diária

A equipe da Política Diária escreve para quem quer entender a política brasileira e internacional sem torcida. Cada texto parte de fontes primárias (Diário Oficial, Câmara, Senado, STF, TSE, organismos internacionais e veículos de imprensa identificados) e é escrito em português claro, separando fato de opinião.

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