Política Diária

Digite para buscar em todos os artigos e notícias.

Política Diária

Dino convoca audiência pública no STF sobre a Lei de Alienação Parental

Relator da ADI 7606, do PSB, o ministro Flávio Dino marcou a audiência para 14 de dezembro. Inscrições de expositores vão até 26 de novembro.

Foto de Equipe Política DiáriaEquipe Política Diáriavia Política Diária
Dino convoca audiência pública no STF sobre a Lei de Alienação Parental
Foto: Ricαrdo from Fortaleza/CE, Brasil (CC BY 2.0) / Wikimedia Commons

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), convocou uma audiência pública para discutir a aplicação da Lei de Alienação Parental (Lei 12.318/2010). Segundo a notícia publicada pelo tribunal em 5 de novembro de 2026, a audiência será em 14 de dezembro, às 9h, na sala de sessões da Primeira Turma, com transmissão pela TV Justiça, pela Rádio Justiça e pelo canal do STF no YouTube.

A convocação ocorre na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 7606, proposta pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB) contra dispositivos da lei, e da qual Dino é relator. O objetivo, de acordo com o STF, é reunir subsídios técnicos e interdisciplinares sobre dois pontos: as acusações falsas contra um dos pais ou contra familiares e as medidas judiciais de urgência para proteger a integridade psicológica de crianças e adolescentes, inclusive a manutenção do convívio com o genitor.

O que a ação questiona

A Lei 12.318/2010 define a alienação parental como a interferência na formação psicológica da criança ou do adolescente, promovida por um dos pais, pelos avós ou por quem tenha a criança sob autoridade, guarda ou vigilância, para que ela repudie o outro genitor ou para que se prejudiquem os vínculos com ele. Ao ajuizar a ação, em 2024, o PSB contestou dois pontos, conforme reportou o Migalhas: o inciso VI do parágrafo único do artigo 2º, que lista como exemplo de alienação apresentar falsa denúncia contra um genitor, seus familiares ou os avós para dificultar o contato com a criança, e a previsão de que, havendo indício de alienação, o juiz determine com urgência medidas provisórias para proteger a integridade psicológica do menor.

O partido sustenta que a lei é usada, em alguns casos, para encobrir abusos e violência doméstica, especialmente contra mulheres. Segundo a reportagem, a legenda cita o Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero do Conselho Nacional de Justiça, de 2021, que reconheceu esse padrão. Para o PSB, denúncias de abuso feitas em disputas de guarda passam a ser tratadas como falsas, e mães podem deixar de denunciar por medo de serem vistas como alienadoras e de perder a guarda.

Os dois eixos da audiência

De acordo com o resumo do STF, os argumentos do PSB são dois. Primeiro, a inclusão da falsa acusação entre os exemplos de alienação poderia ser usada para desacreditar relatos de violência doméstica e sexual, inclusive por parte dos próprios acusados, e desestimular novas denúncias. Segundo, as medidas de urgência poderiam obrigar a criança a conviver com um genitor suspeito de violência antes de os fatos serem esclarecidos.

A audiência vai tratar, ainda conforme o tribunal, de como identificar denúncias falsas, dos riscos à integridade física e psicológica de crianças e adolescentes e do risco de que a desigualdade de gênero e a violência contra a mulher sejam reforçadas pela forma como a lei é aplicada. A pauta, portanto, mistura duas preocupações que aparecem em lados opostos nos processos de família: a proteção de quem denuncia e a proteção de quem afirma ser alvo de uma denúncia sem fundamento.

Como participar

O STF informou as regras para quem quiser falar. Os interessados devem pedir inscrição até 26 de novembro, por e-mail enviado a audiencias.gmfd@stf.jus.br, informando qualificação e os temas que pretendem abordar. A lista de participantes será divulgada no portal do tribunal a partir de 2 de dezembro.

Na seleção, segundo o STF, serão considerados a experiência e a autoridade do interessado no assunto, a relevância da contribuição, a diversidade de perspectivas e o equilíbrio entre áreas e posições. Quem não for escolhido para falar pode enviar contribuições por escrito, com autorização do relator, já que o tempo e o número de vagas são limitados. O tribunal não detalhou, na notícia consultada, quantos expositores serão ouvidos.

Para que serve uma audiência pública no STF

A audiência pública é um instrumento pelo qual o relator de um processo ouve especialistas, entidades e representantes da sociedade antes de levar o caso a julgamento. Ela não decide a ação e não substitui o voto dos ministros: serve para trazer ao processo informações técnicas que o texto da lei e as petições das partes, sozinhos, nem sempre oferecem. Neste caso, a escolha por uma audiência indica que o relator considera necessário ouvir psicólogos, assistentes sociais, juristas, representantes do sistema de Justiça e entidades da sociedade civil antes de formar posição.

A convocação também não antecipa o resultado. O STF não informou voto do relator nem data de julgamento da ADI 7606. O que a fonte oficial registra é o calendário da audiência e os temas que serão debatidos.

Por que isso importa

A Lei de Alienação Parental é aplicada em varas de família de todo o país, e sua interpretação afeta decisões sobre guarda, convivência e visitas. Uma decisão do Supremo sobre os dois dispositivos questionados pode orientar juízes sobre como tratar, em um mesmo processo, uma suspeita de alienação e uma denúncia de violência, duas alegações que podem aparecer juntas e com sentidos opostos.

O debate envolve posições que o próprio processo registra. De um lado, o PSB e as entidades que apoiam a ação afirmam que a lei pode desestimular denúncias. De outro, quem defende a norma sustenta que ela protege crianças e adolescentes contra a manipulação por um dos pais, tema que a audiência também deve abordar ao tratar do convívio e da integridade psicológica.

Para famílias em disputa de guarda, o efeito imediato é nenhum: a lei segue em vigor, e a audiência não suspende processos em curso. O efeito possível vem depois, com o julgamento da ação e eventual tese de aplicação nacional.

O que observar a seguir

Os próximos marcos são 26 de novembro, prazo de inscrição dos expositores, 2 de dezembro, data de divulgação da lista de participantes, e 14 de dezembro, dia da audiência. Depois dela, o relator pode liberar o caso para julgamento, em data a ser definida pela presidência do tribunal.

A semana tem outros temas de Justiça no tribunal. Na quarta-feira (4), o plenário começou a julgar o crime de ato obsceno, com julgamento suspenso, e a Confederação Nacional do Comércio apresentou ao STF a ADI 8041 sobre o prazo do fim da escala 6x1, também relatada por Dino. No ambiente virtual, o Plenário manteve a extinção do ICMS Verde em Alagoas. Também com Dino como relator, o site noticiou o inquérito da Polícia Federal sobre interferência estrangeira nas eleições. Todas as notícias de Justiça ficam reunidas em notícias.

Esta notícia se baseia no resumo publicado pelo STF em 5 de novembro de 2026 e na reportagem do Migalhas sobre o ajuizamento da ADI 7606. O texto da petição, o parecer da Procuradoria-Geral da República e a lista de entidades admitidas como amicus curiae não constam dessas fontes e, por isso, não são apresentados aqui.

Fonte original

Supremo Tribunal Federal

noticias.stf.jus.br

Ler na fonte original

Perguntas frequentes

Em 14 de dezembro de 2026, às 9h, na sala de sessões da Primeira Turma do STF, com transmissão pela TV Justiça, pela Rádio Justiça e pelo YouTube do tribunal. O relator da ADI 7606 é o ministro Flávio Dino.
Foto de Equipe Política Diária

Quem escreveu

Equipe Política Diária

Redação da Política Diária

A equipe da Política Diária escreve para quem quer entender a política brasileira e internacional sem torcida. Cada texto parte de fontes primárias (Diário Oficial, Câmara, Senado, STF, TSE, organismos internacionais e veículos de imprensa identificados) e é escrito em português claro, separando fato de opinião.

Últimas

Mais notícias

Todas as notícias →