Lula defende economia arrumada e promete responsabilidade fiscal
Em reunião no Planalto, Lula disse que ninguém investe em economia desordenada. Pronunciamento em rede nacional está previsto para domingo, segundo a imprensa.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou na quinta-feira (5), no Palácio do Planalto, que o Brasil precisa de uma "economia arrumada" para atrair investimentos e que isso exige responsabilidade fiscal e jurídica. A fala ocorreu durante a reunião do Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos, e foi publicada pela Agência Brasil às 19h07 do mesmo dia. "Para a gente atrair [investidores], temos que ter uma economia arrumada", disse o presidente, segundo a reportagem.
Também de acordo com a Agência Brasil, Lula afirmou que "ninguém vai fazer investimento numa economia desordenada" e que os investidores querem saber se o governo está falando sério. Segundo o Metrópoles, foi a primeira vez que o presidente, reeleito em 25 de outubro, se dirigiu em público à tensão do mercado financeiro depois do resultado das urnas, ainda que sem citar o mercado diretamente.
O que Lula disse e o que o governo acrescentou
A reunião tratava de minerais críticos, tema de uma notícia publicada aqui sobre a lista de 27 minerais críticos aprovada pelo conselho. No mesmo discurso, segundo a Agência Brasil, o presidente disse que o Estado brasileiro não deve ser o "senhor supremo" da exploração e da industrialização desses minerais e que prefere construir parcerias com outros países. "Nós queremos construir parceria, precisamos aprender", afirmou.
A reportagem registra ainda que Lula lembrou a votação que o reconduziu ao cargo. Ele citou que mais de 64 milhões de pessoas o reelegeram para um quarto mandato e atribuiu o resultado à população, incluindo jovens e idosos, e não a um partido ou candidato. O resultado oficial da eleição está no painel Eleições 2026, com a apuração do TSE.
Depois do encontro, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, falou com jornalistas. Conforme o O Tempo, ele disse que "não há fórmula mágica" para a economia brasileira e que o governo pretende manter seus compromissos fiscais e os benefícios prometidos na campanha. Perguntado sobre medidas específicas, Durigan respondeu que elas não foram discutidas na reunião.
Pronunciamento em rede nacional
Segundo informação do Estadão/Broadcast, reproduzida pelo InfoMoney na quarta-feira (4), Lula fará um pronunciamento em cadeia nacional de rádio e TV no domingo (8). Será a primeira fala formal dele depois da reeleição. De acordo com o texto, o presidente deve dizer que seguirá perseguindo as metas fiscais, que manterá responsabilidade fiscal ao longo do quarto mandato e que não deixará de cumprir promessas de campanha.
O Metrópoles acrescenta que, nessa fala, Lula deve assumir o compromisso com a sustentabilidade das contas públicas, mas sem detalhar medidas específicas. Ainda conforme o jornal, o anúncio das medidas de ajuste foi adiado em pelo menos uma semana. O Planalto não divulgou o conteúdo do pronunciamento, e o que se sabe até aqui vem de reportagens que citam fontes do governo, por isso o texto final pode diferir do que foi antecipado.
O InfoMoney relata que as medidas, que devem conter gastos e aumentar a arrecadação, estão em discussão com Durigan e com o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, e devem ser anunciadas nas próximas semanas. Segundo o Estadão, as novas medidas e promessas exigirão ajustes de ao menos R$ 39,8 bilhões no Orçamento de 2027. Entre as promessas citadas pelo jornal estão o Pé-de-Meia para universitários e para todos os alunos do ensino médio, mais de 100 presídios de segurança máxima e reajustes do Bolsa Família e do salário mínimo.
Contexto: o mercado depois da eleição
O Metrópoles afirma que o mercado reagiu mal desde a vitória de Lula: a Bolsa perdeu mais de 30 mil pontos e o dólar subiu de menos de R$ 5 para R$ 5,48 na quinta-feira (5), segundo o jornal. Os números de fechamento diário variam entre as fontes, por diferenças de horário e metodologia, e estão detalhados na cobertura dos pregões, como a que registra a pior semana da Bolsa desde 2020.
Na quarta-feira (4), o Comitê de Política Monetária do Banco Central manteve a Selic em 13,75% ao ano, por unanimidade, e interrompeu uma sequência de cortes, como mostra a notícia sobre a decisão do Copom. O Metrópoles diz que o comitê citou a política fiscal do governo entre os fatores da decisão.
Em 26 de outubro, Durigan disse em entrevista ao Broadcast que o governo vai alterar a lei ou, se necessário, a Constituição para buscar formalmente o centro da meta fiscal, como registra a notícia sobre o debate sobre a meta. Segundo o InfoMoney, Durigan havia dito antes do primeiro turno que o ajuste seria feito sem "cavalo de pau" nem "loucuras na economia". O jornal lembra ainda que, na campanha, Lula chamou o superávit primário de "babaquice", e que o presidente lançou um pacote de medidas acima de R$ 400 bilhões.
Por que isso importa
O arcabouço fiscal define quanto o governo pode gastar e quanto precisa arrecadar, e a expectativa de investidores, empresas e consumidores sobre esse equilíbrio afeta o dólar, os juros e o custo do crédito. Quando o presidente fala em responsabilidade fiscal, o mercado procura dois sinais: se há meta numérica mantida e se há medidas concretas de receita ou de corte para sustentá-la. Segundo as reportagens, o primeiro sinal tende a vir no domingo, e o segundo ficou para depois.
Há posições diferentes sobre o tema, e cada uma pertence a quem a emitiu. O governo sustenta, pela voz de Durigan, que é possível manter os compromissos fiscais e os benefícios prometidos na campanha. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, disse em entrevista no fim de outubro que a pressão do mercado por ajuste é uma chantagem e que cortes deveriam mirar privilégios, como mostra a notícia sobre o posicionamento dele sobre ajuste e desonerações. Já a estimativa de que serão necessários ao menos R$ 39,8 bilhões em ajustes no Orçamento de 2027 é do Estadão.
O efeito sobre o dia a dia aparece por vários caminhos. Juros altos encarecem financiamentos e dívidas, e a taxa Selic em 13,75% é a referência dessas operações. O dólar mais caro pressiona o preço de itens importados, e a incerteza fiscal pode adiar decisões de investimento de empresas. A medida provisória do Imposto Seletivo, com as alíquotas de 2027, publicada na quarta-feira (4), entra nesse debate sobre receita, e o assunto está na notícia sobre a MP 1.399.
Próximos passos
O primeiro marco é o pronunciamento de domingo (8), que o Planalto ainda não detalhou. Em seguida, segundo o Metrópoles, Lula viaja na segunda-feira (9) à Turquia, para a COP31, e às Filipinas, para a cúpula da Asean, com retorno previsto por volta de 16 de novembro. A conferência está descrita na notícia sobre a delegação brasileira na COP31. A mesma reportagem diz que Durigan vai consultar economistas, representantes da sociedade civil e agentes do mercado antes de apresentar propostas, e que nenhuma decisão final foi tomada na reunião de quinta-feira.
O Congresso também terá papel. Medidas de arrecadação que dependam de lei, e o próprio Orçamento de 2027, precisam passar pela Câmara e pelo Senado, o que torna o calendário legislativo parte da conta. A cobertura acompanhará o texto do pronunciamento, quando houver, e os atos formais que vierem depois no Diário Oficial. Para conferir o que foi dito, vale comparar a fala com as reportagens antecipadas, já que o conteúdo previsto ainda é uma expectativa e não um fato consumado.
Fonte original
Agência Brasil
agenciabrasil.ebc.com.br
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Quem escreveu
Equipe Política Diária
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